quinta-feira, janeiro 10, 2008

Imaginando abraço parte 1

Fugir com você eu quero,
largar tudo e parar por aí,
Nem que eu pare do lado de lá (...)*


Qualquer lugar
Um lugar do seu lado
na mesa pro café
um lugar no seu abraço
Deixar nossa vida me levar
Ir, rir e ficar
ficar por horas nos lábios
no peito
sus-peitos

Correr pra ver as horas passar
pular em cima do mar
amar por cima, beijar
e fugir de tudo
tudo que não era você
e parar por aí.

*trecho da música de Rita Ribeiro

Eu sempre...

Tive medo do ônibus passando pelo túnel,
Chupei picolé de baixo pra cima,
Passei a mão pelas paredes quando andava,
Respeitei os malucos,
Roí unhas,
Reparei nos outdoors,
Tive medo de Charlie Chaplin,
Morri de rir depois de muito chorar,
Gostei de meninos me tocando a cintura,
Cantei no banheiro segurando o sabonete...
e você?

sábado, janeiro 05, 2008

cuentos


Janelas abertas enquanto a chuva caía
e molhava seus pés recostados na parede.
Aquele dia cinza deixara sua camisa mais
escura;
Eram as lágrimas torrenciais.
Ele ama aquela mulher:
Gostosa, negros cabelos, eram todos negros
e amava lembrar de quando aquelas mãos o
tocavam. Gostosa!
Já não tocavam mais, e ele não sabia porquê.
Isso era pior.
Ela agora chegava estranha, não lhe beijava,
nem a noite ia cobrí-lo como fizera por 5 anos.

Ensopada da chuva, ela entrou batendo os pés,
e maldizendo aos céus:
- Porra de chuva. Miséria!
Guardou o casaco e foi fazer o café. Não esperava
que ele viesse falar com ela, por isso o susto
foi maior:
- Gostosa. Essa noite dorme comigo?
-Saia daqui - disse ela - Se saia!
- Não quer me sentir mais? Não vê no meu rosto,
choro por você...
- Não. Não vejo, não sinto, não quero.
Ele desconfiou de telefonemas que ela recebia, e
gritou como menino malcriado:
- Já sei, tem outro... e não me ama mais.
- Não, não é isso...
- Onde está o amor, mamãe? Não me deseja mais?
Cansou da minha...
- Cale a boca, imundo! - parou com a mão no rosto dele.
- Aposto que ele bate em você, você ama...
Ele a conhecia, ela sabia.
- Eu te amo, mamãe. Te quero!
- Eu não sou sua mãe!
Ele não respirou por um minuto.
-Você não é meu filho, e eu não te enganei todo esse tempo.
Ela, louca esqueceu o café que derramava no fogão.
Ele louco esqueceu que chovia dentro de casa; e ali
na cozinha, se amaram com amor fogoso de mãe e ex-filho.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

a long time

São olhos azuis
Que penetram a alma
e fecundam-na com amor
São lábios vermelhos
Que beijam o coração
deixando manchas de saudade
São dedos brancos
Que acariciam o juízo
fazendo enlouquecer de desejo
São cabelos negros
Que roçam a memória
e excitam a alegria
É você chegando em mim.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

back in Bahia*

Vôo inesperado.
Lá tudo era cinza,
concreto, sem cor
e de vez em quando
dava saudade de cá
As pessoas eram aquecidas
por um sentimento diferente
Que fazia a gente dar um sorriso
sem querer:

Eu era a Bahia
A água de coco
A preguiça
e nunca tinha me sentido como tal.
A música e o sotaque rompiam os ouvidos
com maciez, malemolência...

Respirei fundo quando pisei
no sotero-solo.
O sol ultrapassou a pele e aqueceu
o coração de baianidade.
E com lentidão, disse:
ter ido foi necessário pra voltar*


*música de Gilberto Gil

sexta-feira, dezembro 14, 2007

pela manhã

Acordou molhada de suor
Acordou sorrindo naquele dia
Depois de ter chorado com um reggae
melo-dramaático do rádio:
"o que é que eu vou fazer agora
se o teu sol não brilhar por mim..."
Ainda estava em transi
Com um lado arrepiado
Os pés esticados de desejo
E uma voz chamando baixinho no peito

Não levantou da cama pra não perder
a sensação de nesse instante.
Lembrava como flashes,
sentia ainda a doçura daqueles olhos
Por que antes do delírio,
antes do amor,
um pouco antes do gozo
Tinha ouvido aquela voz dizer
good night.

terça-feira, dezembro 11, 2007

a respeito do despeito

O que é que tem Noel,
Gregório, Jorge, Gabriel?
Safados, penetrantes...

Homens de palavras
De melodias.
Eles sabem de cór
tudo o que se precisa sentir.
Agressivos, diretos...

