no negrume da noite
só a gente anda
escuro como o chão
o betume
o céu
pretos reluzem
a meia noite
iluminam ruas
só eles caminham
uns correm
eu fico
pra ver que risco corre
toda aquela beleza
terça-feira, abril 02, 2013
da falta
do que eu sinto falta
é do que eu menos sinto
ar, carinho, abrigo
Recife me deu asas
faltas, ninhos
saudade é apelido curtinho
pra dor latente
que nem o rio brilhante
sinto tanto
tudo muito
mal cabe num versinho
é do que eu menos sinto
ar, carinho, abrigo
Recife me deu asas
faltas, ninhos
saudade é apelido curtinho
pra dor latente
que nem o rio brilhante
sinto tanto
tudo muito
mal cabe num versinho
quinta-feira, março 21, 2013
Mais um dia pra lembrar e cantar
Apesar do peso desse dia e de todos os acontecimentos dessa semana que passou e que nos mostrou as mais incríveis faces do racismo, homofobia e discriminação, trarei no meu texto uma palavra de força, uma canção de alento e uma visão de dias melhores. Não pelo meu otimismo - que aos poucos tem se apagado com tanta coisa horrenda - mas pelo meus irmãos, os de sangue e os da luta. Por eles que ao meu lado blogam, dão entrevistas, fazem rap na escola ou ainda me indicam lindas canções de amor.
Meu texto pretensioso quer dizer quem fomos e somos: Marleys, Luislindas, Malcons, Ivones, Joaquims, Gabrielas, Leandros, Simonals, Angelas e Ellens Olérias que invadem os lares, os ouvidos, os livros e as ruas. Que hoje visibilizados pela internet ou pelos nossos discursos precisam ser os espelhos, os exemplos de luta e vitória (sim, ainda falta muito, mas já conseguimos algumas coisas).
Apesar de cada aperto no coração ao ouvir declarações desnecessárias ou por não ouvir nenhum pedido de desculpa, me inflamo com o espírito dos ancestrais e escrevo. E falo e canto.
"Tudo isso pra quê, né? O Fraga podia ter pedido desculpas. Era só isso, sabe. Admitir que não teve intenção de ofender, mas que, como ofendeu, se sente muito mesmo. Se o pai dele é negro, ele devia saber como essas coisas doem. E quando a gente machuca alguém, mesmo sem querer, a gente pede desculpa, sabe. Imediatamente. Pisei no seu pé? Desculpa. Não foi por querer, mas desculpa. " Jeanne Callegari sobre o caso Ronaldo Fraga na SPFW
É só dizer que errou humanidade, que a gente faz o resto. A gente tá fazendo mesmo sem o pedido, não é? Juntos já avançamos e não descansaremos enquanto as notícias não forem melhores. Não posso deixar passar nada porque me dói e dói meu irmão, não é Leandro?
Nossas intenções são as melhores e hoje em respeito e homenagem ao meu passado que foi assassinado e hostilizado em manifestações na África do Sul, Brixton ou Alabama eu canto uma canção de esperança e solidariedade. Canto para todas as mulheres negras, em homenagem as rappers, as domésticas da minha rua, canto em solidariedade a moça do Distrito Federal e ao guardador de carro da frente do Paço Alfândega.
Ainda falta muito, mas até aqui me trouxe Luther, Mandela, Mãe Menininha, Spikee Lee, Leila Andrade, Tia Ciata, Elisa Lucinda, Sueli Carneiro, Morgan Freeman, Tupac...
Esse post faz parte da BLOGAGEM COLETIVA PELO DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL, uma iniciativa BLOGUEIRAS NEGRAS.
terça-feira, março 19, 2013
NOTA DE REPÚDIO AO TROTE RACISTA E SEXISTA NA FACULDADE DE DIREITO DA UFMG
A Humanidade, se fosse
uma pessoa, envergonhar-se-ia de muita coisa de seu passado; passado este que
contém muitos episódios verdadeiramente abjetos. Enquanto humanos, faríamos minucioso
inventário moral de nós mesmos; enquanto partícipes do que convencionamos
chamar 'Humanidade', relacionaríamos todos os grupos ou pessoas que por nossas
ações e omissões prejudicamos e nos disporíamos a reparar os danos a eles
causados.
