E lá estava novamente
pensando no frio que vem das correntes de ar polar
e que resfriam seu coração tropical.
Odeia o frio, mas insiste em amar os esquimós.
Adormeceu pensando no homem de neve que
tem atordoado seus sonhos. E sonhou com ele.
Neve e nuvem envoltos no seu olhar,
espaço vazio ao lado - era a falta - que preenchia o coração
e os sentidos provavam do sonho real, faziam o frio aquecer:
vem dizer que o frio é bom pra nós dois.
Depois de horas a fio (frio) sonhando, o homem de neve
a traz de volta ao calor equatorial e se despede com um
suave alarme de celular nos ouvidos.
Ela desperta.
E sorri sobre sua cama preenchida de vazio, ao olhar
o tímido sol que desponta no céu tropical.
Ainda com frio, mas gostando um pouco mais dos esquimós.
quarta-feira, junho 27, 2007
quinta-feira, junho 21, 2007
Cordel apresenta: Espetáculo em Brasília
Picadeiro armado, abrem-se as cortinas,
não há quem não queira suborno ou propina.
A platéia assustada não acredita no que vê:
políticos "palhaços" todo dia na TV.
Deputados malabaristas, manipulam as verbas,
fazendo aparecer o dinheiro na cueca.
O povo, boquiaberto, assiste com atenção o espetáculo
chamado "Mensalão".
Mas quem pensa que engana, finge não acreditar
que a platéia tem poder e tudo pode mudar,
pra ver outro espetáculo quatro anos bastarão
e só com a oportunidade da próxima eleição.
texto de Lucas Santiago (Bidhu).
não há quem não queira suborno ou propina.
A platéia assustada não acredita no que vê:
políticos "palhaços" todo dia na TV.
Deputados malabaristas, manipulam as verbas,
fazendo aparecer o dinheiro na cueca.
O povo, boquiaberto, assiste com atenção o espetáculo
chamado "Mensalão".
Mas quem pensa que engana, finge não acreditar
que a platéia tem poder e tudo pode mudar,
pra ver outro espetáculo quatro anos bastarão
e só com a oportunidade da próxima eleição.
texto de Lucas Santiago (Bidhu).
domingo, junho 17, 2007
em transi
E estava lá.
Ao redor muitas pessoas mas não as percebia
o que sentia era o toque suave de suas mãos,
e a maciez do seu cabelo (ah, deixemos o texto para relembrarmos o momento).
Sua voz doce penetrava nos ouvidos e flutuavámos ao mais alto
como pássaros em um vôo livre.
O ápice da sensação era o beijo, que fervia o sangue pulsante
e que fazia em nada pensar. O desejo de dois, um corpo.
Dois barulhentos corpos eram um.
E todos viam, e eles só sentiam como era bom o toque, o beijo.
E do alto nas nuvens o vento seca o suor
e o sol tão perto passa a iluminar as faces
ruborizadas e alegres, fortes e penetrantes
eram os olhares e os sorrisos soltos.
Eles eram um, só um em transi (a).
Ao redor muitas pessoas mas não as percebia
o que sentia era o toque suave de suas mãos,
e a maciez do seu cabelo (ah, deixemos o texto para relembrarmos o momento).
Sua voz doce penetrava nos ouvidos e flutuavámos ao mais alto
como pássaros em um vôo livre.
O ápice da sensação era o beijo, que fervia o sangue pulsante
e que fazia em nada pensar. O desejo de dois, um corpo.
Dois barulhentos corpos eram um.
E todos viam, e eles só sentiam como era bom o toque, o beijo.
E do alto nas nuvens o vento seca o suor
e o sol tão perto passa a iluminar as faces
ruborizadas e alegres, fortes e penetrantes
eram os olhares e os sorrisos soltos.
Eles eram um, só um em transi (a).
sexta-feira, junho 15, 2007
sobre a realidade
É preciso estar-se, sempre, bêbado.
Tudo está lá, eis a única questão.
Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros
e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa.
Mas embebedai-vos.[...]
É hora de embebedar-vos!
Para não serdes escravos martirizados do tempo, embebedai-vos, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar!
De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.*
E eu sempre soube aprender com os sábios,
com os escritores, anciãos.
Estar lá é perfeitamente real.
*texto de Charles Baudelaire
Tudo está lá, eis a única questão.
Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros
e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa.
Mas embebedai-vos.[...]
É hora de embebedar-vos!
