O prédio em cima e a lua embaixo...
...o mundo sem ela fica mais escuro.
de cabeça pra baixo a lágrima corre
pra testa, o cavalo monta em São Jorge,
a chuva ensopa o queixo.
Olhando pra ela, quiz chegar perto,
mas o que fazer quando estiver lá?
Por enquanto continuo deitado com o rosto
fora da janela, pensando se o vizinho pode me ver,
ou se posso ver aquele rosto na luz da lua.
Penso que prefiro o céu negro, aquela camisa branca,
o rosto vermelho...
...e a lágrima insiste em molhar a testa!
- Oh, o que você faz aí, de cabeça pra baixo?
sexta-feira, setembro 28, 2007
sexta-feira, setembro 21, 2007
.eu, eu mesma.
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.*
Dormia como uma pedra,
Havia semanas não sabia o significado
de um sonho, (ainda não sabe, mas por outro motivo)
e naquele dia pareceu flutuar na dura cama do
quarto azul...
E no meio da noite, viu superheróis correrem
em direção a um bar, sentiu medo, riu também.
Correu de algo, em direção a nada e ofegante
bebeu um gole de alguma bebida boa...
E o impressionante aconteceu:
Se viu, ela mesma vir caminhando de mãos dadas
a um homem encantador, não sentia nada
mas via o seu próprio sorriso estampado
na sua cara que não estava no seu corpo naquele instante.
eu, eu mesma e alguém!
* Trecho do poema Adormecida, de Castro Alves
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.*
Dormia como uma pedra,
Havia semanas não sabia o significado
de um sonho, (ainda não sabe, mas por outro motivo)
e naquele dia pareceu flutuar na dura cama do
quarto azul...
E no meio da noite, viu superheróis correrem
em direção a um bar, sentiu medo, riu também.
Correu de algo, em direção a nada e ofegante
bebeu um gole de alguma bebida boa...
E o impressionante aconteceu:
Se viu, ela mesma vir caminhando de mãos dadas
a um homem encantador, não sentia nada
mas via o seu próprio sorriso estampado
na sua cara que não estava no seu corpo naquele instante.
eu, eu mesma e alguém!
* Trecho do poema Adormecida, de Castro Alves
quarta-feira, setembro 12, 2007
Esqueci
Tinha esquecido de vir aqui,
Como também tinha esquecido o que ia escrever,
Assim como esqueci de amar quem eu queria.
E de dizer para aquela mulher o quanto a odeio...
Esqueci de almoçar hoje também,
e de ver se na TV alguém fala sobre o grêmio.
Mas lendo hoje, me lembrei que as pessoas
não gostam de ler e isso me deu um certo alívio:
Com certeza não estariam aqui ávidas por coisas novas
das quais eu esqueci de relatar.
Mas de esquecer aqueles olhos eu não esqueci...
Esqueci até dos termos na prova de hoje, de
como dissertar sobre propaganda,
Mas aqueles olhos, não consegui esquecer.
Ahhh, amanhã não posso esquecer de vê-los
novamente...
Eles me olham tão bem quanto eu quero.
Como também tinha esquecido o que ia escrever,
Assim como esqueci de amar quem eu queria.
E de dizer para aquela mulher o quanto a odeio...
Esqueci de almoçar hoje também,
e de ver se na TV alguém fala sobre o grêmio.
Mas lendo hoje, me lembrei que as pessoas
não gostam de ler e isso me deu um certo alívio:
Com certeza não estariam aqui ávidas por coisas novas
das quais eu esqueci de relatar.
Mas de esquecer aqueles olhos eu não esqueci...
Esqueci até dos termos na prova de hoje, de
como dissertar sobre propaganda,
Mas aqueles olhos, não consegui esquecer.
Ahhh, amanhã não posso esquecer de vê-los
novamente...
Eles me olham tão bem quanto eu quero.
domingo, agosto 26, 2007
das vidas que vivi.
Depois de chegar do trabalho (cansada e risonha),
abre a porta cantando a mesma música de Nana Caymi.
A bolsa atrás da porta, a calça no cabide e a TV falando só
embalam sua ida até o fogão:
-Notícia extraordinária:
uma mulher de 53 anos dá luz a filhos gêmeos.
O café, companheiro do sistema nervoso,
infecta o apartamento de saudade.
Lembrou-se da carta que recebera quando passara na portaria,
o que ela revelaria?
Mais uma dívida do seu estourado cartão de crédito?
