segunda-feira, agosto 15, 2011

desengarrafei

parei de me ofender
me agredi
e deixei o acaso
tomar conta
botar no colo
pra dormir
fui largando as frescuras
sentindo o gosto
da manga purinha
cantando uns sembas
tangos, ladainhas
me deixando de mão
ao sabor cítrico do vento
vendo homens no bar
argumentos
só deixando
soltando sentimentos
chupando mentos
e refrescando
o bom da vida
chegadas, muitas
e mais ainda: partidas

quarta-feira, agosto 10, 2011

criatura minha

deixe de maresia
e vem
vem ser minha
criaturinha
me abraça e jura
que nenhuma dor
ou agrura
vai tirar minha
mão da tua
esquece o medo
e hoje, a lua
repare a noite
foto da vida
surpresa metida
só minha e tua

quarta-feira, julho 27, 2011

memória cheia

detesto esquecer
ave maria!
como é ruim procurar
e se perder
chamar por alguém
aquele nome de certeza
e a pessoa não responder
procurar o lugar
e não encontrar
sendo que
"já estive lá..."
antes
durantes
memória ruim
me invejam os elefantes
bonito é
quando estás sentado
esperando
no meio tempo
pensando
posso estar no lugar errado
com a bunda fincada
em perfeito quadrado
enquanto
se pega pensando
"porque diabos
não trouxe anotado
se tivesse lembrado"
lembraria do lugar
oras!
e não resmungaria
ou fantasiaria apavorado
o maior vexame do mundo
parado, tentando se desculpar
frustrado querendo esquecer
o que deu errado

quinta-feira, julho 21, 2011

enrola a ação

muito lero
pouca lira
muito cheiro
pra pouca comida
fala fala fala
e diz nada
pra que dizer
se o importante
que é fazer
não se concretiza?
dá nos nervos
martiriza
aborrece
irrita
fecha a boca, porra!
e mãos à obra
agiliza

domingo, julho 17, 2011

memórias saborosas de um olfato

flores roxas
alfazemas doces
são os ventos
que carregam
o fino traço
ao olfato
essências puras
amoras cítricas
maduras
vem penetrando
em mim e
sem pedir ou insistir
já está dentro
suavemente trazendo
cheiro de memória
sabor de tempo

quinta-feira, julho 14, 2011

toc toc

é a poesia!
que traz tudo
o que não queria
uma saudade doída
aquele beijo de partida
traz os lençóis
chuva
chocolate
bebida
casaco
caracóis
a voz incessante
que grita
pedindo escrita
atenção, apelo
nesse jogo
de amores
perdidos, despidos
à minha beira
com os mesmos
queira ou não queira
me toma nos braços
enfeitiça num balanço
e apesar do contraponto
me deixo conduzir
por tanto

quinta-feira, julho 07, 2011

presente do momento

se é pra dá
poesia eu vou
devagar e leve
levo vestidos
arrancados
petiscos
pra escrever depois
vamos nos
marcar o instante
último momento
quente latente
chama que é bom
e dá nisso
colo cama e poesia

segunda-feira, julho 04, 2011

.

oxente pulei as folhas!
esqueci delas, mas
vem na mente
um palavriado bom
chique e retado
só pra preencher
o espaço
formar versos
ligar os laços
pisando nas folhas
borrando as bolhas
mesmo sem rimar
e vamos aprumar!
perna
tapete
traveco
escrevendo a esmo
que nem analfabeto
procurando o
que não há
de se encontrar
agora é terminar
pois o papel está completo

quinta-feira, junho 30, 2011

curtinha

poesia que eu queria
ter feito
são como tiros certeiros
no peito
eu vendo a mim sobre
meu leito
morte certa que não mais
rejeito

quarta-feira, junho 29, 2011

precipitação

prefiro lágrimas em vão
a sorriso precipitado
não porque goste de sofrer
mas a lágrima é mais fácil
de apagar
o gosto do sorriso é salgado
e chega a amargar
quando se é dado sem permissão
sorriso amarelo, este então
é o que não suporto esboçar
e de choros antecipados
vou vivendo, explodindo cada
instante com a chuva de olhar
é mais tranquilo pra mim
que ainda tenho muito pra chorar

