segunda-feira, janeiro 03, 2011

decorar

vestidos coloridos
para festas de tarde cinza
jogos imaturos de família
e casas de parede rosa

o mundo é uma roda, menina
hoje é azul, amanhã é nódoa
amarelo, bege, anilina
o que importa são as voltas

lilases enfeitam as unhas
e cada sorriso amarelo
embeleza a lágrima branca
que escorre no peito nuelo

arrume os sapatos por favor
separe as fotos em cor
das preto e branco
não lamente caso amanhã
escorra o vermelho por entre o tamanco

domingo, janeiro 02, 2011

sua rua

a voz rouca
atravessa as paredes
e as ruas da Barra Avenida
clamam seu nome
como cantam as melodias
do domingo à noite

distraí aquela rua
entorpeci alguns cantores
e chorei quase na mesa do bar
sentei de novo
no muro que nos dividiu
no mar que nos dividiu
o dia me iludiu

o tom me tocou
diferente de como
toquei você
eu não toquei você
mas mesmo assim
morrestes em mim
e de novo a rua
me enfeitiçou

me tomou como mulher
cantou a última canção
trouxe versos e vigas
encantou as luas da Barra
enfeitou as barracas do sol
fez dançar os casais bêbados

e nuca mais seremos os mesmos sós

sexta-feira, dezembro 31, 2010

domingo, dezembro 12, 2010

signos

palavras simples
não diriam
o que eu fiz
de tudo pra esquecer

todos os signos
juntos não representam
o que me apresentam
seus olhos

por isso desarranjo
tudo que posso
sinto o que trago
e abandono aqui
palavras que estrago

quinta-feira, dezembro 09, 2010

menu poesia

o que temos para amanhã?
poesia
café almoço maçã
refeição do dia
salpico palavras
corto parênteses
e na travessa: travessões
macarrões cozidos
ao molho mulher
e no café?
rima
menu: bacon no desjejum
sopinha de letras
e sobre a mesa chocolates
palavras doces dão fim
a orgia das terças


sábado, dezembro 04, 2010

a volta

de repente
aparece de novo
deixa tudo nervoso
os pratos caem
aparentemente limpo
e por dentro esbagaça
destroça, esmaga
veja o que provoca
infesta o ar e tudo
o que toca
se desfaz por dentro
e traz
a antiga sensação
de ficar bem e mal
em mais um verão

quarta-feira, dezembro 01, 2010

.

cachos me tomam
me envolvem me frisam
volta e meia me deixo
enrolar
enroscar
e meus olhos fitam
nenhuma flor ou laço
mas me embaraço neles
de longe sinto o cheiro
macio, brilhante
e quis passar
enroscar
enrolar
tal qual dedos
inquietos amantes

terça-feira, novembro 30, 2010

vaz(i)o

comer me dá vazio
vazio de te ver
vaga a palavra
não responder
é o caminho que não faço
o não que não consigo
desisto de comer
esqueço o que ia dizer
resultado de merecer
comer a palavra
emudecer
me perder nesse prato
vagarosamente engasgo
passo a palavra
à você

segunda-feira, novembro 29, 2010

maré baixa

areia fina
som de mar
menina
onda inclina
o mar olha
marola
vê demais
neblina
mareia o dia
e a concha fala
o que não mais
diria

domingo, novembro 28, 2010

moço de sábado

olhinhos claros
cabelos loiros
mãos moles
longo sonido
paixão listrada
coração batuque
e os olhos se viram

ritmo brisa
lábios frescos
colunas iguais
melodia Reckard
paixão listrada
pés batuque
e as mãos a pingar

braço magro
pele calma
cada tela bela
no seu olho:cama

terça-feira, novembro 16, 2010

ritual

poder a todos
os deuses nus
nessa cama
camamente
um imã energiza
uma unha chama
prazer a poucos
os instantes quase
os que são sempre
nossa trama
vagarosamente
inocentemente
irremediavelmente
poder aos poucos
prazer aos loucos

domingo, outubro 24, 2010

apertamento

retratos parados
pinga a pia
pinga lá fora, noite fria

paredes pálidas
e portas de natureza torta
jardim sem maçã ou erva morta

no espelho o banheiro
a meia luz da varanda
toma banho o chuveiro

sozinha a cozinha
a sombra passeia
dá pra ver a vizinha

apartamento tem querer
em pé tomando café
quer sua presença, seu cafuné

domingo, outubro 03, 2010

mal dormir

hoje o sonho me acordou você
e me veio a festa dos matos
quando o carro passa
trouxe a marca verde do sol
permanente na vista
e as montanhas redondas
iluminadas as retinas
roteiro feliz nos beijos espalhados
sonhos com músicas pra ninar você

quarta-feira, setembro 01, 2010

pra vir

chega
de te ver
de te longe
se esconder

deixa
de querer
de falar
me enxergar

esquece
e me some
me desfaz
desaparece

chega
chega logo
chega liga
chega perto
dá um chêro

domingo, agosto 22, 2010

lesera

um brinde as babaquices

idiotices e besteiras

ah nós! Contemplativos

parabéns aos estúpidos

as mesmices inúteis

as promessas vazias

um salve para os medíocres

e sua estupidez cega

que fundamentaliza o viver

aleluia, oh céus

e livre dessa inglória os meus

a alguns o infame poder

da insignificante criatividade

sexta-feira, julho 30, 2010

para Elias José

escrevi cem vezes o bilhete de amor
escrevi mil vezes o bilhete de amor
escrevi trocentas vezes o bilhete de amor

amor, você ainda lê bilhetes?
amor, e o som dos clarinetes?

escrevi mais uma vez o bilhete de amor
e nem virou poesia
dei-o ao franco-atirador

quinta-feira, julho 22, 2010

quinta-feira, julho 08, 2010

janela

apertado é o coração de quem ama
novidade não há para os poetas
pistas tristes, faróis vermelhos
cansamos de ter

cansado é o coração de quem ama
navalha para poucos
chuvas frias, passos silenciosos
amamos? vê...

malvado é o tempo pra quem tem
embriaguez nos sonhos todos
prédios acesos, redes vazias
distanciamos, crê?