Para não serdes escravos martirizados do tempo, embebedai-vos, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar!
De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.*
E eu sempre soube aprender com os sábios,
com os escritores, anciãos.
Estar lá é perfeitamente real.
*texto de Charles Baudelaire
terça-feira, junho 12, 2007
elas
Qual delas será tão tonta que se acomode
aos desares de partir com seus pesares de amor,
assistência, e tratos, se as damas não são sapatos
que se hajam de ter aos pares?
Dá-me, amor, a escolher de duas uma demônia.
Eu não deixo uma por outra, nem escolho outra por uma;
não há dúvida nenhuma, ambas são moças de porte
e se não mo estorva a morte ambas me hão de vir à mão.
Isto, que remédio tem, sejam entre si tão manas,
que repartindo as semanas vá uma, quando a outra vem;
que eu repartirei também jimbo, carinho e favor,
porque advirta algum doutor que, sendo à lógica o oposto,
na aritimética do gosto pode repartir-se o amor*
Entre duas, às vezes.
Dividir-se assim dá a impressão que se soma,
soma que resulta em zero.
Sozinho, sempre.
trecho de um poema de Gregório de Mattos
livro Boca do Inferno, Ana Miranda.
aos desares de partir com seus pesares de amor,
assistência, e tratos, se as damas não são sapatos
que se hajam de ter aos pares?
Dá-me, amor, a escolher de duas uma demônia.
Eu não deixo uma por outra, nem escolho outra por uma;
não há dúvida nenhuma, ambas são moças de porte
e se não mo estorva a morte ambas me hão de vir à mão.
Isto, que remédio tem, sejam entre si tão manas,
que repartindo as semanas vá uma, quando a outra vem;
que eu repartirei também jimbo, carinho e favor,
porque advirta algum doutor que, sendo à lógica o oposto,
na aritimética do gosto pode repartir-se o amor*
Entre duas, às vezes.
Dividir-se assim dá a impressão que se soma,
soma que resulta em zero.
Sozinho, sempre.
trecho de um poema de Gregório de Mattos
livro Boca do Inferno, Ana Miranda.
sexta-feira, junho 08, 2007
Litlle darling
"Stirt up...
It's been a long long time
Since I've got you on my mind
And now you are here, i said it's so clear
To see what we can do hunny, just me and you
come on and Stirt up litlle darling
I'll push the wood
I'll blaze your fire and I'll satisfy your heart desire
I'll stirt you every minute, all you've got to do, baby
It's keep in it and Stirt up
will you quench me while I'm thirsty?
Come and cool me down when I'm hot?
Your recipe, darling, is so tasty
And you sure can stir your pot
So Stirt up"
for you, my sweet love.
It's been a long long time
Since I've got you on my mind
And now you are here, i said it's so clear
To see what we can do hunny, just me and you
come on and Stirt up litlle darling
I'll push the wood
I'll blaze your fire and I'll satisfy your heart desire
I'll stirt you every minute, all you've got to do, baby
It's keep in it and Stirt up
will you quench me while I'm thirsty?
Come and cool me down when I'm hot?
Your recipe, darling, is so tasty
And you sure can stir your pot
So Stirt up"
for you, my sweet love.
quarta-feira, junho 06, 2007
ele
O telefone tocou:
- Alô! Não... é uma amiga dela
Sim, pode falar... hum. Sei, entendi... tá claro
Mais algum recado? De nada.
A amiga:
-Ligaram pra ti. Era um homem com uma voz...
Que voz ardente sensual!
Disse que te amava, que não conseguia mais
viver longe de você e que não aguentava mais esperar.
Ela:
- Hum... Só?
- Alô! Não... é uma amiga dela
Sim, pode falar... hum. Sei, entendi... tá claro
Mais algum recado? De nada.
A amiga:
-Ligaram pra ti. Era um homem com uma voz...
Que voz ardente sensual!
Disse que te amava, que não conseguia mais
viver longe de você e que não aguentava mais esperar.
Ela:
- Hum... Só?
segunda-feira, junho 04, 2007
Pelé (ou aqui jaz)
Tinha um gato no meio do caminho
No meio do caminho tinha um gato
No meio do gato abriram um caminho
Tinha no gato um caminho de rato
Tinha também um caminhão no meio
No meio do caminho fechando a estrada
Fincada no meio uma cruz que ja(z) dizia:
"Pelé a quem no meio partiram"
Bem no meio do caminho ele tinha ficado
No meio do caminho tinha um gato
homenagem póstuma a pelé, um pobre gato.
