terça-feira, janeiro 25, 2011

quarto andar

tardes ventosas me dão
sono
som
tardes de céu cinza
de nuvens brancas
apartamentos comigo

tardes calorosas me dão
fome
nome
noites de tv's ligadas
brancos de computador

tardes solitárias me dão
você

segunda-feira, janeiro 24, 2011

quarta-feira, janeiro 12, 2011

tédio

você entediou meu coração
e quando eu vi o mar da Bahia
tranquilizei aqueles pensamentos
era você me entediando outra vez

melancolia era seu nome
esconderam de mim
não me disseram antes
se eu soubesse eu não veria
aquele mar de amores

você arrebatou meu coração
levou pr'aqueles lados
e nunca mais o trouxe pra mim
não me importa, fique
ele é mais seu do que dessa dor torta

(podia também se chamar "mar da Bahia")

segunda-feira, janeiro 10, 2011

.

pálpebras: palmas
estás resistindo a mim
e não cerres enquanto
terminem meus olhares

domingo, janeiro 09, 2011

era (ou ainda será)

essas horas eram nossas
frações fixadas no visor
de qualquer um de nossos
celulares, medulares
nessa hora exata
a lua era nossa e nossa cama
era um pouco minha e muito sua
preenchidas pelos amores vazios
e conversas de cobertor
essa era nossa hora
de eternizar o segundo
e entender baixinho nosso mundo

sexta-feira, janeiro 07, 2011

misturado

apertos repentinos
significam ideias no peito
permitem fantasias
sonhos e pernas
abertas

sentimentos assassinos
verificam se há conserto
investigam primazias
sinapses e olhos
fechados

regimento de menino
machucam direito
mergulham alegrias
num mundo e ouvido
cansados

quinta-feira, janeiro 06, 2011

me negar

esquecerei as ruas
não mencionarei as janelas
corriqueiras, cotidianas
não serão poesias os passos
nem tampouco os beijos
motoristas
malucos
merecerei julgamentos
escárnios, lamentos
apagões, denegações
esquecerei meus elementos
minhas espumas
minhas palavras
e ficarei vazia
despreenchida
esquecerei de quê se escreve
esquecerei de viver

quarta-feira, janeiro 05, 2011

suor

na cidade onde o sol não morre
tudo derrete
o chão, as árvores, o coração
o asfalto ferve e o brilho
do astro cintila os carros
que calor do inferno!
trinta graus sentidos
na pele que arde
no prédio que desbota
e bota água pra dentro
a cidade onde o sol nasce às seis
cansou de derreter dessa vez

terça-feira, janeiro 04, 2011

falta

fazem falta as peles
os dias a encostar
meus pés nos seus
fazem falta os cafés
e os sorrisos melódicos

trazem saudades de volta
suas mãos eram milagres
trazem cardápios à porta
mão na minha me sufoca

arranca-me o ar no verão
mas não me deixa só no refrão

segunda-feira, janeiro 03, 2011

decorar

vestidos coloridos
para festas de tarde cinza
jogos imaturos de família
e casas de parede rosa

o mundo é uma roda, menina
hoje é azul, amanhã é nódoa
amarelo, bege, anilina
o que importa são as voltas

lilases enfeitam as unhas
e cada sorriso amarelo
embeleza a lágrima branca
que escorre no peito nuelo

arrume os sapatos por favor
separe as fotos em cor
das preto e branco
não lamente caso amanhã
escorra o vermelho por entre o tamanco

domingo, janeiro 02, 2011

sua rua

a voz rouca
atravessa as paredes
e as ruas da Barra Avenida
clamam seu nome
como cantam as melodias
do domingo à noite

distraí aquela rua
entorpeci alguns cantores
e chorei quase na mesa do bar
sentei de novo
no muro que nos dividiu
no mar que nos dividiu
o dia me iludiu

o tom me tocou
diferente de como
toquei você
eu não toquei você
mas mesmo assim
morrestes em mim
e de novo a rua
me enfeitiçou

me tomou como mulher
cantou a última canção
trouxe versos e vigas
encantou as luas da Barra
enfeitou as barracas do sol
fez dançar os casais bêbados

e nuca mais seremos os mesmos sós

sexta-feira, dezembro 31, 2010

domingo, dezembro 12, 2010

signos

palavras simples
não diriam
o que eu fiz
de tudo pra esquecer

todos os signos
juntos não representam
o que me apresentam
seus olhos

por isso desarranjo
tudo que posso
sinto o que trago
e abandono aqui
palavras que estrago

quinta-feira, dezembro 09, 2010

menu poesia

o que temos para amanhã?
poesia
café almoço maçã
refeição do dia
salpico palavras
corto parênteses
e na travessa: travessões
macarrões cozidos
ao molho mulher
e no café?
rima
menu: bacon no desjejum
sopinha de letras
e sobre a mesa chocolates
palavras doces dão fim
a orgia das terças


sábado, dezembro 04, 2010

a volta

de repente
aparece de novo
deixa tudo nervoso
os pratos caem
aparentemente limpo
e por dentro esbagaça
destroça, esmaga
veja o que provoca
infesta o ar e tudo
o que toca
se desfaz por dentro
e traz
a antiga sensação
de ficar bem e mal
em mais um verão

quarta-feira, dezembro 01, 2010

.

cachos me tomam
me envolvem me frisam
volta e meia me deixo
enrolar
enroscar
e meus olhos fitam
nenhuma flor ou laço
mas me embaraço neles
de longe sinto o cheiro
macio, brilhante
e quis passar
enroscar
enrolar
tal qual dedos
inquietos amantes

terça-feira, novembro 30, 2010

vaz(i)o

comer me dá vazio
vazio de te ver
vaga a palavra
não responder
é o caminho que não faço
o não que não consigo
desisto de comer
esqueço o que ia dizer
resultado de merecer
comer a palavra
emudecer
me perder nesse prato
vagarosamente engasgo
passo a palavra
à você

segunda-feira, novembro 29, 2010

maré baixa

areia fina
som de mar
menina
onda inclina
o mar olha
marola
vê demais
neblina
mareia o dia
e a concha fala
o que não mais
diria

domingo, novembro 28, 2010

moço de sábado

olhinhos claros
cabelos loiros
mãos moles
longo sonido
paixão listrada
coração batuque
e os olhos se viram

ritmo brisa
lábios frescos
colunas iguais
melodia Reckard
paixão listrada
pés batuque
e as mãos a pingar

braço magro
pele calma
cada tela bela
no seu olho:cama

terça-feira, novembro 16, 2010

ritual

poder a todos
os deuses nus
nessa cama
camamente
um imã energiza
uma unha chama
prazer a poucos
os instantes quase
os que são sempre
nossa trama
vagarosamente
inocentemente
irremediavelmente
poder aos poucos
prazer aos loucos