Ou, afinal lembranças daquele velho amigo na Gréia?
Futucou a bolsa e de lá sairam papéis de bala de café,
batom e enfim a carta. E diz Willian Bonner:
-Desembarca hoje no Brasil o primeiro ministro da Inglaterra.
Desligou a TV. Rasgou a carta:
Linda!
Como está você?
Eu estar com saudade seu.
Eu sei que você não esquecer nossa conversa,
nosso love...
Eu vou ficar melhor com você.
E porque escrevo para falar
im going to you.
01 june eu estar no airport
Eu te amo
Jhonny.
- My God - digo- Meu Deus!
A música do velho vinil agora se confundia
com o choro feliz e desesperado.
Sentou no sofá com mais uma xícara de café
e chorou.
abre a porta cantando a mesma música de Nana Caymi.
A bolsa atrás da porta, a calça no cabide e a TV falando só
embalam sua ida até o fogão:
-Notícia extraordinária:
uma mulher de 53 anos dá luz a filhos gêmeos.
O café, companheiro do sistema nervoso,
infecta o apartamento de saudade.
Lembrou-se da carta que recebera quando passara na portaria,
o que ela revelaria?
Mais uma dívida do seu estourado cartão de crédito?
Ou, afinal lembranças daquele velho amigo na Gréia?
Futucou a bolsa e de lá sairam papéis de bala de café,
batom e enfim a carta. E diz Willian Bonner:
-Desembarca hoje no Brasil o primeiro ministro da Inglaterra.
Desligou a TV. Rasgou a carta:
Linda!
Como está você?
Eu estar com saudade seu.
Eu sei que você não esquecer nossa conversa,
nosso love...
Eu vou ficar melhor com você.
E porque escrevo para falar
im going to you.
01 june eu estar no airport
Eu te amo
Jhonny.
- My God - digo- Meu Deus!
A música do velho vinil agora se confundia
com o choro feliz e desesperado.
Sentou no sofá com mais uma xícara de café
e chorou.
domingo, agosto 19, 2007
Loucos de pedra, flor e espinho
Desde menino admirava os loucos.
Se impressionava ao vê-los livres,
passeando pelas ruas, falando sozinhos.
Queria ser como eles, talvez fosse um pouco:
falava sozinho em frente ao espelho, ria pro mar
e acusava a areia de ser "malfeitiça".
Olhava os malucos com inveja e via algum juízo
no atravessar da longa Avenida Dois Leões.
Dizia ele que os loucos deixavam a cidade menos cinza,
um pouco triste e mais interessante quando se atreviam
a riscar as paredes ou a escreverem gentilezas nos muros.
- Louco universo esse nosso!
E dizia com convicção, num tom confortável de voz:
- Gosto de pensar que os loucos somos nós e eles sim,
os de perfeita saúde mental.
De tanto mirar por horas os diversos loucos que transitavam
naquela e noutras avenidas, ele aprendeu a desejar-lhes
bom dia e a gostar de piadas sobre loucura.
ao Velho Dil, para quem eu era a Bela Napolitana.
Se impressionava ao vê-los livres,
passeando pelas ruas, falando sozinhos.
Queria ser como eles, talvez fosse um pouco:
falava sozinho em frente ao espelho, ria pro mar
e acusava a areia de ser "malfeitiça".
Olhava os malucos com inveja e via algum juízo
no atravessar da longa Avenida Dois Leões.
Dizia ele que os loucos deixavam a cidade menos cinza,
um pouco triste e mais interessante quando se atreviam
a riscar as paredes ou a escreverem gentilezas nos muros.
- Louco universo esse nosso!
E dizia com convicção, num tom confortável de voz:
- Gosto de pensar que os loucos somos nós e eles sim,
os de perfeita saúde mental.
De tanto mirar por horas os diversos loucos que transitavam
naquela e noutras avenidas, ele aprendeu a desejar-lhes
bom dia e a gostar de piadas sobre loucura.
ao Velho Dil, para quem eu era a Bela Napolitana.
segunda-feira, agosto 13, 2007
A 4 horas de você II
Quanto tempo faz que nos falamos?
Quanto tempo ficamos nos falando?
4 horas com você...
calma, tudo está em calma
deixe que o beijo cure,
deixe que o tempo dure,
deixa que a alma tenha a mesma idade
que a idade do céu.*
O dia aqui e a noite lá
o céu é o mesmo
e esse tempo longe...
