Escrever é ficar nu. É mostrar-se todo aos outros. É deixar que façam sobre você todo tipo de leitura, a partir dos valores de quem lê, história de vida, crenças, fantasias e projeções. Escrever é atirar em alvo desconhecido. A flecha toca o alvo que o leitor conduz no seu real, imaginário ou no terra-a-terra da sua ótica. Quando criticamos, elogiamos, brincamos, elucidamos, emitimos opinião sobre pessoa, coisa ou lugar, é claro que nos expomos. O ato de escrever é uma eterna exposição, se é julgado sem direito à defesa, criticado até sem dó ou piedade, pois o leitor é um desconhecido. Dizem que escrever é um ato de coragem. Prefiro dizer que é medo. Medo de silenciar quanto a fatos, pessoas e atos. É medo de ser cúmplice do silêncio, indiferença, calúnia, violência, enganadores, líderes de araque e do descalabro.Escrever não é vaidade. Ao contrário. É aceitar que lhe grifem erros, riam de suas idéias e calem, quase sempre, quando imaginam que você está certo. A palavra posta no papel não mais lhe pertence e o contexto em que se insere, muitas vezes, é diferente do que você queria e o leitor imaginava. Saiu e pronto. Não sou muito de revisar o que escrevo. Se fizer isso, acabo alterando o sentido, mascarando ou destruindo o que brotou da imaginação, vivência, circunstância, momento e ambiente.Escrever, para mim, é relação complexa e solitária...
texto de João Soares Neto e um pouco meu
domingo, abril 22, 2007
sábado, abril 21, 2007
O massacre
Momentos de tensão.
Onde todos pedem silêncio
é o lugar onde mais se abre a boca
e os carrascos vestem branco e suas
máscaras tem cheiro de xilocaína e flúor
- Larissa Santiago!
- Eu mesma.
- Vamos para a cadeira elétrica!
Ops... a cadeira reclina e tenta te deixar mais relaxado,
mas o barulhinho que vem da sala ao lado é assustador
e o torturador se aproxima... se aproxima... se aproxima...
- Sim, mas qual o procedimento?
- Aqui o paciente é quem decide. Pode ser o método mais lento ou mais rápido.
- Eu prefiro o mais rápido!
Lenta e dolosamente a tortura vai chegando ao fim
ou ao começo...
Perder um dente é sempre ganhar uma dor.
Onde todos pedem silêncio
é o lugar onde mais se abre a boca
e os carrascos vestem branco e suas
máscaras tem cheiro de xilocaína e flúor
- Larissa Santiago!
- Eu mesma.
- Vamos para a cadeira elétrica!
Ops... a cadeira reclina e tenta te deixar mais relaxado,
mas o barulhinho que vem da sala ao lado é assustador
e o torturador se aproxima... se aproxima... se aproxima...
- Sim, mas qual o procedimento?
- Aqui o paciente é quem decide. Pode ser o método mais lento ou mais rápido.
- Eu prefiro o mais rápido!
Lenta e dolosamente a tortura vai chegando ao fim
ou ao começo...
Perder um dente é sempre ganhar uma dor.
quarta-feira, abril 18, 2007
soledad (ou saudade)
Sabe quando você sente aquele perfurme
que te transporta pro pré primário?
Lá, todas as pessoas pareciam ter aquele
mesmo cheiro de perfume misturado com
massa de modelar... e também parecem
soldados do mesmo exército que obedecem
as "pró's".
Acho que fiquei tanto tempo lá e por isso não
consigo esquecer esse perfume: do suco de
maracujá, do giz de cera, dos meninos correndo
da solidão na hora do recreio.
De lá também guardo a habilidade de pintar, mas
que fique claro que pintar dentro da linha delimitada,
com precisão, uniformidade e lápis de cor.
Tudo isso graças a dependência do meu irmão,
que ficava na sala ao lado, mas como acreditava estar só
chorava, e saber que ele estava ali ao lado era pouco...
... e aí esse cheiro me veio de novo, enaquanto olhava Bidhu
e percebi o quanto amo esse guri e suco de maracujá.
que te transporta pro pré primário?
