Sexta-feira, Fevereiro 03, 2012

a amante

amor decadente
paixão errante
dele e da cidade
castigada
irritante
preferia nada
a ter um monte
sentar à estrada
dormir mirando
horizonte
nos braços
quentes e ríspidos
relaxar seus
sonhos, futuros
distantes
oh cidade
na cama teu espaço
é o de amante

Terça-feira, Janeiro 17, 2012

despertador

quando ela pega
pode ser noite, dia
com dor nas costas
quentes querendo
água fria
fechando os olhos
caindo como criança
em truques de magia
confunde, ludibria
te faz perder o sono
ao mesmo tempo que
te canta notas tardias
não se negue: ela bate
na ponta do lápis e grita
"abre, é poesia"

Domingo, Dezembro 11, 2011

overdose

lá em casa é um lugar
com cheiro de sorriso
e textura de pessoa
dendê e atenção nas histórias
respeito aos mais velhos
guitarra baiana, molequeira
balanço sincero com ritmo
de coração acelerado
lágrima de nostalgia da mortalha
nota na voz malemolente e quente
lá em casa é gente
reconhecida pela voz
pela paixão e zelo
estado grande de solidão
mas a gente se encontra
e pra cada santo faz apelo
que não nos tire nunca ardência
nem pimenta nem malemolência

Terça-feira, Dezembro 06, 2011

jogatina

desde 1993
te quero
tínhamos 15
hoje 33
no nosso jogo
nosso preço
peças de xadrez
te ganhei
amei
até dias mais tardes
ter seu não 
vencendo, sendo
meu disparate
cheque mate
perdemos aos 23
de qualquer outro tempo

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

tríade

eu amo vocês
uma declaração
a nós três
registrada na
cartografia do
meu coração
para a comunhão
total do nosso
bem, que
assim sejam
meus os
sentimentos
que tens
eu, tus, vocês
divididos e
unidos num
só coração
nós, os três

Quinta-feira, Dezembro 01, 2011

venci?

de tanto pensar ganhei
ganhei uma dor de cabeça nos olhos
um monte de fumaça saindo
pálpebras embaçadas e inquietude
eu prefiro vidas complicadas
coisa de espiritismo regredindo
dentro é tanta confusão
que nem a profusão de pessoas
incomoda tanto: elas não me veem
eu não as vejo e tá tudo combinado
só não tá certo o primeiro parágrafo
nunca ganhei nada, nunca arrisquei nada
levei boas palmadas da vida
calos, dores e feridas foi tudo o que arranjei
confesso: o problema é todo eu

Domingo, Novembro 20, 2011

finado

é feriado aqui perto
sem sofrer e sem sofá
a vida passa feito
relógio cuco des-pertador
dentro daqui é furado
a água sai pelo buraco
dormir uma esperança
que o pescoço descanse, decreto!
supermercado de emoções
abra amanhã porque é feriado
precisaremos decerto
de feijões e corações

Domingo, Novembro 13, 2011

ruído

igual ao ano passado
quando o coração fervia
a sua espera
tudo o que sentia
tirava o fôlego
igual a cantar Etta James
subir a ladeira
te querer
no final desse ano
vai ser final da solidão
ou da espera
ou seu fim
do disco que acaba
com ruído de risco
igual seu nome
na minha poesia

Segunda-feira, Novembro 07, 2011

Quinta-feira, Novembro 03, 2011

podreira

calo enquanto meus calos
falam uma dor aguda
sangue saído da verruga
são os meus podres

falo pra tirar minha culpa
esfoliando com água a pele falida
limpando a crosta esfregando
espalhando folículo de nojura

no ralo peles, lodos,calos
a superfície estranha a mim
é parte da poeira suja
de boca podre, de carne dura