sexta-feira, dezembro 19, 2014

O Poeta Morto

se aproxima da gente
sorridente, mas tímido
tava quente
mercado da boa vista
como vai? tais ausente
mirou triste, voz baixinha
silenciou
senta, bebe com a gente!
deu rompante
andou tropeçante
e nunca mais foi visto
a poesia ficou triste
de chorar tornou-se
ofegante

quarta-feira, dezembro 17, 2014

planos

metas, rumos
dias, horas
prazos
passam e não
me dizem oi
o mês é o melhor
mas não tô bem
metas e rumos
se perderam
bem antes
era junho?
memória
o que atingi
orgasmos não foi
tempo, horas
dias, mês
hojé é setembro
parece que parei
balanço que fiz
algo bom?
talvez
seja logo
cedo
antes que de
medo
risque as semanas
outra vez


...

na sala
tudo igual
banheiro, músicas novas
a pia a cozinha lá
só no quarto mudo
a roupa
a calcinha
o sonho
queria uma cama de casal
não ter casal nela
mas poder mudar
se quiser
costumo dormir
no sofá

onde a tv nina
dizendo te amo
ao lar



sábado, novembro 08, 2014

o encontro

a dança dos corpos
o balé nosso
como conter
a fúria do querer
não quero nem
pensar
se te ter for dançar
vou gastar sapatos
peles, quartos
e coreografar
todos os dias
o bailar do amor
penetrado

quinta-feira, setembro 11, 2014

II

o segundo ciclo
novidade
folha em branco
o amor devia chegar
em setembro

árvores novas
comichão no peito
sorrisos de bar
o amor devia chegar
em setembro

sem adiar
passagem confirmada
check in feito
sem atrasar
com charme, bigode
ou cabelos longos
do frio nórdico
ou do calor recifense

devia ser alegre
saltitante e livre
como uma criança
uma de nome em yorubá
com beijo doce
cheiro de laranja
e café da tarde

o amor devia chegar
quando eu fosse
lhe encontrar
em setembro:
é logo ali!

limpeza

apego
grude
fuligem de cidade
as lembranças encrostam
e só banhos de sal grosso
livram de todo mal
amém
sou fácil, bem sei
tenho saudade do que
nem vi
é praga de poeta
desses vagabundos que
caem de amor por
cidades
praças
bares
Saravá, sai pra lá
que os instantes me esqueçam
num quero me apaixonar

quinta-feira, setembro 04, 2014

cinza concreto

um monstro
cinza, seco, duro
um frio
carros, pés muros
bonitos
sem risos
mas cultos
rubros, brutos
São Paulo reproduz
em todos seus
algo mais
um mistério, suspeito
que não se deduz

quarta-feira, setembro 03, 2014

é chegado

a primavera tira
a poeira da camisa
colorida
tira do pulmão
cinza
traz calor ao coração
enterrado e guardado
cheio de mofo e saudade
a primavera traz
novos ares de ansiedade

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

âmago

amargo
de tão amargo, doce
o que devia calar em mim
fala
o que devia ser silêncio
dor
o que precisa ter
perde
todo dia parece o último
todo último, primeiro
e o primeiro
tudo o que eu preciso
meu eterno doce

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

A dor

Hoje ela é bem maior que ontem
Ontem de tão grande saiu pela boca
Anteontem a senti no útero
Saindo pelas pernas
Amanhã será na mão
Que já trêmula, não aguenta
Escrever calmamente
Mais dois meses e a dor
É no meio da cabeça: dor de bala perdida
Se eu morrer amanhã, saibam:
Foi dor eterna no coração!

poesia para o medo

Lembro-me das árvores na praça da independência
Na memória viva, um conto, a assembléia e folhas.
Minas é tão quente e seca
Só meus cabelos ficavam incríveis
A pampulha deserta, o mineirão enorme
E minhas pernas trêmulas denunciavam o medo
Ainda assim, Minas Gerais me pareceu linda
Se eu soubesse que aquilo era medo, não passaria do aeroporto
As árvores me acalmavam e tudo que eu queria era que tudo
Tudo aquilo que me acalmava e dava medo fosse fake


quarta-feira, janeiro 08, 2014

ob ob servando

As garças brincam
na estranheza do lixo
uma beleza tão crua
quanto o lodo do rio
ninguém observa
a dança branca
nas águas negras
só uns homens berram
como animais pré-históricos
homens das cavernas
o rio calmo leva pessoas,
eu e lixo que só
Só eu percebo

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Salvador, o sol e a saudade

cada dia mais mista
incrível, arisca
a cidade me olha
com sabor novo em folha
o mesmo sol, a mesma hora
o mesmo mar
a saudade até melhora
o povo alto e lindo
a vista que é do mar cristalino
energiza meu dia
e me faz voltar
mesmo quando não queria


quarta-feira, julho 31, 2013

[sem nome]

quando tudo dói
quando o peito brota
quando a cama aperta
só resta o verso
o inverso do alívio
outro lado do amor
quando a chuva dói
quando a cabeça cai
quando a saudade vem
só há palavra
concretude sensível
dor indizível
hipertensão
quando a noite convulsa
só a caneta salva

terça-feira, julho 09, 2013

O dia

segunda tudo para
para raio
para brisa
para nóia

tudo parado e eu ando
do final da Av. Norte
à Conde da Boa Vista
para tudo
para todos
para lisa

para um dia comum
em que a chuva não
para
para lax
para fina
invento para frases
tento parar

quarta-feira, abril 24, 2013

observação

falta pouco
pra quinta
e Recife nem respira
os olhos
magnéticos
na rua
atraem
minha saudade

coisa feita
diria minha vó
como são as
histórias nossas
rápidas
passadas
perdidas
como um olhar
da janela do Caxangá

domingo, abril 21, 2013

zona norte

aluga-se
um preto sentado na calçada
aluga um tempo
é Santo Amaro
na sombra quente
ele desafia a gravidade
da pressa
e é metafisicamente possível
ver os que passam
como instantes eternos
aluguei aquela sombra

terça-feira, abril 02, 2013

continum

é num lapso desse que eu vou
vou de viagem
e compro passagem
pra onde passando
tenho tudo e tudo sou


negrume

no negrume da noit
só a gente anda
escuro como o chão
o betume
o céu
pretos reluzem
a meia noite
iluminam ruas
só eles caminham
uns correm
eu fico
pra ver que risco corre
toda aquela beleza


da falta

do que eu sinto falta
é do que eu menos sinto
ar, carinho, abrigo
Recife me deu asas
faltas, ninhos
saudade é apelido curtinho
pra dor latente
que nem o rio brilhante
sinto tanto
tudo muito
mal cabe num versinho