Lá, todas as pessoas pareciam ter aquele
mesmo cheiro de perfume misturado com
massa de modelar... e também parecem
soldados do mesmo exército que obedecem
as "pró's".
Acho que fiquei tanto tempo lá e por isso não
consigo esquecer esse perfume: do suco de
maracujá, do giz de cera, dos meninos correndo
da solidão na hora do recreio.
De lá também guardo a habilidade de pintar, mas
que fique claro que pintar dentro da linha delimitada,
com precisão, uniformidade e lápis de cor.
Tudo isso graças a dependência do meu irmão,
que ficava na sala ao lado, mas como acreditava estar só
chorava, e saber que ele estava ali ao lado era pouco...
... e aí esse cheiro me veio de novo, enaquanto olhava Bidhu
e percebi o quanto amo esse guri e suco de maracujá.
domingo, abril 15, 2007
Sax Soprano
...você ficando com ela
e eu ficando sozinha.
enfim, desliza sua boca em mim
até me calar*
...São Jorge emociona
canta como ninguém
e traz as estrelas pra mim
No clarão do luar, te espero
cá nos braços do mar, me entrego**
...te espero,
mas você não sabe que me espera
a lua me leverá...
por você espero e me entrego
*trecho da música Melhor lugar, Jorge Vercilo
**trecho da música Avesso, Jorge Vercilo
e eu ficando sozinha.
enfim, desliza sua boca em mim
até me calar*
...São Jorge emociona
canta como ninguém
e traz as estrelas pra mim
No clarão do luar, te espero
cá nos braços do mar, me entrego**
...te espero,
mas você não sabe que me espera
a lua me leverá...
por você espero e me entrego
*trecho da música Melhor lugar, Jorge Vercilo
**trecho da música Avesso, Jorge Vercilo
sábado, abril 14, 2007
10hs 30min
acabou a aula
levantou e saiu
avistou ela mas não acreditou
que fosse para ele...
falou o que não queria falar
tocou onde não queria tocar
deu as costas a ela
foi como desse adeus a chance
amanhã começará tudo de novo
e ela vai reparar nele
e ele vai telefonar pra ela
pra novamente falarem sobre a aula
ou sobre qualquer outra coisa que
realmente não importe...
levantou e saiu
avistou ela mas não acreditou
que fosse para ele...
falou o que não queria falar
tocou onde não queria tocar
deu as costas a ela
foi como desse adeus a chance
amanhã começará tudo de novo
e ela vai reparar nele
e ele vai telefonar pra ela
pra novamente falarem sobre a aula
ou sobre qualquer outra coisa que
realmente não importe...
quinta-feira, abril 12, 2007
palavra-puxa-palavra
gato-cachorro-namorado-gato-cachorro-gato-
novelo-novela-clarinha-moça budita-drogas-
Carlos-arte-quadro-retroprojetor-Bel Marques-
vôa vôa-trio elétrico-eletrodomésticos-casa-quarto-
cama-tesão-sexo-tesão-fogo-bombeiro-gato...
segue em anexo o protesto contra o uso indevido
de palavras-puxa-palavras.
novelo-novela-clarinha-moça budita-drogas-
Carlos-arte-quadro-retroprojetor-Bel Marques-
vôa vôa-trio elétrico-eletrodomésticos-casa-quarto-
cama-tesão-sexo-tesão-fogo-bombeiro-gato...
segue em anexo o protesto contra o uso indevido
de palavras-puxa-palavras.