...seu tempo ocupa meu espaço
e essa horas que nos separam
unem nossas palavras aqui.
Tornam minhas noites sua madrugada
e fazem minhas 24 horas mais longas
que as 4 horas que nos separam.
*trecho da música Idade do céu de Zélia Ducan
Quanto tempo ficamos nos falando?
4 horas com você...
calma, tudo está em calma
deixe que o beijo cure,
deixe que o tempo dure,
deixa que a alma tenha a mesma idade
que a idade do céu.*
O dia aqui e a noite lá
o céu é o mesmo
e esse tempo longe...
...seu tempo ocupa meu espaço
e essa horas que nos separam
unem nossas palavras aqui.
Tornam minhas noites sua madrugada
e fazem minhas 24 horas mais longas
que as 4 horas que nos separam.
*trecho da música Idade do céu de Zélia Ducan
terça-feira, agosto 07, 2007
a música LÁ em MI
Sai naturalmente do peito
o ar que a impulsiona é suave
e as melodias são como prazerosos beijos.
Notas com perfeição saem dos dedos,
fazendo o peito se encher de ar e emoção.
Vem de onde essa magia?
talvez venha do sangue dessa gente nascida aqui,
ou da gente que veio de lá...
certo é que não se sabe explicar,
mas o que sai é lindo, prazeroso.
Embala os pensamentos e faz o coração pulsar rápido
eleva os sentimentos e traz ele pra perto.
Confundi os sentidos e as identidades
Eu já nem sei quem sou
tão dedicado a ti,
um cobertor pro frio*
Quando acaba fica o vazio
vem a sensação de loucura
a vontade de encher o peito de novo
e com vontade soltar o sonoro ar.
É assim, preenchendo e esvaziando
enlouquecendo e curando
que ela cumpre bem seu papel
deixando de ser de um pra ser de cada um.
*trecho da música OM, Djavan
o ar que a impulsiona é suave
e as melodias são como prazerosos beijos.
Notas com perfeição saem dos dedos,
fazendo o peito se encher de ar e emoção.
Vem de onde essa magia?
talvez venha do sangue dessa gente nascida aqui,
ou da gente que veio de lá...
certo é que não se sabe explicar,
mas o que sai é lindo, prazeroso.
Embala os pensamentos e faz o coração pulsar rápido
eleva os sentimentos e traz ele pra perto.
Confundi os sentidos e as identidades
Eu já nem sei quem sou
tão dedicado a ti,
um cobertor pro frio*
Quando acaba fica o vazio
vem a sensação de loucura
a vontade de encher o peito de novo
e com vontade soltar o sonoro ar.
É assim, preenchendo e esvaziando
enlouquecendo e curando
que ela cumpre bem seu papel
deixando de ser de um pra ser de cada um.
*trecho da música OM, Djavan
terça-feira, julho 31, 2007
sobre o cinismo
Ele sabe que te ama e finge.
Ela ama quando ele sabe e finge.
Os políticos se odeiam e fingem.
Sua mãe sabe dos seus erros e finge.
O padre não tolera homossexuais e finge.
Os homossexuais amam os padres e fingem.
Ele te olha e te vê mas finge.
Você deita na cama e dorme, finge.
Ouve alguns ruídos com nitidez, mas finge.
Eles discutem sobre filosofia fingindo saber.
Declaram coisas sobre o céu e o espírito que fingem conhecer.
Os atores fingem no teatro.
As prostitutas fingem nos cabarés.
As professoras fingem nas salas de aula.
A Majestade Imperial finge.
E você finge entender o que eu quero exatamente dizer.
Ela ama quando ele sabe e finge.
Os políticos se odeiam e fingem.
Sua mãe sabe dos seus erros e finge.
O padre não tolera homossexuais e finge.
Os homossexuais amam os padres e fingem.
Ele te olha e te vê mas finge.
Você deita na cama e dorme, finge.
Ouve alguns ruídos com nitidez, mas finge.
Eles discutem sobre filosofia fingindo saber.
Declaram coisas sobre o céu e o espírito que fingem conhecer.
Os atores fingem no teatro.
As prostitutas fingem nos cabarés.
As professoras fingem nas salas de aula.
A Majestade Imperial finge.
E você finge entender o que eu quero exatamente dizer.
terça-feira, julho 24, 2007
e os amigos
são cúmplices das loucuras
das insanidades...
tal qual Tim Tim e seu fiel cão
Dougue Funny e Costelinha
Batmam e Hobbie...
