quinta-feira, junho 30, 2011

curtinha

poesia que eu queria
ter feito
são como tiros certeiros
no peito
eu vendo a mim sobre
meu leito
morte certa que não mais
rejeito

quarta-feira, junho 29, 2011

precipitação

prefiro lágrimas em vão
a sorriso precipitado
não porque goste de sofrer
mas a lágrima é mais fácil
de apagar
o gosto do sorriso é salgado
e chega a amargar
quando se é dado sem permissão
sorriso amarelo, este então
é o que não suporto esboçar
e de choros antecipados
vou vivendo, explodindo cada
instante com a chuva de olhar
é mais tranquilo pra mim
que ainda tenho muito pra chorar

terça-feira, maio 31, 2011

turbilhão

As palavras que colocas na expressão do teu rosto
Fazem-me beber os silêncios que me contas
Gestos, indefinidos, decifram o bater de um coração agitado
Gostar de ti não é tão simples assim
Mas na verdade não se torna complexo, quando sentido
Com o teu jeito, a cada dia me mostras que é possível viver sem ti
Mas não o que me faz feliz, e completa, inteira e intensa, composta por pedaços não inteiramente meus


poesia de Cátia Gomes

sábado, maio 28, 2011

poema para um grande amor

se apaixonar por uma cidade
se emocionar com seus sons
sentir saudade das ladeiras
dos jogos ordinários dela

caoticidade das pessoas
sorriso do sol a presentear
paredes que são seu retrato

enamorar-se a um lugar
falar dele noite e dia
com lágrima na garganta
vibrato de amor

as vidas foram unidas
pelos atabaques do coração
pela brisa fresca do poeta
pelo vulto dos casarões encantados

de tanto estar em você
a cidade também te ama
e te envolve com ciúme
relacionamento cosmopersonal

dança das paredes, do asfalto
é o amor entre um solo e uma
multidão, entre alguém e sua criação

quinta-feira, maio 26, 2011

traquejo

para apreciar o sol pestanejo
e se quero nas ondas andar
me deito e aqueço meu corpo
a elas, linhas do lençol equador

se quiser me amparar, bocejo
elejo um dia da semana e sem
gracejo tomo a atitude correta
as dores engulo com pedaços de queijo

meio enrolada percebo
que nada me falta
mas que a alegria
que tinha antes traquejo
me foge das mãos
tal qual inquieto brinquedo

domingo, maio 15, 2011

murrinha

solidão é se ver no espelho
só lodo, bafo e mancha
sozinho com mil amigos
adicionados no condicionador
três dormem contigo
mas os mesmos três sós

olhar pra você é nojo
sentir esse cheiro, entojo
ferida, ranho e calo
isso é cheio de solidão
espumas limpas no ralo
é assim que se é só

sábado, maio 14, 2011

_____________________________navalha da trsiteza

aprendi a me rasgar por dentro
me ferir sozinha
entranhas minhas
a sorrir calada com lágrima
entalada com a garganta doída
aprendi a me cortar louca
e depois limpar meu sangue
com o sal da minha língua
vendo todos olharem
pensando que sou bem
que tenho e bem vou
a tristeza quem me ensinou
se digo hoje eu sei



terça-feira, maio 10, 2011

drinks

quando bebo te preciso
choro até ficar sã
quando bebo além de rodar
me coração te quer com afã
de quem ama e não tem
sensação de
rimem!

segunda-feira, maio 09, 2011

alguns poucos olhos

as pessoas veem dores
veem bichos, hospitais
amores
as pessoas veem o que querem
eu quero que você me veja
me olhe com olhos tranquilos e meus
mas as pessoas veem medo
veem vela e dedo
eu é que sempre te vejo
de tanto olhar fico tesa
e ao me despedir
impeço o que me deseja

sábado, abril 30, 2011

laia

as melodias
que você me ofereceu
ficaram gravadas
e não há como apagar
os momentos marcaram
os minutos no meu relógio
te trouxeram de bandeja
me deixaram louca
e acabou
deixa aparecer
deixa vir outros dias
me dá tudo o que deseja
que você seja

sábado, abril 16, 2011

novo

bunitas as placas de lá
miragem de lugar
ah, como é bom se perder
e te encontrar
não ter ninguém a ligar
resmungar
implorar

bunitas as meninas de lá
meninos num inconstante piscar
são os donos da rua
das moças todas nuas



terça-feira, abril 05, 2011

criação

às vezes te vejo sorrindo
cantando, vindo
preenchendo meu humor
me confundindo
sempre sinto você
pegando, amando
sentindo
queria que estivesse
fingindo, criticando
mentindo
mas tudo foi real
e me sinto amando
gritando, caindo
nessa invenção de nós dois
por favor pare
estou resistindo


sábado, março 19, 2011

balanço

sensação de gangorra
quem empurra sente?
voar rápido, tente
pegar o céu antes que ele corra

que balanço sensacional
é mais que a gente
mais que dois, plural
uma viagem recorrente

faz cócegas à cabeça
tonturas na boca do estômago
e antes que me esqueça
faz um bem danado

quinta-feira, março 10, 2011

diária

todo dia um
todo dia só
todo dia som

todo dia dor
todo dia odor
todo dia amor

todo dia oro
choro
horror

quarta-feira, março 09, 2011

como vem

poesia nasce sozinha
e não adianta pensar
em temas, vivências, dilemas
aí sim ela não vem

vem sem medo
na loucura, na cama
se fazendo segredo
não chames, ela não vem

tem vontade própria
cresce involuntária
no peito, insólita
poesia não é bebê
vem sem a gente saber



sábado, fevereiro 26, 2011

lá (ou quando eu for)

quando eu for
prepare a cama, lençol, amor
deixe o xale, café, fervor
tudo para quando eu for

limpe a sala,
o jardim, o peito
será nosso dia, nosso altar
nosso leito
prepare tudo, meu amor
tudo para quando eu for

aquele som, o vinho, a flor
feche a porta, a cortina,
e o calor
tudo ao redor sorrirá, me prometa
por favor
prepare tudo e estarei linda
em tudo para quando eu for

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

doído

E nesses dias me ponho a chorar
pra dentro, que não sou mulher
diz sempre meu homem interno
a implorar
sufocar

Às vezes me pinga o suor
tentando dizer que é lágrima
ah, sai pra lá
não tenho nada a dar
resmungar

É momento secular
onde o que era eu sai
e pra fora vai
levanta, criatura
homem não cai
nem muito menos
pretende chorar

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

três

coração de dois
nunca fui única
exclusiva
especial

estava ali
e pensava noutro
parecia que o que tinha
cada vez mais
era pouco

me dê seus amor
os dois, ambos
bons, ocos
quero dois
um amor é pouco

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

acidades

não são as luzes da cidade
mas os faróis que me assustam
os homens não sabem o que é bom

as rimas não vem
falsidades da cabeça
ao cérebro convém

entre um verso e outro penso
e dispenso apresentações
não quero sonetos, nem canções

não são as cidades que me assustam
são as pessoas que caminham
e não me dão referência, inspiram
aff, que maledicência

outro verso e penso
que não sei fazer nada
preciso caminhar de cabeça
me jogar pra pêndulo

desconsidere essa mistura grotesca