quarta-feira, abril 11, 2007
nêga ceia
Quem quiser vatapá oh que procure fazer
Primeiro o fubá, depois o dendê
e procure uma nêga baiana oh que saiba mexer
que saiba mexer, que saiba mexer
Nêgas baianas preparam na cozinha
as delícias para seus nêgos e nêgas
Eles esperam anciosamente sentir o gosto da magia
Cada tempero é uma porção mágica
Cada mexida é um ritual sagrado
E no auge da cerimônia a fome devora o cheiro
a tontura provocada deixa em êxtase os nêgos e nêgas
a mesa preparada para o ritual ganha cor e texturas
e as nêgas mágicas se sentam e participam do ritual
dedicado aos simples e mortais nêgos famintos
às nêgas mais faceiras da familia Santiago
Primeiro o fubá, depois o dendê
e procure uma nêga baiana oh que saiba mexer
que saiba mexer, que saiba mexer
Nêgas baianas preparam na cozinha
as delícias para seus nêgos e nêgas
Eles esperam anciosamente sentir o gosto da magia
Cada tempero é uma porção mágica
Cada mexida é um ritual sagrado
E no auge da cerimônia a fome devora o cheiro
a tontura provocada deixa em êxtase os nêgos e nêgas
a mesa preparada para o ritual ganha cor e texturas
e as nêgas mágicas se sentam e participam do ritual
dedicado aos simples e mortais nêgos famintos
às nêgas mais faceiras da familia Santiago
terça-feira, abril 10, 2007
aula de mídia 1
Sua aula está um saco?
Seus alunos estão dormindo e conversando?
Você não sabe mais que imagem trazer para impressionar?
CHEGOU O NOVO E REVOLUCIONÁRIO ALLANETION TABAJARA
Ele é um boneco inflável com um sistema inovador
que grava tudo que você professor fala
e meia hora antes da aula acabar
repete tudo em forma de perguntas óbvias!
E seu alunos ainda ganham inteiramente de grátis
repete tudo em forma de perguntas óbvias!
E seu alunos ainda ganham inteiramente de grátis
dreads para enrolar durante aquelas aulas demasiadamente chatas
Tá claro?
quinta-feira, março 29, 2007
Cara e Coragem
faz calor aí e você tão frio
não posso dizer o que não sei
dançar é o que me leva aí
se você desejar com mais força eu chego
um dia, uma dia
um dia...*
pra dançar do teu lado
e quando o frio chegar não sentir
ver calor pingar no suor
e as mãos trêmulas combinadas
o momento que não acaba com o minimizar
quando seu peito for meu leito
aqui faz frio que congela o amor
fazendo a cama ter lugar pra dois
se você chegar eu não vou
mas se ele (amor) vier, vamos!
embrulhados em mantas de lágrimas
aquecidos com o sabor do vinho
*trecho da música Um dia, Diamba
não posso dizer o que não sei
dançar é o que me leva aí
se você desejar com mais força eu chego
um dia, uma dia
um dia...*
pra dançar do teu lado
e quando o frio chegar não sentir
ver calor pingar no suor
e as mãos trêmulas combinadas
o momento que não acaba com o minimizar
quando seu peito for meu leito
aqui faz frio que congela o amor
fazendo a cama ter lugar pra dois
se você chegar eu não vou
mas se ele (amor) vier, vamos!
embrulhados em mantas de lágrimas
aquecidos com o sabor do vinho
*trecho da música Um dia, Diamba
terça-feira, março 27, 2007
horóscopo do dia
Seja você mesmo: mostre a pessoa amada quais são seus sentimentos, seus sonhos, suas expectativas. E tente encontrar o caminho da harmonia na vida a dois*
Falar tudo o que sinto?
Sinto muito...
tanto que é inexplicável e misturado
Quer dizer (mas o que quer dizer "quer dizer"?)
Querer dizer é pensar no que não dizer
É melhor não falar, calar
Nem se conseguisse falaria...
você não entenderia
xá pra lá
Mesmo assim vcê fica sabendo
que meu guru não tem razão
Eu não posso dizer te amo
*guruweb.com
Falar tudo o que sinto?
Sinto muito...
tanto que é inexplicável e misturado
Quer dizer (mas o que quer dizer "quer dizer"?)
Querer dizer é pensar no que não dizer
É melhor não falar, calar
Nem se conseguisse falaria...
você não entenderia
xá pra lá
Mesmo assim vcê fica sabendo
que meu guru não tem razão
Eu não posso dizer te amo
*guruweb.com
segunda-feira, março 26, 2007
meios velhos e os novos
Ahhhhhhh!!!!
não dá pra acreditar que ainda existe alguém escrevendo romanticamente.
Ainda bem que não estamos só
(...)