Companheiros dos porres,
dos vômitos, das lágrimas
dos intensos momentos de risos
(que o diga a tia da cantina)
dos bilhetes na sala de aula.
Os amigos sempre estão, bons ou maus
quando são porres ou porras loucas
quando não concordam e mesmo assim amam
e quando fazem planos e não os cumprem
serão sempre os mais loucos e fiés se,
caminharem bêbados mas do seu lado
falarem merdas e elogiá-lo com elas
acordarem com fome e oferecer-lhes o pão.
Amigos que despertam as mais lindas emoções
e tiram da lágrima o mais belo sorriso...
tal qual Chaves e Kiko, Timão e Pumba,
Mônica e Magali, O gordo e o magro...
aos loucos amigos Val, Keroly, Itana, Nicholas
Celine, Allan e Alan, Vivian, Louis, Suka, Nani...
e os outros tantos loucos que fazem parte de mim.
das insanidades...
tal qual Tim Tim e seu fiel cão
Dougue Funny e Costelinha
Batmam e Hobbie...
Companheiros dos porres,
dos vômitos, das lágrimas
dos intensos momentos de risos
(que o diga a tia da cantina)
dos bilhetes na sala de aula.
Os amigos sempre estão, bons ou maus
quando são porres ou porras loucas
quando não concordam e mesmo assim amam
e quando fazem planos e não os cumprem
serão sempre os mais loucos e fiés se,
caminharem bêbados mas do seu lado
falarem merdas e elogiá-lo com elas
acordarem com fome e oferecer-lhes o pão.
Amigos que despertam as mais lindas emoções
e tiram da lágrima o mais belo sorriso...
tal qual Chaves e Kiko, Timão e Pumba,
Mônica e Magali, O gordo e o magro...
aos loucos amigos Val, Keroly, Itana, Nicholas
Celine, Allan e Alan, Vivian, Louis, Suka, Nani...
e os outros tantos loucos que fazem parte de mim.
segunda-feira, julho 16, 2007
Ele diz:
- Você me machuca, dizendo isso...
- Você me machuca quando não diz nada - pensa ela.
- Bom...
- Tanto o que dizer, quase nada a fazer - pensa ela.
- Eu ando por aqui e nem penso em você mais, não te amo.
- Era isso que eu tanto queria "ouvir"... agradecida pelo seu ódio sincero
- Bom... adeus!
Tu sabes que eu te quero apesar de ser traído pelo seu amor fingido*
- Adeus - disse ela.
trecho da música Pra que mentir de Noel Rosa.
- Você me machuca quando não diz nada - pensa ela.
- Bom...
- Tanto o que dizer, quase nada a fazer - pensa ela.
- Eu ando por aqui e nem penso em você mais, não te amo.
- Era isso que eu tanto queria "ouvir"... agradecida pelo seu ódio sincero
- Bom... adeus!
Tu sabes que eu te quero apesar de ser traído pelo seu amor fingido*
- Adeus - disse ela.
trecho da música Pra que mentir de Noel Rosa.
domingo, julho 15, 2007
vertige
Ao olhar que tudo mira.
Que vê as lástimas e alegrias,
as cores e os amores.
Que vê a avenida e o mar
os manequis e os caixões,
os bonitos e os lindos.
À retina que enxerga o céu e o chão
o barraco e o casarão,
a cidade alta e a cidade baixa.
À esse mesmo olhar que chora e ri
do filme de Noel Rosa, eis que vos ofereço outro sentido:
a audição.
Se fecha olhar e ouve o som que vem das feiras,
escuta atentamente o barulho de dentro e de fora do ônibus.
Dorme e ouve a respiração, o ronco,
o louco som dos corpos em atrito,
o riso de quem senta ao lado.
O sagrado som dos atabaques,
o drum n bass dos rastafaris,
o reggae dos sambistas
a música que entra pelos ouvidos
e faz a lágrima correr dos olhos...
Eis o desafio: ver com os ouvidos
o que os sons tem pra mostrar.
Que vê as lástimas e alegrias,
as cores e os amores.
Que vê a avenida e o mar
os manequis e os caixões,
os bonitos e os lindos.
À retina que enxerga o céu e o chão
o barraco e o casarão,
a cidade alta e a cidade baixa.
À esse mesmo olhar que chora e ri
do filme de Noel Rosa, eis que vos ofereço outro sentido:
a audição.
