as linhas de luz repartidas
as lágrimas, jus da saída
o cheiro do abraço
o dengo do amasso
a chave do peito que acerta
e a revolta.
Ah, que volta o mundo!
o amor para e torna
a cor que une é nossa
a dor sentida no amor
de partida, endossa
terça-feira, janeiro 29, 2013
quinta-feira, novembro 22, 2012
Desculpe Morgan, mas não me calarei
Abro essa exceção no meu blog de poesia, porque me sinto feliz e agradecida em apoiar essa causa.
Foi com o LuluzinhaCamp que eu aprendi a militância e é nessas mulheres que eu me espelho todo dia!
Por isso me juntei à Blogagem Coletiva Mulheres Negras e emprestei minhas palavras pra dar voz as que são das minhas.
#BCMulheresNegras
__________________________________________________________________________
O que me inquietou hoje e provocou um monólogo disfarçado de discussão foi o vídeo do Freeman (editado e que trouxe à opinião pública o que lhe mais é conveniente) que basicamente fala que as pessoas precisam parar de falar de racismo pra resolver o problema.
Ok, digamos que eu aceite esse argumento e me cale - mulher negra que sou, acusada de histérica se falo - mas aí fica a pergunta: se você tem um problema, seja ele de qualquer natureza, e esquecer ele se resolve?
Não, senhoras e senhores!
Não foi sentada em casa, ou na pia lavando roupas que as mulheres fizeram revolução. Se eu não me engano, algumas precisaram queimar sutiãs pra fazer valer alguma coisa. Desconheço QUALQUER civilização que fez revolução calado, dormindo, esquecendo seu problema.
Aliás, quando você "esquece" um problema, ele continua lá, camuflado, escondido, disfarçado, mas está lá. E era esse o argumento que faltava para o racismo velado brasileiro: vamos parar de falar que passa!
"Não, mas não precisa parar de falar não, eu só acho que tem que mudar esse discurso"
Que discurso? O discurso de QUEM?
Você já ouviu alguma mulher negra se levantar no ônibus (no melhor estilo Instituto Mannasés) e dizer "Hoje quero relatar a situação de racismo que vivi"? Ou por acaso você já abordou alguma colega de trabalho (de qualquer cargo) e perguntou a opinião dela sobre relações raciais? Sendo menos utópicos: você já teve aulas de história afrobrasileira lecionadas por uma professora negra na sua escola?
O discurso do racismo não é o discurso do negro, assim como o discurso machista não é o discurso da mulher.
Todo discurso que se construiu até então não partiu do feminismo nem do movimento negro: padrão estético, econômico, sexista não fui eu mulher negra quem ditou, esse discurso não é meu e eu não posso ouvi-lo calada.
E pra aqueles que acham que a gente "se defende demais", os donos dos monólogos e das intermináveis listas de frases prontas, racistas, machistas e esteriotipadas, eu sinto muito, mas enquanto vocês atacarem a gente vai se defender. Enquanto eu puder construir meu discurso, eu não vou me calar.
Me perdoem os editores, a opinião pública, meu chefe e Morgan Freeman, mas enquanto 75% da população pobre brasileira for preta, enquanto 90% das empregadas domésticas morarem no subúrbio, enquanto minhas amigas negras ganharem menos que as colegas brancas (e menos ainda que os homens) e enquanto à noite, taxistas não pararem pra mim, eu vou continuar falando de racismo.
Uma homenagem singela ao meu querido chefe.
segunda-feira, novembro 19, 2012
torpor
as calças erram suas
passos largos que me
guiam ao infinito, Bahia
o meu desejo seu inferno
te condeno às duas
teu inferno somos nós
até te dizer te amo morrerei
até te beijar pra sempre somos duas
até ser sua somos mais.
passos largos que me
guiam ao infinito, Bahia
o meu desejo seu inferno
te condeno às duas
teu inferno somos nós
até te dizer te amo morrerei
até te beijar pra sempre somos duas
até ser sua somos mais.
segunda-feira, outubro 15, 2012
quem sou eu
apertou hoje
vi as ruas quentes
vi o mar fresco
vi os pretos
doeu bem
o céu só seu
a areia que é fina
é também minha
chorei sem
aquele sol
nossas pessoas
minha casa
sorrisos
lendas, luas, coisas
sons, esquinas, todas
minha terra boa
vi as ruas quentes
vi o mar fresco
vi os pretos
doeu bem
o céu só seu
a areia que é fina
é também minha
chorei sem
aquele sol
nossas pessoas
minha casa
sorrisos
lendas, luas, coisas
sons, esquinas, todas
minha terra boa
segunda-feira, outubro 08, 2012
terça-feira, outubro 02, 2012
carrancuda
aros de óculos vermelho
lábio lindo e lânguido
que fino traço!
