Acho super baixo astral esse despedida
momentânea que uma amiga minha faz ao motorista:
- Valeu motô!
Pensou eu, -
que brega - mas é o jeito
que ela encontra de agradecer a esses caras que
devem ser discípulos de Dalai Lama [paciêcia da
porra].
E foi num dia desses que saindo do trabalho que
encontrei um cobrador brother, que reagiu bem
quando na confusão do buzu cheio mandei ele calar
a boca:
- Calma jovem. Todo mundo tá stressado e eu quando
chego em casa ainda ouço a pretinha falar, falar.
Aquilo me comoveu.
Trabalhar o dia todo, ouvir uma amarela filha da
puta mandar calar a boca e depois chegar em casa
querendo um chamego e encontrar uma mulher retada
deve ser dose!
A medida que os pontos iam passando, ia descendo
uma galera e eu toda espremida no fundo do ônibus,
fiquei ouvindo o cobrador conversar ainda bem humorado.
- Vamo passando, galera! Os mais velhos primeiro.
Foi aí que chegando em São Cristovão, o fiscal da
empresa parou o ônibus e começou uma conversa em
código:
- Fala Sem bunda.
- E aí, como é?
- 30.
-Valeu, fui Irará!
Sempre quis saber que banana era aquilo e já me
sentindo íntima do cobrador, fui lá:
-Cobra, me confesse um segredo, o que é aquele
negócio que o cara grita "30" e você anota aí
e depois vai embora de boa?
- Hummmm, não sei se conto. Segredo de empresa.
- Oh, na moral...
- São os minutos de um carro pro outro. Significa
que meu carro está a 30 minutos de distância do
outro que passou aí.
Fiquei meia hora abestalhada.
Como eu não tinha pensado nisso? Me senti melhor
também, mesmo no aperto.
Quando chegou meu ponto, caminhei feliz, batendo
o cutovelo em todas as cabeças e tombando a galera
sem pedir desculpas, aí gritei toda serelepe:
-Valeu motô!