Transformam sangue,
secreção em mel
Dor de amor
Em dor de tapa na cara
libidinosos, atrevidos...

Amam duas vezes
Amam duas, sempre
Rasgam as roupas e o coração
doces, gentis...

Dizem com palavras
o sentimento à flor da pele
Fazem-nos respirar ofegantes
Noel, Gregório, Gabriel?
Filhos da puta!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

RE- união

Ahhhh galera.
A re-união
Risos e gestos no cair da tarde
Pessoas e mais gentes chegam e ficam
Olham e riem junto
Junta: é a foto.
Cerveja, água de coco, leite morno?
Amigos, secretos... sem segredos
E o velho samba, aquela letra
Enrolação
Rebolação
Embolação.
Segredo: Já dá uma saudade de cada sorriso.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Canção para seus lábios

Agridoce, alfazema
Sal da vida, cor serena.
Vermelho, meigos
beijos no espelho:
macio, saliva
sal da vida, água de rio.

dentes, amor e canção
línguas, beiço imagem na ação
in maginação.
desejo de dois
um beijo com dores
Agridoce, alfazema
Sal da vida, cor serena

domingo, dezembro 02, 2007

sábado, novembro 24, 2007

cuentos

Ele era tímido, se vestia discretamente:
calça jeansss, camiseta velha sem etiqueta,
tênis de uma velha juventude anos 60...
Admirava ela desde a primeira vista, que
aconteceu sem querer, olhando livros na
estante da faculdade.
Dizia para si mesmo que iria beijá-la, um dia,
e gostava de fazer isso enquanto fingia ler
poesias de Gregório de Mattos: balbuciava seus
próprios pensamentos:
"ahhhh, quero essa garota... preciso sentí-la em mim"

Ela foi professora de catequese, amava ler os salmos e
agora tinha dentre seus livros prediletos "O código da Vinci"
e a "Via Cruzis do corpo".
Amava as palavras mais que a TV, que fascinava todas as suas
amigas de classe - a mídia - diziam.
Nunca tinha notado ele naquela faculdade, não tinha tempo.
Estava sempre apaixonada por si mesma e pelos livros...


Um dia, ele teve a sensação de que ela estava na biblioteca,
"ela sempre está lá" - pensou e não vacilou, berrou àquela
que era sua amiga:
"Vou beijá-la agora, não posso mais esperar... ela precisa saber"
E correu com o cadarço desamarrado, levantando as calças e suando frio.
Na frente da porta da biblioteca, parou, repirou e entrou.
Ela não estavalá.
Ele lembrou-se das saletas onde ela adorava sentar e comer uva escondido.
Devagar foi se aproximando, com passos leves e sorriso entreaberto...
Quando colocou seu rosto no vidro da porta,
o vento das narinas o fez embaçar:
Ela beijava outro.
Correu novamente, agora mais rápido, cuspiu no chão do pátio.
Ergueu as calças,sentiu gosto de sangue na boca
e com os olhos não enxergava nada, e nem viu
que seu ombro tocou a parede dura, mas nem sentiu dor.
Sentou no chão do corre-dor e aDORmeceu.

segunda-feira, novembro 19, 2007

e lá vem besteira

Celis diz:
Bô est estáti?

Itana diz:
Bobó!

Lari diz:
haushuahsuhauhsu

Nicholas diz:
Idéia fabulante!

Lari diz:
sauhsuhaushuahsa

Celis diz(de novo):
ahhhh, eu sou lá Mãe Dulce?

Itana diz:
não. é Onolfabeta!

Lari diz:
saushuahsuhauhsuahs

Nicholas diz:
ehe ehe

a mensagem não pode ser entregue a todos destinatários.

sábado, novembro 10, 2007

A floor da pele

Quinta feira, início da noite uma saudade
invade sem pedir licença.
Mas isso são horas?
A lágrima cai de um olho só, e o vento
ainda ajuda a enxugar...
...Isso, muito bem.
Pensar nas coisas, imaginar como seria se fosse
até vai, mas daí a derramar sentimento, não.
Na frente de todo mundo, milhões de carros olhando,
um curioso que observa, não, não... Seja forte!
Sinta e só. Pense e só.
Lágrima só se for uma, que será a mais doída
e que seja no canto do olho, acabando na pele,
sem chegar ao chão.

sexta-feira, novembro 02, 2007

um vento que deu

trouxe o passado,
enxugou o suor no rosto,
fez suar mais ainda,
depois deu frio.

um frio bom,
um cio bom,
e a música que aperta o
coração:
canção de vento,
canção de dor.

saudade, é...
saudade.

vento traz você,
será que dá?
Se for um vento frio,
traz sim.

quinta-feira, outubro 25, 2007

sobre as visões

Um calor infernal e um desejo de berber coca-cola,
mas em plena terça-feira, início do regime, não dá.
Cabeça baixa, testa encostada nos joelhos, esperava
o momento certo de partir... enquanto isso agradecia
pela nova calça jeans e pelo "reggae" do dia seguinte.