cabelos preto betume
unhas brilham vaga-lume
só que a perfeição tem erro
eis dela o nome perfeito:
carrancuda
sem sorriso, sem esboço
sem festejo, sem adorno
ela nem me olha, pois
caso fosse, lhe olharia
e de volta sorrisos com
bocas, alegrias
lhe faria uma cura
nunca mais ela subiria
no ônibus triste
nem apagada ou carrancuda
irradiada e formosa seria
mulher da boca brilhosa
batom claro cor do dia
lábio lindo e lânguido
que fino traço!
cabelos preto betume
unhas brilham vaga-lume
só que a perfeição tem erro
eis dela o nome perfeito:
carrancuda
sem sorriso, sem esboço
sem festejo, sem adorno
ela nem me olha, pois
caso fosse, lhe olharia
e de volta sorrisos com
bocas, alegrias
lhe faria uma cura
nunca mais ela subiria
no ônibus triste
nem apagada ou carrancuda
irradiada e formosa seria
mulher da boca brilhosa
batom claro cor do dia
domingo, setembro 16, 2012
tem, mas acabou
por você
tenho muito
bem querer
tenho cafés
tenho amor
tem, mas acabou
pra você
umas cartas
umas chuvas
duas chagas
bem quis
toques, letras
por um tris
desfoquei
quis dizer
mas terminou
a porção
do amor
do apreço
dissolveu
tenho muito
bem querer
tenho cafés
tenho amor
tem, mas acabou
pra você
umas cartas
umas chuvas
duas chagas
bem quis
toques, letras
por um tris
desfoquei
quis dizer
mas terminou
a porção
do amor
do apreço
dissolveu
quinta-feira, setembro 13, 2012
Do Antigo à Zona Norte
quanto custam três poesias num engarrafamento bizonho?
cinquenta centavos, suponho
horas desperdiçadas ou ganhas, não importa
é música de gente morta,
buzina
incômodo e cinco metros de rima
nem a moto anda
sinal vermelho, poucas esquinas
fome
aff maria!
mais de uma hora pra sair da Rua da Guia
desisto
quero mergulhar nesse sms
texto numérico de longa, calma e cara poesia.
cinquenta centavos, suponho
horas desperdiçadas ou ganhas, não importa
é música de gente morta,
buzina
incômodo e cinco metros de rima
nem a moto anda
sinal vermelho, poucas esquinas
fome
aff maria!
mais de uma hora pra sair da Rua da Guia
desisto
quero mergulhar nesse sms
texto numérico de longa, calma e cara poesia.
quarta-feira, setembro 12, 2012
solstício
pés de pitanga e chão
pés de amêndoa e chão
pés de flor bunita e chão
é nem verão ainda
mas tá quente que só o cão
piso com cuidado
no tapete que me liberaram
canto dentro de mim
canção colorida
sinfonia de estação, de jardim.
pés de amêndoa e chão
pés de flor bunita e chão
é nem verão ainda
mas tá quente que só o cão
piso com cuidado
no tapete que me liberaram
canto dentro de mim
canção colorida
sinfonia de estação, de jardim.
terça-feira, setembro 11, 2012
retina
É segunda pela sétima
sétima não, setenta vezes sete vez
meu olho sonambulo viaja
num Morro da Conceição
com preguiça
procura alcançar o infinito
e segunda ninguém descansa
depois do sete de setembro
transeuntes são crianças
e correm nos meus olhos
vagos
desertos
cegos de segunda
sétima não, setenta vezes sete vez
meu olho sonambulo viaja
num Morro da Conceição
com preguiça
procura alcançar o infinito
e segunda ninguém descansa
depois do sete de setembro
transeuntes são crianças
e correm nos meus olhos
vagos
desertos
cegos de segunda
um chêro, xau
Meu coração tem medo
de dar a mão a palmatória.
Vais fazer falta, eufemismo
de já tô com saudade.
de dar a mão a palmatória.
Vais fazer falta, eufemismo
de já tô com saudade.