No meio do caminho tinha um gato
No meio do gato abriram um caminho
Tinha no gato um caminho de rato
Tinha também um caminhão no meio
No meio do caminho fechando a estrada
Fincada no meio uma cruz que ja(z) dizia:
"Pelé a quem no meio partiram"
Bem no meio do caminho ele tinha ficado
No meio do caminho tinha um gato
homenagem póstuma a pelé, um pobre gato.
sábado, junho 02, 2007
02 de junho de 2007
Hoje, 2.0
e a idade pesa sobre os ombros já doloridos
de uma noite mal dormida...
acho que a essa altura dá pra saber quem são os amigos
quantos são os amores, quais são os desejos e porquê tantos sonhos.
A cabeça ferve, e aos poucos vai queimando os fios de cabelos
que a partir de agora tendem a embranquecer...
... e mais do que meros segredos, os pensamentos vão tomando forma
criando asas e voando com os ventos do sul.
A vida passa a ser é um copo cheio no qual bebo satisfeito e que, antes de esvaziar
já encheram novamente, e de novo e mais uma vez até secar a garrafa.
Obrigado por você existir, por estar ao meu lado
(...) Marley cantava o amor, o mar encantou a flor*
Hoje 2.0
agradecer por estar nessa grande festa é o mínimo que se pode fazer
o que falta é festejar todo dia bom ou mal, com ou sem copo cheio
e correr pra buscar o sonho que voa, e voa alto em direção ao lado
oposto: o sul.
*trecho da música Obrigado de Cidade Negra
e a idade pesa sobre os ombros já doloridos
de uma noite mal dormida...
acho que a essa altura dá pra saber quem são os amigos
quantos são os amores, quais são os desejos e porquê tantos sonhos.
A cabeça ferve, e aos poucos vai queimando os fios de cabelos
que a partir de agora tendem a embranquecer...
... e mais do que meros segredos, os pensamentos vão tomando forma
criando asas e voando com os ventos do sul.
A vida passa a ser é um copo cheio no qual bebo satisfeito e que, antes de esvaziar
já encheram novamente, e de novo e mais uma vez até secar a garrafa.
Obrigado por você existir, por estar ao meu lado
(...) Marley cantava o amor, o mar encantou a flor*
Hoje 2.0
agradecer por estar nessa grande festa é o mínimo que se pode fazer
o que falta é festejar todo dia bom ou mal, com ou sem copo cheio
e correr pra buscar o sonho que voa, e voa alto em direção ao lado
oposto: o sul.
*trecho da música Obrigado de Cidade Negra
sábado, maio 26, 2007
Cenas do capítulo anterior (ou O Líderman)
Na cidade de Cachoeira City o pobre mortal Liderman mal sabia o que o esperava...
...eram 11hs quando a chegada no bangalô Jersey abalô seu estado físico e mental:
na cama, depois de horas de conversa com os novos amigos superheróis, um sono pesado
e com o raiar do sol, o líder dos líderes grita:
- Acordaaaaa!!! 6 horassss.
E todos os lídermans levantam com ultra disposições e mega poderes ocultos.
Todos, anciosos pra saber qual tarefa lhes dariam dessa vez: salvar o mundo de quê agora?
Ajudar que velhinha a atravessar a rua? Lutar por que direitos? Os dos donos de cachorros São Bernardo com vitiligo?
...enfim, os lídermans tiveram de cara trabalhos duros, mas nada impossíveis de se realizar:
-Diga seu nome, faça um gesto e se apresente para o seu colega.
Dia puxado, os superpoderes fervem e os lídermans seguem na missão de integração e aprendizagem ao longo dos proxímos dias...
to be continueted
...eram 11hs quando a chegada no bangalô Jersey abalô seu estado físico e mental:
na cama, depois de horas de conversa com os novos amigos superheróis, um sono pesado
e com o raiar do sol, o líder dos líderes grita:
- Acordaaaaa!!! 6 horassss.
E todos os lídermans levantam com ultra disposições e mega poderes ocultos.
Todos, anciosos pra saber qual tarefa lhes dariam dessa vez: salvar o mundo de quê agora?
Ajudar que velhinha a atravessar a rua? Lutar por que direitos? Os dos donos de cachorros São Bernardo com vitiligo?
...enfim, os lídermans tiveram de cara trabalhos duros, mas nada impossíveis de se realizar:
-Diga seu nome, faça um gesto e se apresente para o seu colega.