Vigiaríamos a nós mesmos, o tempo todo, para que individualmente e enquanto grupo, não repetíssemos nossos vergonhosos e documentados erros. Pais conscienciosos, ensinaríamos as novas gerações os novos e relevantes valores morais que tem de pautar nossas condutas, palavras e intenções.
Dois desses episódios, chagas profundas e fétidas de nosso passado humano, são a escravidão e o nazismo. No primeiro, tratamos outros seres humanos como inferiores; os açoitamos; os forçamos ao trabalho; os ridicularizamos (dizendo que eles eram feios, sujos, burros, seres humanos mal acabados e não evoluídos); procuramos destruir seus laços com a terra amada, sua cultura, sua língua; dissemos que eles não tinham alma enfim. No segundo não era diferente; mesmas ações, alvos expandidos: pessoas negras, judeus, homossexuais. Todos tratados com o mesmo desrespeito.
O tempo passou e como as chagas permanessem, fizemos um meio-trabalho: criamos leis. Leis como a 7.176/89, que qualifica o crime de racismo e depois a Lei 9.459/97 (que inclui o parágrafo 1 no artigo 20 da já referida Lei 7.176/89, mencionando a fabricação e uso de símbolos nazistas). Infelizmente, nem mesmo a força da lei tem sido suficiente.
O que vemos é, em toda parte, ressurgirem graves violações dos Direitos Humanos outrora perpetradoss. O que seria motivo de vergonha vem ganhando o espaços públicos, por meio de recursos custeados pelo Estado; um Estado que se auto declara 'Democrático de Direito'; um Estado que tem como fundamento a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (inciso III do artigo 1 da Constituição de 1988).
Sim, foi isso mesmo o que você leu: na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alunos do curso de Direito (sim, um curso cujo objetivo é formar profissionais que serão essenciais à Justiça e à defesa desse propalado Estado Democrático de Direito) fizeram um trote onde, sob a desculpa de fazer piada usaram saudações nazistas e representações racistas e sexistas.
A notícia, amplamente divulgada na mídia, vocês podem ler aqui: http://vestibular.uol.com.br/ultimas-noticias/2013/03/18/trote-com-saudacao-nazista-provoca-acusacoes-de-racismo-na-ufmg.jhtm
Mas não é só: infelizmente nesses últimos meses, tomamos contato com episódios igualmente repulsivos ocorridos em universidades: na Politécnica (Faculdade da Universidade de São Paulo, também mantida com recursos públicos), vimos alunos divulgarem uma gincana, onde uma das 'provas' era algo cometer assédio sexual.
http://www.feministacansada.com/post/44492821098
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,gincana-da-poli-incentiva--machismo-e-revolta-estudantes-,1004392,0.htm
E isso logo após alunos de uma outra Universidade (também da USP, na cidade de São Carlos) , agredirem manifestantes que criticavam um trote que vilipendiava a imagem feminina.
http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/cotidiano/3104-grupo-protesta-contra-trote-machista-e-e-agredido-na-usp-sao-carlos
Todas essas condutas, perpetradas por alunos que deveriam estar recebendo instruções aptas a torná-los profissionais e cidadãos mais éticos (afinal, é para isso que todos os cursos contém em suas grades a matéria denominada 'Ética'), mostram que beiramos a um perigoso retrocesso no quesito 'Direitos Humanos'.
Sendo os Direitos Humanos imprescritíveis, inalienáveis, irrenunciáveis, invioláveis e universais, efetivos e interdependentes, não pode haver NENHUMA tolerância a qualquer ato ou gesto que os ameaçem.
E é por isso e também por tais atos (perpetrados nas três universidades citadas) constituirem verdadeiro incentivo à propagação de discursos preconceituosos e de ódio, é que os coletivos assinam a presente nota de repúdio, esperando que autoridades constituídas tomem as providências cabíveis para apenar exemplarmente os responsáveis. Leis para isso já existem; mas para que os direitos ganhem efetividade é preciso sua aplicação.
Esperamos também que as pessoas que lerem a presente também façam um reflexão sobre o rumo que nossa Sociedade está tomando. Não queremos o retrocesso. E se você compartilha conosco desse sentimento, dessa vontade de colaborar com a construção de uma Sociedade melhor, não se cale.