terça-feira, maio 31, 2011

turbilhão

As palavras que colocas na expressão do teu rosto
Fazem-me beber os silêncios que me contas
Gestos, indefinidos, decifram o bater de um coração agitado
Gostar de ti não é tão simples assim
Mas na verdade não se torna complexo, quando sentido
Com o teu jeito, a cada dia me mostras que é possível viver sem ti
Mas não o que me faz feliz, e completa, inteira e intensa, composta por pedaços não inteiramente meus


poesia de Cátia Gomes

sábado, maio 28, 2011

poema para um grande amor

se apaixonar por uma cidade
se emocionar com seus sons
sentir saudade das ladeiras
dos jogos ordinários dela

caoticidade das pessoas
sorriso do sol a presentear
paredes que são seu retrato

enamorar-se a um lugar
falar dele noite e dia
com lágrima na garganta
vibrato de amor

as vidas foram unidas
pelos atabaques do coração
pela brisa fresca do poeta
pelo vulto dos casarões encantados

de tanto estar em você
a cidade também te ama
e te envolve com ciúme
relacionamento cosmopersonal

dança das paredes, do asfalto
é o amor entre um solo e uma
multidão, entre alguém e sua criação

quinta-feira, maio 26, 2011

traquejo

para apreciar o sol pestanejo
e se quero nas ondas andar
me deito e aqueço meu corpo
a elas, linhas do lençol equador

se quiser me amparar, bocejo
elejo um dia da semana e sem
gracejo tomo a atitude correta
as dores engulo com pedaços de queijo

meio enrolada percebo
que nada me falta
mas que a alegria
que tinha antes traquejo
me foge das mãos
tal qual inquieto brinquedo

domingo, maio 15, 2011

murrinha

solidão é se ver no espelho
só lodo, bafo e mancha
sozinho com mil amigos
adicionados no condicionador
três dormem contigo
mas os mesmos três sós

olhar pra você é nojo
sentir esse cheiro, entojo
ferida, ranho e calo
isso é cheio de solidão
espumas limpas no ralo
é assim que se é só

sábado, maio 14, 2011

_____________________________navalha da trsiteza

aprendi a me rasgar por dentro
me ferir sozinha
entranhas minhas
a sorrir calada com lágrima
entalada com a garganta doída
aprendi a me cortar louca
e depois limpar meu sangue
com o sal da minha língua
vendo todos olharem
pensando que sou bem
que tenho e bem vou
a tristeza quem me ensinou
se digo hoje eu sei



terça-feira, maio 10, 2011

drinks

quando bebo te preciso
choro até ficar sã
quando bebo além de rodar
me coração te quer com afã
de quem ama e não tem
sensação de
rimem!

segunda-feira, maio 09, 2011

alguns poucos olhos

as pessoas veem dores
veem bichos, hospitais
amores
as pessoas veem o que querem
eu quero que você me veja
me olhe com olhos tranquilos e meus
mas as pessoas veem medo
veem vela e dedo
eu é que sempre te vejo
de tanto olhar fico tesa
e ao me despedir
impeço o que me deseja

sábado, abril 30, 2011

laia

as melodias
que você me ofereceu
ficaram gravadas
e não há como apagar
os momentos marcaram
os minutos no meu relógio
te trouxeram de bandeja
me deixaram louca
e acabou
deixa aparecer
deixa vir outros dias
me dá tudo o que deseja
que você seja

sábado, abril 16, 2011

novo

bunitas as placas de lá
miragem de lugar
ah, como é bom se perder
e te encontrar
não ter ninguém a ligar
resmungar
implorar

bunitas as meninas de lá
meninos num inconstante piscar
são os donos da rua
das moças todas nuas



terça-feira, abril 05, 2011

criação

às vezes te vejo sorrindo
cantando, vindo
preenchendo meu humor
me confundindo
sempre sinto você
pegando, amando
sentindo
queria que estivesse
fingindo, criticando
mentindo
mas tudo foi real
e me sinto amando
gritando, caindo
nessa invenção de nós dois
por favor pare
estou resistindo