Dia puxado, os superpoderes fervem e os lídermans seguem na missão de integração e aprendizagem ao longo dos proxímos dias...
to be continueted
quarta-feira, maio 16, 2007
a travessia é longa...
... e os passos parecem não levar a lugar nenhum
mais que caminhos, os pés desenham abismos
a cada metro deixado pra trás, revelava-se o medo
de pisar com força, de avançar.
Quando eu atravessava aquela rua eu morria de medo
de ver o seu sorriso e começar um velho sonho bom e o
sonho fatalmente viraria pesadelo, ali bem mesmo em
frente a um certo bar leblon*
as rachaduras do asfalto evidentes fazem a dúvida dos passos
e se não há um sinal vermelho pra parar, como então desitir
da travessia?
não dá, simplismente não dá, e se ao chegar do outro lado a
calçada não for tão segura quanto havia imaginado,
volto pro meio da rua e peço pra que venhas ao meu encontro.
*trecho da música Tesoura do desejo de Alceu Valença.
mais que caminhos, os pés desenham abismos
a cada metro deixado pra trás, revelava-se o medo
de pisar com força, de avançar.
Quando eu atravessava aquela rua eu morria de medo
de ver o seu sorriso e começar um velho sonho bom e o
sonho fatalmente viraria pesadelo, ali bem mesmo em
frente a um certo bar leblon*
as rachaduras do asfalto evidentes fazem a dúvida dos passos
e se não há um sinal vermelho pra parar, como então desitir
da travessia?
não dá, simplismente não dá, e se ao chegar do outro lado a
calçada não for tão segura quanto havia imaginado,
volto pro meio da rua e peço pra que venhas ao meu encontro.
*trecho da música Tesoura do desejo de Alceu Valença.
sábado, maio 12, 2007
4 horas de você
Essa semana ouvi alguém dizer:
- Como pode medir espaço com tempo?
10 minutos pra chegar ali, 2 horas de casa...
Mas isso é óbvio!
Todos estamos a tempos de distância:
do trabalho, de casa, da facul...
Pelo horário de Brasília estou a 4 horas de você
agora por exemplo, estou a 3 horas da orla
a 15 minutos da padaria e a 1 minuto da saída
tenho as mãos atadas no pescoço, mas o que
queria mesmo era tocar seu corpo*
mas as horas não deixam, a distância é grande
e definitivamente o tempo é o espaço.
*trecho da música de Zélia Ducan e Frejat
- Como pode medir espaço com tempo?
10 minutos pra chegar ali, 2 horas de casa...
Mas isso é óbvio!
Todos estamos a tempos de distância:
do trabalho, de casa, da facul...
Pelo horário de Brasília estou a 4 horas de você
agora por exemplo, estou a 3 horas da orla
a 15 minutos da padaria e a 1 minuto da saída
tenho as mãos atadas no pescoço, mas o que
queria mesmo era tocar seu corpo*
mas as horas não deixam, a distância é grande
e definitivamente o tempo é o espaço.
*trecho da música de Zélia Ducan e Frejat
quarta-feira, maio 09, 2007
...
O amor é finalmente um embaraço de pernas,
uma confusão de bocas,um reboliço de ancas
e quem diz outra coisa é besta!
gostô, mas né meu não... é de Gregório de Mattos*
*trecho do filme Ó pai ó.
uma confusão de bocas,um reboliço de ancas
e quem diz outra coisa é besta!
gostô, mas né meu não... é de Gregório de Mattos*
*trecho do filme Ó pai ó.
domingo, maio 06, 2007
ê Santiago
Eita povo doido!
Canta, ri, chora tudo ao mesmo tempo.
Graças o (a) Vitória a alegria está garantida,
e sem as piadas da Tia Ana o riso não tem graça...
as histórias de Vovó Chiquinha
e suas perdas constantes de memória,
Sem contar a rentável e "bombada" academia Fique Fino
com os sócios Bidhu e Francisco Jorge, vulgo Jean.
Primos e primas, mães e filhos
unidos pra celebrar sei lá o que
mas sempre celebrar...
... hoje o aniversário do Nêgo faceiro
e amanhã a graça de viver e morrer
Santiago!
à Léo, o nêgo mais faceiro
e mais nêgo que conheço.
Canta, ri, chora tudo ao mesmo tempo.
