domingo, setembro 18, 2016

sina II

o sol no seu rosto
me arrepia
me faz querer
entrar em você
pele macia
gosto de pêssego
seus grandes lábios
meus
trêmulos nos lábios
seus
e uma vontade de ficar
no seu abraço
no seu colo
no seu beijo
no meio das suas pernas

você nem viu o sol
me arrepio
lembrei de novo
de tudo ali
que mais queria
seria dormir
em cima de ti
pra sempre

domingo, setembro 04, 2016

querendo

na solidão
ácida do
quarto de hotel
meu estômago arde
de amor

uma falta que faz
na cama vaga
no abraço só
aquele sorriso

provoca o meu
olhar que ri
colo quente
beijo demorado

cada verso podia
trazer ela de novo
magicamente
mas

vai ficar longo
longe
sozinho e durante
o tempo que adormeço

sem lábios
sem beijos
chupadas

sem ela

terça-feira, agosto 30, 2016

sobre sonhos

como é sonhar
confundir beijos
com realidade
desejos

ansiedade e ela
sorrindo parece
mentira

dentro de mim
os segredos dançam
aquele olhar
me olhou

ou era sonho
o cheiro
o sabor
passou tão rápido

acordei numa realidade
paralela
na esquina lá de casa
ela

transformando
vontades
mexendo meu dia
encaixando verdades
na minha cama

ainda nem acordei
vai que são meio dia
e tá tudo misturado
dificil saber

o sonho tá começando
ou nem tava sonhando
não quero saber

(não vem me dizer)

só - e se for - de você

quarta-feira, agosto 03, 2016

digo

ela
olhos brilhantes
na noite caindo
a fome que não passa
agonia
com cobertor, quente
abre a janela e
brisa fria
cor da pele
sorriso de fotografia
linda
linda
linda
certidão de nascimento
boca mágica
ansiedade minha
minha?
com ela
volta a poesia
volta a risada à toa
volta, voa
vem
olhos brilhantes
te vejo dormindo
andando aqui em casa
me come que passa
mata essa fome
no beijo que é seu
desenho teu nome
meu nome
linda

terça-feira, agosto 25, 2015

instável

se a vida fosse
uma tarde de cerveja
uma música em yorubá
deleite

se a vida fosse um pôr do sol
um mergulho na Barra
passeio de barco
dança de Orixá

estaria feliz todo dia
que nem meninas apaixonadas
crianças que ganham presentes
velhinhos jogando xadrez

que desejo mais besta
a vida nunca é o que se deseja
nunca será
não perderei mais minhas tardes
no posto
na cerveja

chega

o que desejo não existe
cessa, agonia

sexta-feira, dezembro 19, 2014

O Poeta Morto

se aproxima da gente
sorridente, mas tímido
tava quente
mercado da boa vista
como vai? tais ausente
mirou triste, voz baixinha
silenciou
senta, bebe com a gente!
deu rompante
andou tropeçante
e nunca mais foi visto
a poesia ficou triste
de chorar tornou-se
ofegante

quarta-feira, dezembro 17, 2014

planos

metas, rumos
dias, horas
prazos
passam e não
me dizem oi
o mês é o melhor
mas não tô bem
metas e rumos
se perderam
bem antes
era junho?
memória
o que atingi
orgasmos não foi
tempo, horas
dias, mês
hojé é setembro
parece que parei
balanço que fiz
algo bom?
talvez
seja logo
cedo
antes que de
medo
risque as semanas
outra vez


...

na sala
tudo igual
banheiro, músicas novas
a pia a cozinha lá
só no quarto mudo
a roupa
a calcinha
o sonho
queria uma cama de casal
não ter casal nela
mas poder mudar
se quiser
costumo dormir
no sofá

onde a tv nina
dizendo te amo
ao lar



sábado, novembro 08, 2014

o encontro

a dança dos corpos
o balé nosso
como conter
a fúria do querer
não quero nem
pensar
se te ter for dançar
vou gastar sapatos
peles, quartos
e coreografar
todos os dias
o bailar do amor
penetrado

quinta-feira, setembro 11, 2014

II

o segundo ciclo
novidade
folha em branco
o amor devia chegar
em setembro

árvores novas
comichão no peito
sorrisos de bar
o amor devia chegar
em setembro

sem adiar
passagem confirmada
check in feito
sem atrasar
com charme, bigode
ou cabelos longos
do frio nórdico
ou do calor recifense

devia ser alegre
saltitante e livre
como uma criança
uma de nome em yorubá
com beijo doce
cheiro de laranja
e café da tarde

o amor devia chegar
quando eu fosse
lhe encontrar
em setembro:
é logo ali!

limpeza

apego
grude
fuligem de cidade
as lembranças encrostam
e só banhos de sal grosso
livram de todo mal
amém
sou fácil, bem sei
tenho saudade do que
nem vi
é praga de poeta
desses vagabundos que
caem de amor por
cidades
praças
bares
Saravá, sai pra lá
que os instantes me esqueçam
num quero me apaixonar

quinta-feira, setembro 04, 2014

cinza concreto

um monstro
cinza, seco, duro
um frio
carros, pés muros
bonitos
sem risos
mas cultos
rubros, brutos
São Paulo reproduz
em todos seus
algo mais
um mistério, suspeito
que não se deduz