Nós somos negros; nós somos mulheres; nós somos gays; nós somos lésbicas; nós somos transsexuais; somos nordestinos; adeptos de religiões minoritárias. Somos as minorias que diuturnamente temos de conviver com o menoscabo de nossas imagens; com atos que naturalizam a violência; que criam verdadeira cisão entre Humanos; que reabrem as chagas e as fazem sangrar. E nós não vamos nos calar. O estandarte, escudo e espada emprestaremos da Themis, a deusa da justiça; usaremos a lei e exigiremos o seu cumprimento.
Aos estudantes de Direito que fizeram uma tal 'brincadeira'repulsiva, lembramos:
'Ubi non est justitia, ibi non potest esse jus' -
Onde não existe justiça não pode haver direito
Vigiaríamos a nós mesmos, o tempo todo, para que individualmente e enquanto grupo, não repetíssemos nossos vergonhosos e documentados erros. Pais conscienciosos, ensinaríamos as novas gerações os novos e relevantes valores morais que tem de pautar nossas condutas, palavras e intenções.
Dois desses episódios, chagas profundas e fétidas de nosso passado humano, são a escravidão e o nazismo. No primeiro, tratamos outros seres humanos como inferiores; os açoitamos; os forçamos ao trabalho; os ridicularizamos (dizendo que eles eram feios, sujos, burros, seres humanos mal acabados e não evoluídos); procuramos destruir seus laços com a terra amada, sua cultura, sua língua; dissemos que eles não tinham alma enfim. No segundo não era diferente; mesmas ações, alvos expandidos: pessoas negras, judeus, homossexuais. Todos tratados com o mesmo desrespeito.
O tempo passou e como as chagas permanessem, fizemos um meio-trabalho: criamos leis. Leis como a 7.176/89, que qualifica o crime de racismo e depois a Lei 9.459/97 (que inclui o parágrafo 1 no artigo 20 da já referida Lei 7.176/89, mencionando a fabricação e uso de símbolos nazistas). Infelizmente, nem mesmo a força da lei tem sido suficiente.
O que vemos é, em toda parte, ressurgirem graves violações dos Direitos Humanos outrora perpetradoss. O que seria motivo de vergonha vem ganhando o espaços públicos, por meio de recursos custeados pelo Estado; um Estado que se auto declara 'Democrático de Direito'; um Estado que tem como fundamento a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (inciso III do artigo 1 da Constituição de 1988).
Sim, foi isso mesmo o que você leu: na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alunos do curso de Direito (sim, um curso cujo objetivo é formar profissionais que serão essenciais à Justiça e à defesa desse propalado Estado Democrático de Direito) fizeram um trote onde, sob a desculpa de fazer piada usaram saudações nazistas e representações racistas e sexistas.
A notícia, amplamente divulgada na mídia, vocês podem ler aqui: http://vestibular.uol.com.br/ultimas-noticias/2013/03/18/trote-com-saudacao-nazista-provoca-acusacoes-de-racismo-na-ufmg.jhtm
Mas não é só: infelizmente nesses últimos meses, tomamos contato com episódios igualmente repulsivos ocorridos em universidades: na Politécnica (Faculdade da Universidade de São Paulo, também mantida com recursos públicos), vimos alunos divulgarem uma gincana, onde uma das 'provas' era algo cometer assédio sexual.
http://www.feministacansada.com/post/44492821098
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,gincana-da-poli-incentiva--machismo-e-revolta-estudantes-,1004392,0.htm
E isso logo após alunos de uma outra Universidade (também da USP, na cidade de São Carlos) , agredirem manifestantes que criticavam um trote que vilipendiava a imagem feminina.
http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/cotidiano/3104-grupo-protesta-contra-trote-machista-e-e-agredido-na-usp-sao-carlos
Todas essas condutas, perpetradas por alunos que deveriam estar recebendo instruções aptas a torná-los profissionais e cidadãos mais éticos (afinal, é para isso que todos os cursos contém em suas grades a matéria denominada 'Ética'), mostram que beiramos a um perigoso retrocesso no quesito 'Direitos Humanos'.
Sendo os Direitos Humanos imprescritíveis, inalienáveis, irrenunciáveis, invioláveis e universais, efetivos e interdependentes, não pode haver NENHUMA tolerância a qualquer ato ou gesto que os ameaçem.