Se fecha olhar e ouve o som que vem das feiras,
escuta atentamente o barulho de dentro e de fora do ônibus.
Dorme e ouve a respiração, o ronco,
o louco som dos corpos em atrito,
o riso de quem senta ao lado.
O sagrado som dos atabaques,
o drum n bass dos rastafaris,
o reggae dos sambistas
a música que entra pelos ouvidos
e faz a lágrima correr dos olhos...
Eis o desafio: ver com os ouvidos
o que os sons tem pra mostrar.
domingo, julho 08, 2007
Todo poder a Ela.
Sentia-se forte, segura.
Via-se linda no espelho:
- Que mulher exuberante! Que olhos penetrantes!
A maquiagem leve a fazia muito mais jovem.
Nunca tinha reparado, mas seus seios estavam mais bonitos.
Seu cheiro também era bom.
Seus lábios que proferiam melodias agora eram melados de batom...
...e sorri para todos que a olham e insinua seu olhar sedutor,
forte e segura dança nos diversos braços aconchegantes
e baila com a segurança de uma passista de escola de samba.
mas o que a faz sentir poderosa?
o medo de não ser.
por momentos ela é sim, comandando a dança
olhando segura, dando passos largos e caminhando com segurança.
sou a sereia que dança
destemida Iara, água e folha
da amazônia.
sou a sombra da voz da matriarca da Roma negra...
(...) sou preto do norte, americano forte
com brinco de ouro na orelha...
essa fortaleza se desmancha num beijo
em dois, em três,
e se desfaz numa lágrima abençoada pelo pôr-do-sol
que aponta no belo horizonte.
o poder é traduzido na força das mãos
que encontram o colo seguro
nos lábios frios, no vento cortante.
o poder é vencido por um beijo.
trecho da música Reconvexo de Maria Betânia.
Via-se linda no espelho:
- Que mulher exuberante! Que olhos penetrantes!
A maquiagem leve a fazia muito mais jovem.
Nunca tinha reparado, mas seus seios estavam mais bonitos.
Seu cheiro também era bom.
Seus lábios que proferiam melodias agora eram melados de batom...
...e sorri para todos que a olham e insinua seu olhar sedutor,
forte e segura dança nos diversos braços aconchegantes
e baila com a segurança de uma passista de escola de samba.
mas o que a faz sentir poderosa?
o medo de não ser.
por momentos ela é sim, comandando a dança
olhando segura, dando passos largos e caminhando com segurança.
sou a sereia que dança
destemida Iara, água e folha
da amazônia.
sou a sombra da voz da matriarca da Roma negra...
(...) sou preto do norte, americano forte
com brinco de ouro na orelha...
essa fortaleza se desmancha num beijo
em dois, em três,
e se desfaz numa lágrima abençoada pelo pôr-do-sol
que aponta no belo horizonte.
o poder é traduzido na força das mãos
que encontram o colo seguro
nos lábios frios, no vento cortante.
o poder é vencido por um beijo.
trecho da música Reconvexo de Maria Betânia.
quarta-feira, junho 27, 2007
No quarto...
E lá estava novamente
pensando no frio que vem das correntes de ar polar
e que resfriam seu coração tropical.
Odeia o frio, mas insiste em amar os esquimós.
Adormeceu pensando no homem de neve que
tem atordoado seus sonhos. E sonhou com ele.
Neve e nuvem envoltos no seu olhar,
espaço vazio ao lado - era a falta - que preenchia o coração
e os sentidos provavam do sonho real, faziam o frio aquecer:
vem dizer que o frio é bom pra nós dois.
Depois de horas a fio (frio) sonhando, o homem de neve
a traz de volta ao calor equatorial e se despede com um
suave alarme de celular nos ouvidos.
Ela desperta.
E sorri sobre sua cama preenchida de vazio, ao olhar
o tímido sol que desponta no céu tropical.
Ainda com frio, mas gostando um pouco mais dos esquimós.
pensando no frio que vem das correntes de ar polar
e que resfriam seu coração tropical.
Odeia o frio, mas insiste em amar os esquimós.
Adormeceu pensando no homem de neve que
tem atordoado seus sonhos. E sonhou com ele.
Neve e nuvem envoltos no seu olhar,
espaço vazio ao lado - era a falta - que preenchia o coração
e os sentidos provavam do sonho real, faziam o frio aquecer:
vem dizer que o frio é bom pra nós dois.