sábado, setembro 08, 2012
terça-feira, setembro 04, 2012
invade o escuro
na minha alma
erro sempre você
me engano te buscando
arrodiando os dias
chorando em parcelas
solos de pratos quebrados
no palco coração
a dor mira e acerta
já não se sabe ser
engano, se já não é
amanhã de manhã
toda torcida é
te ver e me sabotar
encontrar a resposta
na janela do navegador
sem te errar, meu alvo
na minha alma
erro sempre você
me engano te buscando
arrodiando os dias
chorando em parcelas
solos de pratos quebrados
no palco coração
a dor mira e acerta
já não se sabe ser
engano, se já não é
amanhã de manhã
toda torcida é
te ver e me sabotar
encontrar a resposta
na janela do navegador
sem te errar, meu alvo
quinta-feira, agosto 30, 2012
da psicose
medo da resposta e do acaso
medo move meio mundo
a mim paralisa
implica em porre
porradas no estômago
medo congela pés
petrifica o osso
esfria o suor
fecha o quarto
o email e peito
quem sabe
não haja antídoto
causa do medo:
efeito
medo move meio mundo
a mim paralisa
implica em porre
porradas no estômago
medo congela pés
petrifica o osso
esfria o suor
fecha o quarto
o email e peito
quem sabe
não haja antídoto
causa do medo:
efeito
receita e tal
como um bolo mágico
alquimia de cozinha e pia
minha angústia vira poesia
é uma palpitação no peito
que, eu não sei vocês, mas
em mim não há nada que
dê jeito
pílulas, cafés, caminhadas ou affairs:
tudo se sufoca, pedindo letras
rimas ricas ou pobres
meu coração choroso só sossega
quando vê seu sofrimento em
tradução, melando as linhas
machucando minha expressão
é que é danado de bom
ir esvaziando a vasilha
enchendo a forma do bolo
doce que é a vida
alquimia de cozinha e pia
minha angústia vira poesia
é uma palpitação no peito
que, eu não sei vocês, mas
em mim não há nada que
dê jeito
pílulas, cafés, caminhadas ou affairs:
tudo se sufoca, pedindo letras
rimas ricas ou pobres
meu coração choroso só sossega
quando vê seu sofrimento em
tradução, melando as linhas
machucando minha expressão
é que é danado de bom
ir esvaziando a vasilha
enchendo a forma do bolo
doce que é a vida
domingo, agosto 12, 2012
Agonia de amor
eu não devia
mas achei você
tudo pela agonia
que de dia ou de noite
assombra e aperta meu
peito e mente
eta aperto enjoado
pra acabar logo com
tudo, queria hoje
você ao meu lado
mudando minha faixa
trocando meus discos
nosso ritmo encaixa
deixando nossa música
na agonia de todo dia
rolar.
mas achei você
tudo pela agonia
que de dia ou de noite
assombra e aperta meu
peito e mente
eta aperto enjoado
pra acabar logo com
tudo, queria hoje
você ao meu lado
mudando minha faixa
trocando meus discos
nosso ritmo encaixa
deixando nossa música
na agonia de todo dia
rolar.
Poesia para o amor intenso
mirei e fui
nem confiei
dancei, dancei
dançamos
a noite foi salva
a cidade quem viu
o caminho era um filme
chegamos
como não vi a noite passar?
o quanto senti o coração acelerar?
desde quando ter não é ficar?
fomos nossos
eram tantos
incontáveis
guardei, mais que isso
prendi
prendi o amor no instante
agora danou-se
foi culpa da dança
a falta foi nossa
se eu não te encontrasse
não saberia dizer nunca
que de amor se sente
quando a mão procurando
segura
essa noite.
nem confiei
dancei, dancei
dançamos
a noite foi salva
a cidade quem viu
o caminho era um filme
chegamos
como não vi a noite passar?
o quanto senti o coração acelerar?
desde quando ter não é ficar?
fomos nossos
eram tantos
incontáveis
guardei, mais que isso
prendi
prendi o amor no instante
agora danou-se
foi culpa da dança
a falta foi nossa
se eu não te encontrasse
não saberia dizer nunca
que de amor se sente
quando a mão procurando
segura
essa noite.
sábado, julho 21, 2012
frieza
o balé do vento
brisa de moção
solidão
o sentido respira
dança, baila, suspira
ar do leste
cheiro de sertão
de gente boa
mato que balança
perfume da minha
janela
vento que me alcança
cama que flutua
se enche de gás
e some sem amor
brisa de moção
solidão
o sentido respira
dança, baila, suspira
ar do leste
cheiro de sertão
de gente boa
mato que balança
perfume da minha
janela
vento que me alcança
cama que flutua
se enche de gás
e some sem amor
terça-feira, julho 10, 2012
justa causa
não me lembro como é
fazer poesia, escrever
viver, me por em pé
deletaram de mim a rima
a linha reta e fina
do caderno, do papel
do moleco
falta de costume
perda de mania
abandono de serviço
demissão do ofício
me devolva meu direito
mente minha
me traga a palavra
imigrante
me faça empregada
palavra retirante
fazer poesia, escrever
viver, me por em pé
deletaram de mim a rima
a linha reta e fina
do caderno, do papel
do moleco
falta de costume
perda de mania
abandono de serviço
demissão do ofício
me devolva meu direito
mente minha
me traga a palavra
imigrante
me faça empregada
palavra retirante
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