E é por isso e também por tais atos (perpetrados nas três universidades citadas) constituirem verdadeiro incentivo à propagação de discursos preconceituosos e de ódio, é que os coletivos assinam a presente nota de repúdio, esperando que autoridades constituídas tomem as providências cabíveis para apenar exemplarmente os responsáveis. Leis para isso já existem; mas para que os direitos ganhem efetividade é preciso sua aplicação.
Esperamos também que as pessoas que lerem a presente também façam um reflexão sobre o rumo que nossa Sociedade está tomando. Não queremos o retrocesso. E se você compartilha conosco desse sentimento, dessa vontade de colaborar com a construção de uma Sociedade melhor, não se cale.
Nós somos negros; nós somos mulheres; nós somos gays; nós somos lésbicas; nós somos transsexuais; somos nordestinos; adeptos de religiões minoritárias. Somos as minorias que diuturnamente temos de conviver com o menoscabo de nossas imagens; com atos que naturalizam a violência; que criam verdadeira cisão entre Humanos; que reabrem as chagas e as fazem sangrar. E nós não vamos nos calar. O estandarte, escudo e espada emprestaremos da Themis, a deusa da justiça; usaremos a lei e exigiremos o seu cumprimento.
Aos estudantes de Direito que fizeram uma tal 'brincadeira'repulsiva, lembramos:
'Ubi non est justitia, ibi non potest esse jus' -
Onde não existe justiça não pode haver direito
Assinam o presente,
·
Homem Feminista de Verdade - https://www.facebook.com/pages/Homem-Feminista-de-Verdade/458014067568295
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Oyá Feminista - https://www.facebook.com/OyaFeminista
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Ogums Toques – http://ogumstoques.com/
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Catavento –
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Blogueiras Negras - http://blogueirasnegras.wordpress.com
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Preta & Gorda - https://www.facebook.com/PretaeGorda
quinta-feira, março 07, 2013
confissão
tudo dito na cama
tem um álibi
de não estar ali
de não ser o eu
sem culpa nem prova
ninguém testemunha
é um constante
eu quis dizer
ao pé do ouvido
as palavras somem
num silêncio criminal
ditas ao vento
soam marginal
o que se diz ou
se ouve dizer
ninguém prende:
é confissão
é flagrante
sem precedente
tem um álibi
de não estar ali
de não ser o eu
sem culpa nem prova
ninguém testemunha
é um constante
eu quis dizer
ao pé do ouvido
as palavras somem
num silêncio criminal
ditas ao vento
soam marginal
o que se diz ou
se ouve dizer
ninguém prende:
é confissão
é flagrante
sem precedente
quarta-feira, março 06, 2013
terça-feira, março 05, 2013
analogia torta
é uma broca no coração
portal de músculo
arranhão
espremedor de laranja
triturando tudo
buraco negro
buraco oco
é uma porca na alma
estátua do sentimento
corrosão
furadeira de parede
roliça abrindo dentro
buraco oco
buraco bucha
assim que fica quem vai
portal de músculo
arranhão
espremedor de laranja
triturando tudo
buraco negro
buraco oco
é uma porca na alma
estátua do sentimento
corrosão
furadeira de parede
roliça abrindo dentro
buraco oco
buraco bucha
assim que fica quem vai
segunda-feira, março 04, 2013
segredado
um céu aqui na terra
foi o que trouxeste
não me fiz de rogada
aceitei seus pés, pernas
fizemos um altar, cantado
bem alto com meus apelos
e os implacáveis sussurros
viraram trovões hoje
somos sagrados, sabias
seremos sempre ali
rei e rainha letal
convulsivamente felizes
o eterno louvor registrado
nas tramas da nossa pele
no dormir sossegado
no encaixe perfeito
é nenhum sacrifício
é só volta ao nosso passado.
foi o que trouxeste
não me fiz de rogada
aceitei seus pés, pernas
fizemos um altar, cantado
bem alto com meus apelos
e os implacáveis sussurros
viraram trovões hoje
somos sagrados, sabias
seremos sempre ali
rei e rainha letal
convulsivamente felizes
o eterno louvor registrado
nas tramas da nossa pele
no dormir sossegado
no encaixe perfeito
é nenhum sacrifício
é só volta ao nosso passado.