Graças o (a) Vitória a alegria está garantida,
e sem as piadas da Tia Ana o riso não tem graça...
as histórias de Vovó Chiquinha
e suas perdas constantes de memória,
Sem contar a rentável e "bombada" academia Fique Fino
com os sócios Bidhu e Francisco Jorge, vulgo Jean.
Primos e primas, mães e filhos
unidos pra celebrar sei lá o que
mas sempre celebrar...
... hoje o aniversário do Nêgo faceiro
e amanhã a graça de viver e morrer
Santiago!
à Léo, o nêgo mais faceiro
e mais nêgo que conheço.
sábado, maio 05, 2007
poucas palavras
Calar,
A melhor forma de se fazer entender.
Hoje li nos olhos de alguém as mais belas palavras
o segundo corria e esperava que ele dissesse algo
Mas o silêncio disse mais.
E quando a palavra fica por dizer e ninguém entende nada?
Em algumas vezes é melhor fingir que não ouviu (ou viu) coisa alguma.
Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem
Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim e fora de mim
quando você parece que não dá
Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:Outras palavras*
Vi seus olhos, ouvi sua palavra
Quiz te ler mais, mas você nem me lê!
Não digo nada ás vezes, Digo...
pra somente você saber que não quero mais te ler
e sim ver seu olhar.
Pra mim e pra aquele cara com cara de Diretor de arte:
Poucas palavras.
*trecho da música Outras Palavras de Caetano Veloso.
A melhor forma de se fazer entender.
Hoje li nos olhos de alguém as mais belas palavras
o segundo corria e esperava que ele dissesse algo
Mas o silêncio disse mais.
E quando a palavra fica por dizer e ninguém entende nada?
Em algumas vezes é melhor fingir que não ouviu (ou viu) coisa alguma.
Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem
Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim e fora de mim
quando você parece que não dá
Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:Outras palavras*
Vi seus olhos, ouvi sua palavra
Quiz te ler mais, mas você nem me lê!
Não digo nada ás vezes, Digo...
pra somente você saber que não quero mais te ler
e sim ver seu olhar.
Pra mim e pra aquele cara com cara de Diretor de arte:
Poucas palavras.
*trecho da música Outras Palavras de Caetano Veloso.
domingo, abril 22, 2007
Ficar nú
Escrever é ficar nu. É mostrar-se todo aos outros. É deixar que façam sobre você todo tipo de leitura, a partir dos valores de quem lê, história de vida, crenças, fantasias e projeções. Escrever é atirar em alvo desconhecido. A flecha toca o alvo que o leitor conduz no seu real, imaginário ou no terra-a-terra da sua ótica. Quando criticamos, elogiamos, brincamos, elucidamos, emitimos opinião sobre pessoa, coisa ou lugar, é claro que nos expomos. O ato de escrever é uma eterna exposição, se é julgado sem direito à defesa, criticado até sem dó ou piedade, pois o leitor é um desconhecido. Dizem que escrever é um ato de coragem. Prefiro dizer que é medo. Medo de silenciar quanto a fatos, pessoas e atos. É medo de ser cúmplice do silêncio, indiferença, calúnia, violência, enganadores, líderes de araque e do descalabro.Escrever não é vaidade. Ao contrário. É aceitar que lhe grifem erros, riam de suas idéias e calem, quase sempre, quando imaginam que você está certo. A palavra posta no papel não mais lhe pertence e o contexto em que se insere, muitas vezes, é diferente do que você queria e o leitor imaginava. Saiu e pronto. Não sou muito de revisar o que escrevo. Se fizer isso, acabo alterando o sentido, mascarando ou destruindo o que brotou da imaginação, vivência, circunstância, momento e ambiente.Escrever, para mim, é relação complexa e solitária...
texto de João Soares Neto e um pouco meu
texto de João Soares Neto e um pouco meu
sábado, abril 21, 2007
O massacre
Momentos de tensão.
Onde todos pedem silêncio
é o lugar onde mais se abre a boca
e os carrascos vestem branco e suas
máscaras tem cheiro de xilocaína e flúor
- Larissa Santiago!
- Eu mesma.
- Vamos para a cadeira elétrica!
Ops... a cadeira reclina e tenta te deixar mais relaxado,
mas o barulhinho que vem da sala ao lado é assustador
e o torturador se aproxima... se aproxima... se aproxima...
- Sim, mas qual o procedimento?
- Aqui o paciente é quem decide. Pode ser o método mais lento ou mais rápido.
- Eu prefiro o mais rápido!
Lenta e dolosamente a tortura vai chegando ao fim
ou ao começo...
