sábado, março 19, 2011

balanço

sensação de gangorra
quem empurra sente?
voar rápido, tente
pegar o céu antes que ele corra

que balanço sensacional
é mais que a gente
mais que dois, plural
uma viagem recorrente

faz cócegas à cabeça
tonturas na boca do estômago
e antes que me esqueça
faz um bem danado

quinta-feira, março 10, 2011

diária

todo dia um
todo dia só
todo dia som

todo dia dor
todo dia odor
todo dia amor

todo dia oro
choro
horror

quarta-feira, março 09, 2011

como vem

poesia nasce sozinha
e não adianta pensar
em temas, vivências, dilemas
aí sim ela não vem

vem sem medo
na loucura, na cama
se fazendo segredo
não chames, ela não vem

tem vontade própria
cresce involuntária
no peito, insólita
poesia não é bebê
vem sem a gente saber



sábado, fevereiro 26, 2011

lá (ou quando eu for)

quando eu for
prepare a cama, lençol, amor
deixe o xale, café, fervor
tudo para quando eu for

limpe a sala,
o jardim, o peito
será nosso dia, nosso altar
nosso leito
prepare tudo, meu amor
tudo para quando eu for

aquele som, o vinho, a flor
feche a porta, a cortina,
e o calor
tudo ao redor sorrirá, me prometa
por favor
prepare tudo e estarei linda
em tudo para quando eu for

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

doído

E nesses dias me ponho a chorar
pra dentro, que não sou mulher
diz sempre meu homem interno
a implorar
sufocar

Às vezes me pinga o suor
tentando dizer que é lágrima
ah, sai pra lá
não tenho nada a dar
resmungar

É momento secular
onde o que era eu sai
e pra fora vai
levanta, criatura
homem não cai
nem muito menos
pretende chorar

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

três

coração de dois
nunca fui única
exclusiva
especial

estava ali
e pensava noutro
parecia que o que tinha
cada vez mais
era pouco

me dê seus amor
os dois, ambos
bons, ocos
quero dois
um amor é pouco

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

acidades

não são as luzes da cidade
mas os faróis que me assustam
os homens não sabem o que é bom

as rimas não vem
falsidades da cabeça
ao cérebro convém

entre um verso e outro penso
e dispenso apresentações
não quero sonetos, nem canções

não são as cidades que me assustam
são as pessoas que caminham
e não me dão referência, inspiram
aff, que maledicência

outro verso e penso
que não sei fazer nada
preciso caminhar de cabeça
me jogar pra pêndulo

desconsidere essa mistura grotesca

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

pedido

toda volta angustia
então volta
vem meio dia

traz bolos, cores, amores
volta a me dar calafrios
risos frouxos, merendas
assobios

nossa volta é querida
ah quem me dera
aquele frio na barriga
e ser toda sua

outra vez

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

quentura

expelem fogo
essas paredes do meu lar
a brisa do mar
não me encontra
está contra mim

solução para os dias
seria banho, reza, água fria
no meio tempo derreto
enquanto meus dedos fazem poesia

terça-feira, fevereiro 08, 2011

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

nuvem (ou lá do alto)

bom é ser nuvem
nesse vai e vem
passar sempre bem

bom é ser ninguém
e passar desapercebido
andar sossegado e atrevido

bom mesmo é ser sabido
sem regalo ou sem vestido
ter a vida como um gás
branco, puro, querido


quinta-feira, janeiro 27, 2011

de noite

porres
dores
goles
o que fará te esquecer

choro
coro
outro namoro

vá embora
porque cada hora
é muito dia a devagar


digitando

conversas sensuais
vazia de assuntos banais
como eu queria que voltássemos atrás
e tudo fosse inocente, nosso, crescente
falas apagadas com teclas
janelas fechadas
amor de fachada

conversas não são mais
que palavras jogadas
sentimentos como porradas
esquecidas por quem dada
lembradas por alguém sofrida

terça-feira, janeiro 25, 2011

quarto andar

tardes ventosas me dão
sono
som
tardes de céu cinza
de nuvens brancas
apartamentos comigo

tardes calorosas me dão
fome
nome
noites de tv's ligadas
brancos de computador

tardes solitárias me dão
você

segunda-feira, janeiro 24, 2011

quarta-feira, janeiro 12, 2011

tédio

você entediou meu coração
e quando eu vi o mar da Bahia
tranquilizei aqueles pensamentos
era você me entediando outra vez

melancolia era seu nome
esconderam de mim
não me disseram antes
se eu soubesse eu não veria
aquele mar de amores

você arrebatou meu coração
levou pr'aqueles lados
e nunca mais o trouxe pra mim
não me importa, fique
ele é mais seu do que dessa dor torta

(podia também se chamar "mar da Bahia")

segunda-feira, janeiro 10, 2011

.

pálpebras: palmas
estás resistindo a mim
e não cerres enquanto
terminem meus olhares

domingo, janeiro 09, 2011

era (ou ainda será)

essas horas eram nossas
frações fixadas no visor
de qualquer um de nossos
celulares, medulares
nessa hora exata
a lua era nossa e nossa cama
era um pouco minha e muito sua
preenchidas pelos amores vazios
e conversas de cobertor
essa era nossa hora
de eternizar o segundo
e entender baixinho nosso mundo