Depois de horas a fio (frio) sonhando, o homem de neve
a traz de volta ao calor equatorial e se despede com um
suave alarme de celular nos ouvidos.
Ela desperta.
E sorri sobre sua cama preenchida de vazio, ao olhar
o tímido sol que desponta no céu tropical.
Ainda com frio, mas gostando um pouco mais dos esquimós.
quinta-feira, junho 21, 2007
Cordel apresenta: Espetáculo em Brasília
Picadeiro armado, abrem-se as cortinas,
não há quem não queira suborno ou propina.
A platéia assustada não acredita no que vê:
políticos "palhaços" todo dia na TV.
Deputados malabaristas, manipulam as verbas,
fazendo aparecer o dinheiro na cueca.
O povo, boquiaberto, assiste com atenção o espetáculo
chamado "Mensalão".
Mas quem pensa que engana, finge não acreditar
que a platéia tem poder e tudo pode mudar,
pra ver outro espetáculo quatro anos bastarão
e só com a oportunidade da próxima eleição.
texto de Lucas Santiago (Bidhu).
não há quem não queira suborno ou propina.
A platéia assustada não acredita no que vê:
políticos "palhaços" todo dia na TV.
Deputados malabaristas, manipulam as verbas,
fazendo aparecer o dinheiro na cueca.
O povo, boquiaberto, assiste com atenção o espetáculo
chamado "Mensalão".
Mas quem pensa que engana, finge não acreditar
que a platéia tem poder e tudo pode mudar,
pra ver outro espetáculo quatro anos bastarão
e só com a oportunidade da próxima eleição.
texto de Lucas Santiago (Bidhu).
domingo, junho 17, 2007
em transi
E estava lá.
Ao redor muitas pessoas mas não as percebia
o que sentia era o toque suave de suas mãos,
e a maciez do seu cabelo (ah, deixemos o texto para relembrarmos o momento).
Sua voz doce penetrava nos ouvidos e flutuavámos ao mais alto
como pássaros em um vôo livre.
O ápice da sensação era o beijo, que fervia o sangue pulsante
e que fazia em nada pensar. O desejo de dois, um corpo.
Dois barulhentos corpos eram um.
E todos viam, e eles só sentiam como era bom o toque, o beijo.
E do alto nas nuvens o vento seca o suor
e o sol tão perto passa a iluminar as faces
ruborizadas e alegres, fortes e penetrantes
eram os olhares e os sorrisos soltos.
Eles eram um, só um em transi (a).
Ao redor muitas pessoas mas não as percebia
o que sentia era o toque suave de suas mãos,
e a maciez do seu cabelo (ah, deixemos o texto para relembrarmos o momento).
Sua voz doce penetrava nos ouvidos e flutuavámos ao mais alto
como pássaros em um vôo livre.
O ápice da sensação era o beijo, que fervia o sangue pulsante
e que fazia em nada pensar. O desejo de dois, um corpo.
Dois barulhentos corpos eram um.
E todos viam, e eles só sentiam como era bom o toque, o beijo.
E do alto nas nuvens o vento seca o suor
e o sol tão perto passa a iluminar as faces
ruborizadas e alegres, fortes e penetrantes
eram os olhares e os sorrisos soltos.
Eles eram um, só um em transi (a).
sexta-feira, junho 15, 2007
sobre a realidade
É preciso estar-se, sempre, bêbado.
Tudo está lá, eis a única questão.
Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros
e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa.
Mas embebedai-vos.[...]
É hora de embebedar-vos!
Para não serdes escravos martirizados do tempo, embebedai-vos, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar!
De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.*
E eu sempre soube aprender com os sábios,
com os escritores, anciãos.
Estar lá é perfeitamente real.
*texto de Charles Baudelaire
Tudo está lá, eis a única questão.
Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros
e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa.
Mas embebedai-vos.[...]
É hora de embebedar-vos!
Para não serdes escravos martirizados do tempo, embebedai-vos, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar!
De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.*
E eu sempre soube aprender com os sábios,
com os escritores, anciãos.
Estar lá é perfeitamente real.
*texto de Charles Baudelaire
terça-feira, junho 12, 2007
elas
Qual delas será tão tonta que se acomode
aos desares de partir com seus pesares de amor,
assistência, e tratos, se as damas não são sapatos
que se hajam de ter aos pares?
Dá-me, amor, a escolher de duas uma demônia.