Não vá levar tudo tão a sério,
sentindo o que dá, deixa correr...*
e o olhar percorre você,
sem querer já te vi, pedindo que você me olhe
e nesse jogo, não consigo não disfarçar
(...)
Mas a carta é extraordinária!
Que saudades que senti quando a li
Como se visse você,
mas será?
Por que será?
Vou pensar...**
Quero você pra mim
lá, cá, dá, dê...
te olhei e não me viste
desde que te olho
e tenho dito: Te olho.
*trecho da música A carta, Djavan
**trecho da música O vento, Los Hermanos
não dá pra acreditar que ainda existe alguém escrevendo romanticamente.
Ainda bem que não estamos só
(...)
Não vá levar tudo tão a sério,
sentindo o que dá, deixa correr...*
e o olhar percorre você,
sem querer já te vi, pedindo que você me olhe
e nesse jogo, não consigo não disfarçar
(...)
Mas a carta é extraordinária!
Que saudades que senti quando a li
Como se visse você,
mas será?
Por que será?
Vou pensar...**
Quero você pra mim
lá, cá, dá, dê...
te olhei e não me viste
desde que te olho
e tenho dito: Te olho.
*trecho da música A carta, Djavan
**trecho da música O vento, Los Hermanos
quinta-feira, março 22, 2007
p.s.:
Tenho inveja dos poetas!
Oh... como fazem pra expressar sentimentos?
Usam a fantasia, combinam palavras,
escrevem aos amores.
Pobre poeta, miserável, pois não tens amores
não tens sentimentos, não tens palavras.
O que tens é inveja, inveja dos que escrevem,
dizem, demonstram emoção
um dia serás como eles: poetas, loucos, apaixonados
inveja ao baiano Castro Alves
Oh... como fazem pra expressar sentimentos?
Usam a fantasia, combinam palavras,
escrevem aos amores.
Pobre poeta, miserável, pois não tens amores
não tens sentimentos, não tens palavras.
O que tens é inveja, inveja dos que escrevem,
dizem, demonstram emoção
um dia serás como eles: poetas, loucos, apaixonados
inveja ao baiano Castro Alves
segunda-feira, março 19, 2007
Indo ao azul...
...a Infância morreu.
Era linda, cheia de pássaros,
morros, meninos e alegria.
Andava sem pudor, sorria de tudo;
amava brincar e correr por entre os prédios.
Jogar bola, esconde-esconde era seu costume,
infelizmente ela morreu, deixando saudade a quem ficou,
deixando um nó na garganta de quem tanto a amava.
Mas ela viverá pra sempre no incosciente crescido,
no peito amadurecido, na canção serena...
...viverá pra acompanhar nossa velha lembrança
e fará de novo soltar o riso, antes da criança.
dedicado à Val, Nane, Kel, Mili, Suzy, Ana e Jose
Era linda, cheia de pássaros,
morros, meninos e alegria.
Andava sem pudor, sorria de tudo;
amava brincar e correr por entre os prédios.
Jogar bola, esconde-esconde era seu costume,
infelizmente ela morreu, deixando saudade a quem ficou,
deixando um nó na garganta de quem tanto a amava.
Mas ela viverá pra sempre no incosciente crescido,
no peito amadurecido, na canção serena...
...viverá pra acompanhar nossa velha lembrança
e fará de novo soltar o riso, antes da criança.
dedicado à Val, Nane, Kel, Mili, Suzy, Ana e Jose
domingo, março 18, 2007
Andei só
Onde estão meus sapatos velhos que davam
o ar da graça no meu visual tão casual?
Não estão mais comigo desde que os dias são cinzas
e os prédios coloridos.
No lugar dos sapatos os pés andam tocando o chão,
um par de pés solitário que está sem sapatos, sem acompanhante.
Eu ando, olho e não encontro nas vitrines de toda a cidade
nenhum par que encaixe, que se ajuste, que me agrade.
Desejaria um par, nem precisa ser bonito...
... nem muito pequeno nem muito grande, confortável.
Um par de sapatos que aqueça meus pés, que esconda
minhas unhas defeituosas, que valorize minhas pernas,
que tenha disposição pra ficar no meu pé um dia todo
e, em casa, libere o odor descomunal, e que no fundo tanto gosto.
