a dor ainda persiste.
quinta-feira, março 31, 2011
sábado, março 19, 2011
balanço
sensação de gangorra
quem empurra sente?
voar rápido, tente
pegar o céu antes que ele corra
que balanço sensacional
é mais que a gente
mais que dois, plural
uma viagem recorrente
faz cócegas à cabeça
tonturas na boca do estômago
e antes que me esqueça
faz um bem danado
quinta-feira, março 10, 2011
diária
todo dia um
todo dia só
todo dia som
todo dia dor
todo dia odor
todo dia amor
todo dia oro
choro
horror
quarta-feira, março 09, 2011
como vem
poesia nasce sozinha
e não adianta pensar
em temas, vivências, dilemas
aí sim ela não vem
vem sem medo
na loucura, na cama
se fazendo segredo
não chames, ela não vem
tem vontade própria
cresce involuntária
no peito, insólita
poesia não é bebê
vem sem a gente saber
sábado, fevereiro 26, 2011
lá (ou quando eu for)
quando eu for
prepare a cama, lençol, amor
deixe o xale, café, fervor
tudo para quando eu for
limpe a sala,
o jardim, o peito
será nosso dia, nosso altar
nosso leito
prepare tudo, meu amor
tudo para quando eu for
aquele som, o vinho, a flor
feche a porta, a cortina,
e o calor
tudo ao redor sorrirá, me prometa
por favor
prepare tudo e estarei linda
em tudo para quando eu for
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
doído
E nesses dias me ponho a chorar
pra dentro, que não sou mulher
diz sempre meu homem interno
a implorar
sufocar
Às vezes me pinga o suor
tentando dizer que é lágrima
ah, sai pra lá
não tenho nada a dar
resmungar
É momento secular
onde o que era eu sai
e pra fora vai
levanta, criatura
homem não cai
nem muito menos
pretende chorar
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
três
coração de dois
nunca fui única
exclusiva
especial
estava ali
e pensava noutro
parecia que o que tinha
cada vez mais
era pouco
me dê seus amor
os dois, ambos
bons, ocos
quero dois
um amor é pouco
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
acidades
não são as luzes da cidade
mas os faróis que me assustam
os homens não sabem o que é bom
as rimas não vem
falsidades da cabeça
ao cérebro convém
entre um verso e outro penso
e dispenso apresentações
não quero sonetos, nem canções
não são as cidades que me assustam
são as pessoas que caminham
e não me dão referência, inspiram
aff, que maledicência
outro verso e penso
que não sei fazer nada
preciso caminhar de cabeça
me jogar pra pêndulo
desconsidere essa mistura grotesca
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
pedido
toda volta angustia
então volta
vem meio dia
traz bolos, cores, amores
volta a me dar calafrios
risos frouxos, merendas
assobios
nossa volta é querida
ah quem me dera
aquele frio na barriga
e ser toda sua
outra vez
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
quentura
expelem fogo
essas paredes do meu lar
a brisa do mar
não me encontra
está contra mim
solução para os dias
seria banho, reza, água fria
no meio tempo derreto
enquanto meus dedos fazem poesia
terça-feira, fevereiro 08, 2011
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
nuvem (ou lá do alto)
bom é ser nuvem
nesse vai e vem
passar sempre bem
bom é ser ninguém
e passar desapercebido
andar sossegado e atrevido
bom mesmo é ser sabido
sem regalo ou sem vestido
ter a vida como um gás
branco, puro, querido
domingo, fevereiro 06, 2011
quinta-feira, janeiro 27, 2011
de noite
porres
dores
goles
o que fará te esquecer
choro
coro
outro namoro
vá embora
porque cada hora
é muito dia a devagar
digitando
conversas sensuais
vazia de assuntos banais
como eu queria que voltássemos atrás
e tudo fosse inocente, nosso, crescente
falas apagadas com teclas
janelas fechadas
amor de fachada
conversas não são mais
que palavras jogadas
sentimentos como porradas
esquecidas por quem dada
lembradas por alguém sofrida
terça-feira, janeiro 25, 2011
quarto andar
tardes ventosas me dão
sono
som
tardes de céu cinza
de nuvens brancas
apartamentos comigo
tardes calorosas me dão
fome
nome
noites de tv's ligadas
brancos de computador
tardes solitárias me dão
você
segunda-feira, janeiro 24, 2011
quarta-feira, janeiro 12, 2011
tédio
você entediou meu coração
e quando eu vi o mar da Bahia
tranquilizei aqueles pensamentos
era você me entediando outra vez
melancolia era seu nome
esconderam de mim
não me disseram antes
se eu soubesse eu não veria
aquele mar de amores
você arrebatou meu coração
levou pr'aqueles lados
e nunca mais o trouxe pra mim
não me importa, fique
ele é mais seu do que dessa dor torta
(podia também se chamar "mar da Bahia")
segunda-feira, janeiro 10, 2011
domingo, janeiro 09, 2011
era (ou ainda será)
essas horas eram nossas
frações fixadas no visor
de qualquer um de nossos
celulares, medulares
nessa hora exata
a lua era nossa e nossa cama
era um pouco minha e muito sua
preenchidas pelos amores vazios
e conversas de cobertor
essa era nossa hora
de eternizar o segundo
e entender baixinho nosso mundo
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