Quarta-feira, Novembro 04, 2009

ao redor

é um impulso de ver pra cima
perceber no arrepio do olhar
o quão bom e frio é estar - só
um riso de canto-de-boca seu
sem ninguém pra rir do lado junto
ou uma ânsia por escrever com
o lápis que nenhum outro vai apontar
desenhar os M's bem curvos
e gritar pra dentro até ficar mudo
aquela música que nem você
sabe porque veio e se não vai

ir levando os pés calmos
sentindo cada ruga ao redor do chão
frio sem canto na noite do violão
verso sem rima e sem você
tentando apurar as vistas e não ver
o lado vazio e sem a voz de longe

Terça-feira, Outubro 20, 2009

haicai do avião

e lá se vai mais
um céu na mão
dos que não podem descer.

Domingo, Outubro 11, 2009

ela e ele

ele: amor, sonhei com o Tião, nosso cachorro!

ela: eu pensei que você tinha dito "te amo"

ele: ah... então ele não me lambeu?

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

H de tempestade

todo h no final me inquieta
me assanha
me alvoroça
me aperta

insight fight diet critch
nem o último nem o primeiro
no meio
central
certeiro

feito flecha no calcanhar
tal qual soco, sopro na vela
quando apaga
soco na cara

como temporal
com seus raios claros
pela tela da terra
rápido, inundado, dolorido, lindo
lindo como chamas linda

o que vi foram vigas de trovão
braços forte peito forte
coração right
e lá vem de novo
o h de tempestade
me tirar do sério do chão

fazer voar derrubar o avião
tá bom mas dessa vez
me deixa aqui
ver da janela e chuva
thunder lightning luna

todo h me atrai
me chama
me ama
assuma.

Sábado, Setembro 19, 2009

lençóis

sábado de manhã
tem cheiro
de chapada diamantina
neblina no olho
frescor primeiro

Musica na trilha
Alceu Valença
Chico Ciência
pra casa de um homem

folhas serradas
cortando o céu
mandiocas goiabas
decoram a cidade de pedra

sábado cedinho
quando o olho não abre
mas o coração primeiro
é dia de engolir o sol
sentir gosto inteiro
da umidade que some

Domingo, Setembro 13, 2009

jazz ou minha morte num filme de woody allen

morreria ali
ao som de Davis
guela gelada
sol nos cabelos dos guris

afundada ou bêbada
de infarto fulminante
com o maestro arrogante
no sax tenor pendurado

lugar santo de morte
que leva alguém por azar
ou por sorte
topar com o destino só
dos colibris da tarde
livre, bebendo cubas libres

sim morreria ali
sobre a mesa iluminada de vela
vendo homens de variados cliques
a sutileza da tatuagem amarela
e a gentileza do garçom Miles

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Respostando

Mais é muito metido esse blog mesmo!
Quem é você pra falar de mim?
Ridículo, petulante, mal agradecido...
E por conta de sua audácia tome aí mais uma poesia:

filho da puta
morde e assopra onde menos te dói
te odeio até te amar de novo
e mais um vez nego o que tanto queria
sacana
que pouco ama quando me tem
e mesmo me tendo quer sempre
me deixar toda vez, todo dia
infame
a pontinha do prazer que chega a doer
é ter seus azuis mirando em mim
grandes e desgraçadas mãos distantes
te odeio até te amar de novo

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

Alô?

Bom, eu não sei muito como falar por aqui. Hoje é minha primeira vez. Vou tentar ficar mais relaxado... Pra que não me conhece eu sou esse blog e resolvi me revoltar. Essa menina que escreve aqui, essa tal Larissantiago não tem noção de nada, não sabe o que eu sinto e por isso só escreve essas merdas dessas poesias. Antes até rolava uns contos, uns memes, uns depoimentos pessoais, mas gora é só poesia! Que porra é essa? Queria umas fotos de sacanagem, alguma estória que desse um roteiro de filme, algo que me valorizasse mais. Às vezes não me reconheço, de verdade e isso me dá medo. Não sei mais o que fazer nas garras dessa mulher. Aliás, isso é pra você D. Larissantiago: vá pra porra!

Domingo, Agosto 09, 2009

Chica

Casa de vó
café tv conversa, festa só
cozinha pequena
minúscula ação
cheiro de chão
com sabão em pó

Embolar nas tardes
rir na cama
com vista pro computador
crochetear verdes-abacates
- vê lá, quem chega, é Ana

E o provinciano jornal
com chaleira no fogo
xicrinha de louça
memória divinal
é ver cabelo cinza
enrolado na touca
tal e qual Roberval

Chique seu falar
Acadimia jazzi tiuria
Ah se fosse professora de geografia!
ensinaria sobre o vermelho mar

A bença mamãe Zeca
que o beat de suas orações
alcance os mais altos corações
no ritmo bom, alto, alegre e simples
como a rima no verso: - sapeca.

Quarta-feira, Julho 29, 2009

poesia de dois

Fuçando os papéis por esses dias, encontrei os poemas de minha amiga Carla Mattos jogados junto aos meus e me lembrei do nosso projeto poesia de dois, que pretende sair do papel.
Prometo fazê-lo conhecido de vocês, mas por enquanto confiram uma poesia dessa moça encantadora, a quem primeiro mostrei minhas tentativas de poesia.

Não me importa sua gravata
Nem mesmo a cor do seu terno
É lamentável e sem graça
Saber do óbvio desse inferno
O inferno que você causou
Quando eu acreditei em você
Me joguei, fui à luta
Levantei bandeira, pra que?
Pra rir de mim e de todos nós
Me deixar com fome
apagando a estrelinha
E eu apertando meus nós
Porque estou emagrecendo
Enquanto você folga os da tua gravata
Afogando suas magóas
Num copo gordinho de uísque

Mas suas barbas estão de molho
Todo mundo tá de olho
você vai ter que explicar
Ter que parar de voar
Suas horas estão contadas
Estamos de mãos atadas
Você não vai poder dizer:
Esqueçam tudo que escrevi


Carla Mattos, sem título