Enquanto isso ando descalça e miro todas as vitrines, sozinha
sem meu par de sapatos.
o ar da graça no meu visual tão casual?
Não estão mais comigo desde que os dias são cinzas
e os prédios coloridos.
No lugar dos sapatos os pés andam tocando o chão,
um par de pés solitário que está sem sapatos, sem acompanhante.
Eu ando, olho e não encontro nas vitrines de toda a cidade
nenhum par que encaixe, que se ajuste, que me agrade.
Desejaria um par, nem precisa ser bonito...
... nem muito pequeno nem muito grande, confortável.
Um par de sapatos que aqueça meus pés, que esconda
minhas unhas defeituosas, que valorize minhas pernas,
que tenha disposição pra ficar no meu pé um dia todo
e, em casa, libere o odor descomunal, e que no fundo tanto gosto.
Enquanto isso ando descalça e miro todas as vitrines, sozinha
sem meu par de sapatos.
quarta-feira, março 14, 2007
TAK-DUM
e tem também a alegria seguida da surpresa
o beijo seguido do adeus
o cobertor depois do banho frio
o esmalte vermelho sobre a pele branca
o sorriso após o telefonema
o ódio depois da imagem
a lágrima seguida da música
o deitar após o sono
a razão bem depois da viajem
o sangue sobre a perna
e tem também o chocolate depois da chuva
e antes e depois...
o beijo seguido do adeus
o cobertor depois do banho frio
o esmalte vermelho sobre a pele branca
o sorriso após o telefonema
o ódio depois da imagem
a lágrima seguida da música
o deitar após o sono
a razão bem depois da viajem
o sangue sobre a perna
e tem também o chocolate depois da chuva
e antes e depois...
terça-feira, março 13, 2007
Morte por um vivo
A viagem é longa
tão longa que o texto é curto,
as palavras voam, mas o tempo no ônibus é lento.
Pausa para um momento de lucidez:
- Você está lendo o Salmo de Salomão?
- Não, Porquê?
- Comece a rezar, esse ônibus vai virar.
Bom seria se ele virasse um avião, ou um disco voador
e me levasse onde quero ir.
Por enquanto a estrada me leva a monotonia e ao repouso
do apertamento.
- Por que a única certeza que nós tem nessa vida é a morte.
Só não sabemos a hora. Essa é a angústia.
e completou:
-Nostradamus, ano de 2000. Se acabou? Se acabaou? Se acaba
é cada um de nós. Esse ônibus vai é virar! aaahahhahaha
No fundo niguém tem medo da morte; só pena de deixar a vida.
Nem Marizete, nem Johan, nem Giorgia...
- Desculpa Senhora, mas minha parada é no próximo ponto, motô!
Adeus.
tão longa que o texto é curto,
as palavras voam, mas o tempo no ônibus é lento.
Pausa para um momento de lucidez:
- Você está lendo o Salmo de Salomão?
- Não, Porquê?
- Comece a rezar, esse ônibus vai virar.
Bom seria se ele virasse um avião, ou um disco voador
e me levasse onde quero ir.
Por enquanto a estrada me leva a monotonia e ao repouso
do apertamento.
- Por que a única certeza que nós tem nessa vida é a morte.
Só não sabemos a hora. Essa é a angústia.
e completou:
-Nostradamus, ano de 2000. Se acabou? Se acabaou? Se acaba
é cada um de nós. Esse ônibus vai é virar! aaahahhahaha
No fundo niguém tem medo da morte; só pena de deixar a vida.
Nem Marizete, nem Johan, nem Giorgia...
- Desculpa Senhora, mas minha parada é no próximo ponto, motô!
Adeus.
segunda-feira, março 12, 2007
O Indiscutível
O que move a fé?
Interesses próprios?
Causas sociais?
Honra perdida?
Problemas não resolvidos?
Conflitos históricos?
Deus Deus por que me abandonastes!
Jah Jah por que me abandonastes!
Buda Buda por que me abandonastes!
Alah Alah por que me abandonastes!
Krishna Krishna por que me abandonastes!
Tantos nomes, tantos povos, tantos apelos
A quem Ele protegerá?