Quando decidiu levantar o olhos para mirar se chegara
a condução, passeou desde os pés até aqueles olhos claros.
Era um deus grego, o sonho que andava de gravatas,
sorria encatador.

Olharam-se sem parar. Fixos. Intensos. Desejosos.
Os lábios respondiam dizendo beijo, um segundo parou.
Mas o fluxo dos carros cutucou o ombro, e as mãos se
tocaram sem querer, pra nunca mais se ver.
Da janela, os olhos falavam adeus e aquela visão ficou
guardada pra sempre...
... até não embaçar com o olho azul.

domingo, outubro 21, 2007

Não

É o que não dá pra te dizer.
então deixo a dor vir e ficar.
negar o que não tenho é ser injusto,
melhor assumir e dizer: Não tenho.
Ter consciência e não ter juízo.
Mas querer, querer mais.
Você.

Quero te dar mais do que o que vemos
Mais do que o eterno e do que o tempo
A neve que está no topo
Na beira do mar
(...)

Querer me dar será querer que você se dê
Sem medo de ser e ter
Sem não.
*

* trecho da música Sem não de Lô Borges e Caetano Veloso

domingo, outubro 14, 2007

belle belle

Feriado bom.
fui a um salão de beleza...
lá o cheiro bom, o excesso de mulher
e a cor de rosa contrastavam com o futebol
que eu tentava assistir na TV.
Quase impossível. Mulheres riam e falavam:
- Quem tá jogando?? - eu perguntava pra quê saber!
- Cê viu que Mario cegô a mulé? - e imediatamente...
- A novela tá massaa!

Enquanto decidia a cor das minhas unhas:
- vermelho ou branco? - demorei responder, uma mulher do nada apareceu:
- Se for paixão é vermelho! Me diz aí tua história...
- Ahh... é um amor distante, nem vale a pena.
E do nada, como ela apareceu, começou a fazer versos,
rimas, combinando palavras e dando som a elas.
Foi quando de repente:
- Vermelho ou branco, Larissa?
- Vermelho, né?

segunda-feira, outubro 08, 2007

aterrissagem

Aparentava ter 60 anos.
Um camisa verde coloria sua face cinza,
cansada e ainda cheia de vontade de vida.
Sentado de pernas levemente cruzadas, tinha um caderno e
anotava...
... escrevia sem parar enquanto olhava os aviões partirem
e chegaremm e chegaremm, partiremm...
Lembrava meu avô, que nunca conheci, é verdade, mas eu sentia
que lembrava. No sorriso. Na aura.

Dias depois estava lá, mesmo lugar, mesmas pernas, mesmo caderno.
Sentado, interroguei:
- Escreves? Aposto que é sensível!
- Não. Gasto a solidão!
Todos são solitários, mas ele dava a sua aos aviões.
- Uso meus dias a contar quantos vem e vão... quais vão e nunca voltam.
E eu esperava um também, há tempos.
- E... - ele me interropeu antes que perguntasse porque.
- São como mulheres. Pousam, deixam e levam algo.
Os que vão, nunca sei se voltam. Não sei quem são, de fato.
E continuou, me permitindo olhar o pouso de um avião:
- Só espero todos os dias poder saber quem aterrizou, se voltou...

Não reclamo mais daquela longa espera.

sexta-feira, outubro 05, 2007

um gosto de sal

quando li aquelas palavras quiz dizer algo maior,
mas me calei.
mania de querer traduzir em palavras o que sinto...
(...)

dessa vez fiquei lendo o que ela escrevia,
e de cada linha um trem, palavras-vagões.
Ela deixava a estação e eu ficava olhando
batimentos cardíacos e suor nos pés...
(...)

as partes desejavam e transpiravam se encontrar:
mãos, peitos, pés e olhos.
sorrir naqueles lábios, ter as mãos no peito
e entrelaçados, sentir as costas molhadas, gélidas
os olhos trêmulos derramando gosto de sal na boca

dá gosto a vida.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Abbey Road

Passando a rua hoje, três jovens famintos
tiveram suas vidas marcadas para sempre.
Era sol, Salvador, um dia ótimo pra ficar
em companhia um do outro até mais tarde...
... foram comer, conversar e rir no mercado
perto da faculdade.
Faixa de pedrestre vazia, sinal aberto,
avenida movimentada. Uma bicicleta tão magra
qaunto seu dono e aconteceu:
Um motorista educado respeita a faixa de pedestre
e pára. Ele pára... como assim?
Ehhh... ele pára e Paul, Ringo e John atravessam a rua
num ritual glorioso, como se fizessem pose pro LP.
E ao fundo um ruído corta o clima:
- Vai viado!