Eu não deixo uma por outra, nem escolho outra por uma;
não há dúvida nenhuma, ambas são moças de porte
e se não mo estorva a morte ambas me hão de vir à mão.
Isto, que remédio tem, sejam entre si tão manas,
que repartindo as semanas vá uma, quando a outra vem;
que eu repartirei também jimbo, carinho e favor,
porque advirta algum doutor que, sendo à lógica o oposto,
na aritimética do gosto pode repartir-se o amor*
Entre duas, às vezes.
Dividir-se assim dá a impressão que se soma,
soma que resulta em zero.
Sozinho, sempre.
trecho de um poema de Gregório de Mattos
livro Boca do Inferno, Ana Miranda.
aos desares de partir com seus pesares de amor,
assistência, e tratos, se as damas não são sapatos
que se hajam de ter aos pares?
Dá-me, amor, a escolher de duas uma demônia.
Eu não deixo uma por outra, nem escolho outra por uma;
não há dúvida nenhuma, ambas são moças de porte
e se não mo estorva a morte ambas me hão de vir à mão.
Isto, que remédio tem, sejam entre si tão manas,
que repartindo as semanas vá uma, quando a outra vem;
que eu repartirei também jimbo, carinho e favor,
porque advirta algum doutor que, sendo à lógica o oposto,
na aritimética do gosto pode repartir-se o amor*
Entre duas, às vezes.
Dividir-se assim dá a impressão que se soma,
soma que resulta em zero.
Sozinho, sempre.
trecho de um poema de Gregório de Mattos
livro Boca do Inferno, Ana Miranda.
sexta-feira, junho 08, 2007
Litlle darling
"Stirt up...
It's been a long long time
Since I've got you on my mind
And now you are here, i said it's so clear
To see what we can do hunny, just me and you
come on and Stirt up litlle darling
I'll push the wood
I'll blaze your fire and I'll satisfy your heart desire
I'll stirt you every minute, all you've got to do, baby
It's keep in it and Stirt up
will you quench me while I'm thirsty?
Come and cool me down when I'm hot?
Your recipe, darling, is so tasty
And you sure can stir your pot
So Stirt up"
for you, my sweet love.
It's been a long long time
Since I've got you on my mind
And now you are here, i said it's so clear
To see what we can do hunny, just me and you
come on and Stirt up litlle darling
I'll push the wood
I'll blaze your fire and I'll satisfy your heart desire
I'll stirt you every minute, all you've got to do, baby
It's keep in it and Stirt up
will you quench me while I'm thirsty?
Come and cool me down when I'm hot?
Your recipe, darling, is so tasty
And you sure can stir your pot
So Stirt up"
for you, my sweet love.
quarta-feira, junho 06, 2007
ele
O telefone tocou:
- Alô! Não... é uma amiga dela
Sim, pode falar... hum. Sei, entendi... tá claro
Mais algum recado? De nada.
A amiga:
-Ligaram pra ti. Era um homem com uma voz...
Que voz ardente sensual!
Disse que te amava, que não conseguia mais
viver longe de você e que não aguentava mais esperar.
Ela:
- Hum... Só?
- Alô! Não... é uma amiga dela
Sim, pode falar... hum. Sei, entendi... tá claro
Mais algum recado? De nada.
A amiga:
-Ligaram pra ti. Era um homem com uma voz...
Que voz ardente sensual!
Disse que te amava, que não conseguia mais
viver longe de você e que não aguentava mais esperar.
Ela:
- Hum... Só?
segunda-feira, junho 04, 2007
Pelé (ou aqui jaz)
Tinha um gato no meio do caminho
No meio do caminho tinha um gato
No meio do gato abriram um caminho
Tinha no gato um caminho de rato
Tinha também um caminhão no meio
No meio do caminho fechando a estrada
Fincada no meio uma cruz que ja(z) dizia:
"Pelé a quem no meio partiram"
Bem no meio do caminho ele tinha ficado
No meio do caminho tinha um gato
homenagem póstuma a pelé, um pobre gato.
No meio do caminho tinha um gato
No meio do gato abriram um caminho
Tinha no gato um caminho de rato
Tinha também um caminhão no meio
No meio do caminho fechando a estrada
Fincada no meio uma cruz que ja(z) dizia:
"Pelé a quem no meio partiram"
Bem no meio do caminho ele tinha ficado
No meio do caminho tinha um gato
homenagem póstuma a pelé, um pobre gato.
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