"Simplesmente respire as maravilhas de Deus que são perfeitas e não precisam de nenhum homem para aperfeiçoá-las ou explicá-las"*
*trecho do I- rmão João Haze
sábado, março 10, 2007
Barra saudade Grande (ou Bah, arauá)
Fecho os olhos, vou ao Arauá
clima bom , sol e suor
mar, areias e pedras num calor febril*
a lembrança vem do reguear
o reguear lembra você
... um vento bom vai te levar**
te trazer.
Lá onde o mar é límpido
tomaremos banho juntos
de verdade e pra sempre
A lua e o vinho pedem poesia
a lágrima fala presença
você (eu e você)
Nunca senti tanto você
as estrelas eram minhas
elas me davam tua face
branca e lânguida, como elas
Desejei como não desejaria
do âmago mais sagrado
na prece mais silenciosa
eu chamo você
e cerro meus olhos pois é noite
hoje, toda noite é Arauá
Arauá eu e você...
*trecho da música Sol mar areias e pedra, Diamba.
**trecho da música Vento bom, Diamba.
clima bom , sol e suor
mar, areias e pedras num calor febril*
a lembrança vem do reguear
o reguear lembra você
... um vento bom vai te levar**
te trazer.
Lá onde o mar é límpido
tomaremos banho juntos
de verdade e pra sempre
A lua e o vinho pedem poesia
a lágrima fala presença
você (eu e você)
Nunca senti tanto você
as estrelas eram minhas
elas me davam tua face
branca e lânguida, como elas
Desejei como não desejaria
do âmago mais sagrado
na prece mais silenciosa
eu chamo você
e cerro meus olhos pois é noite
hoje, toda noite é Arauá
Arauá eu e você...
*trecho da música Sol mar areias e pedra, Diamba.
**trecho da música Vento bom, Diamba.
As Deusas-mãe (homegangem póstuma)
É delas que nascem os gênios
capazes de construir a humanidade
É da dor do parto que nasce cada criador
cada invenção.
Mulher: antes matriarca
durante amaldiçoada
depois magnata
Toda gratidão a você
que todos os dias dá luz
á novas idéias,
novos carinhos,
novas mulheres.
homenagem ao Dia das Mulés
capazes de construir a humanidade
É da dor do parto que nasce cada criador
cada invenção.
Mulher: antes matriarca
durante amaldiçoada
depois magnata
Toda gratidão a você
que todos os dias dá luz
á novas idéias,
novos carinhos,
novas mulheres.
homenagem ao Dia das Mulés
quarta-feira, março 07, 2007
taboca.:
Bot, Brasil.: espécie de bambu;
doce seco de aspecto semelhante a papel pardo;
casa de pequeno negócio;
fig., logro
decepção
recusa
Gosto amargo no paladar
do liquido produzido no fígado, não?
doce é que não é... fiino e frágil
O homem grita "olha a taboca" e bate seu triângulo pelas ruas do Pelô,
pela mente Ele, que decepciona
frustra as expectativas, amarga o sentimento.
Não, não é doce o gosto da taboca
(...)
O gosto chega mesmo de muito longe pra atingir o paladar
e quando perto traz gosto de vingança
Os Senhores Tabocas gritam "Olha a taboca"
e os compradores olham, miram sem nada fazer
- Senhoras, provar taboca é mais que casual, é necessário
- E então, vamos levar taboca?
doce seco de aspecto semelhante a papel pardo;
casa de pequeno negócio;
fig., logro
decepção
recusa
Gosto amargo no paladar
do liquido produzido no fígado, não?
doce é que não é... fiino e frágil
O homem grita "olha a taboca" e bate seu triângulo pelas ruas do Pelô,
pela mente Ele, que decepciona
frustra as expectativas, amarga o sentimento.
Não, não é doce o gosto da taboca
(...)
O gosto chega mesmo de muito longe pra atingir o paladar
e quando perto traz gosto de vingança
Os Senhores Tabocas gritam "Olha a taboca"
e os compradores olham, miram sem nada fazer
- Senhoras, provar taboca é mais que casual, é necessário
- E então, vamos levar taboca?
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