Perder um dente é sempre ganhar uma dor.
Onde todos pedem silêncio
é o lugar onde mais se abre a boca
e os carrascos vestem branco e suas
máscaras tem cheiro de xilocaína e flúor
- Larissa Santiago!
- Eu mesma.
- Vamos para a cadeira elétrica!
Ops... a cadeira reclina e tenta te deixar mais relaxado,
mas o barulhinho que vem da sala ao lado é assustador
e o torturador se aproxima... se aproxima... se aproxima...
- Sim, mas qual o procedimento?
- Aqui o paciente é quem decide. Pode ser o método mais lento ou mais rápido.
- Eu prefiro o mais rápido!
Lenta e dolosamente a tortura vai chegando ao fim
ou ao começo...
Perder um dente é sempre ganhar uma dor.
quarta-feira, abril 18, 2007
soledad (ou saudade)
Sabe quando você sente aquele perfurme
que te transporta pro pré primário?
Lá, todas as pessoas pareciam ter aquele
mesmo cheiro de perfume misturado com
massa de modelar... e também parecem
soldados do mesmo exército que obedecem
as "pró's".
Acho que fiquei tanto tempo lá e por isso não
consigo esquecer esse perfume: do suco de
maracujá, do giz de cera, dos meninos correndo
da solidão na hora do recreio.
De lá também guardo a habilidade de pintar, mas
que fique claro que pintar dentro da linha delimitada,
com precisão, uniformidade e lápis de cor.
Tudo isso graças a dependência do meu irmão,
que ficava na sala ao lado, mas como acreditava estar só
chorava, e saber que ele estava ali ao lado era pouco...
... e aí esse cheiro me veio de novo, enaquanto olhava Bidhu
e percebi o quanto amo esse guri e suco de maracujá.
que te transporta pro pré primário?
Lá, todas as pessoas pareciam ter aquele
mesmo cheiro de perfume misturado com
massa de modelar... e também parecem
soldados do mesmo exército que obedecem
as "pró's".
Acho que fiquei tanto tempo lá e por isso não
consigo esquecer esse perfume: do suco de
maracujá, do giz de cera, dos meninos correndo
da solidão na hora do recreio.
De lá também guardo a habilidade de pintar, mas
que fique claro que pintar dentro da linha delimitada,
com precisão, uniformidade e lápis de cor.
Tudo isso graças a dependência do meu irmão,
que ficava na sala ao lado, mas como acreditava estar só
chorava, e saber que ele estava ali ao lado era pouco...
... e aí esse cheiro me veio de novo, enaquanto olhava Bidhu
e percebi o quanto amo esse guri e suco de maracujá.
domingo, abril 15, 2007
Sax Soprano
...você ficando com ela
e eu ficando sozinha.
enfim, desliza sua boca em mim
até me calar*
...São Jorge emociona
canta como ninguém
e traz as estrelas pra mim
No clarão do luar, te espero
cá nos braços do mar, me entrego**
...te espero,
mas você não sabe que me espera
a lua me leverá...
por você espero e me entrego
*trecho da música Melhor lugar, Jorge Vercilo
**trecho da música Avesso, Jorge Vercilo
e eu ficando sozinha.
enfim, desliza sua boca em mim
até me calar*
...São Jorge emociona
canta como ninguém
e traz as estrelas pra mim
No clarão do luar, te espero
cá nos braços do mar, me entrego**
...te espero,
mas você não sabe que me espera
a lua me leverá...
por você espero e me entrego
*trecho da música Melhor lugar, Jorge Vercilo
**trecho da música Avesso, Jorge Vercilo
sábado, abril 14, 2007
10hs 30min
acabou a aula
levantou e saiu
avistou ela mas não acreditou
que fosse para ele...
falou o que não queria falar
tocou onde não queria tocar
deu as costas a ela
foi como desse adeus a chance
amanhã começará tudo de novo
e ela vai reparar nele
e ele vai telefonar pra ela
pra novamente falarem sobre a aula
ou sobre qualquer outra coisa que
realmente não importe...
levantou e saiu
avistou ela mas não acreditou
que fosse para ele...
falou o que não queria falar
tocou onde não queria tocar
deu as costas a ela
foi como desse adeus a chance
amanhã começará tudo de novo
e ela vai reparar nele
e ele vai telefonar pra ela
pra novamente falarem sobre a aula
ou sobre qualquer outra coisa que
realmente não importe...
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