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
apertão
com o tempo a gente aprende
a sofrer baixinho
"canta essa pra mim"
era muito mais legal
quando era pessimista
sem tristeza tola
com certeza do azar
com errata cheia de amor
"ligar ou não"
é nada de bom sem sofrer
a filosofia que colou
é a ancora no meu pé
a espera infinita da senha
tô desistindo:
passa pra cá minha alegria
chega de tanto esconder
a sofrer baixinho
"canta essa pra mim"
era muito mais legal
quando era pessimista
sem tristeza tola
com certeza do azar
com errata cheia de amor
"ligar ou não"
é nada de bom sem sofrer
a filosofia que colou
é a ancora no meu pé
a espera infinita da senha
tô desistindo:
passa pra cá minha alegria
chega de tanto esconder
terça-feira, janeiro 29, 2013
cais
as linhas de luz repartidas
as lágrimas, jus da saída
o cheiro do abraço
o dengo do amasso
a chave do peito que acerta
e a revolta.
Ah, que volta o mundo!
o amor para e torna
a cor que une é nossa
a dor sentida no amor
de partida, endossa
as lágrimas, jus da saída
o cheiro do abraço
o dengo do amasso
a chave do peito que acerta
e a revolta.
Ah, que volta o mundo!
o amor para e torna
a cor que une é nossa
a dor sentida no amor
de partida, endossa
quinta-feira, novembro 22, 2012
Desculpe Morgan, mas não me calarei
Abro essa exceção no meu blog de poesia, porque me sinto feliz e agradecida em apoiar essa causa.
Foi com o LuluzinhaCamp que eu aprendi a militância e é nessas mulheres que eu me espelho todo dia!
Por isso me juntei à Blogagem Coletiva Mulheres Negras e emprestei minhas palavras pra dar voz as que são das minhas.
#BCMulheresNegras
__________________________________________________________________________
O que me inquietou hoje e provocou um monólogo disfarçado de discussão foi o vídeo do Freeman (editado e que trouxe à opinião pública o que lhe mais é conveniente) que basicamente fala que as pessoas precisam parar de falar de racismo pra resolver o problema.
Ok, digamos que eu aceite esse argumento e me cale - mulher negra que sou, acusada de histérica se falo - mas aí fica a pergunta: se você tem um problema, seja ele de qualquer natureza, e esquecer ele se resolve?
Não, senhoras e senhores!
Não foi sentada em casa, ou na pia lavando roupas que as mulheres fizeram revolução. Se eu não me engano, algumas precisaram queimar sutiãs pra fazer valer alguma coisa. Desconheço QUALQUER civilização que fez revolução calado, dormindo, esquecendo seu problema.
Aliás, quando você "esquece" um problema, ele continua lá, camuflado, escondido, disfarçado, mas está lá. E era esse o argumento que faltava para o racismo velado brasileiro: vamos parar de falar que passa!
"Não, mas não precisa parar de falar não, eu só acho que tem que mudar esse discurso"
Que discurso? O discurso de QUEM?
Você já ouviu alguma mulher negra se levantar no ônibus (no melhor estilo Instituto Mannasés) e dizer "Hoje quero relatar a situação de racismo que vivi"? Ou por acaso você já abordou alguma colega de trabalho (de qualquer cargo) e perguntou a opinião dela sobre relações raciais? Sendo menos utópicos: você já teve aulas de história afrobrasileira lecionadas por uma professora negra na sua escola?
O discurso do racismo não é o discurso do negro, assim como o discurso machista não é o discurso da mulher.
Todo discurso que se construiu até então não partiu do feminismo nem do movimento negro: padrão estético, econômico, sexista não fui eu mulher negra quem ditou, esse discurso não é meu e eu não posso ouvi-lo calada.
E pra aqueles que acham que a gente "se defende demais", os donos dos monólogos e das intermináveis listas de frases prontas, racistas, machistas e esteriotipadas, eu sinto muito, mas enquanto vocês atacarem a gente vai se defender. Enquanto eu puder construir meu discurso, eu não vou me calar.
Me perdoem os editores, a opinião pública, meu chefe e Morgan Freeman, mas enquanto 75% da população pobre brasileira for preta, enquanto 90% das empregadas domésticas morarem no subúrbio, enquanto minhas amigas negras ganharem menos que as colegas brancas (e menos ainda que os homens) e enquanto à noite, taxistas não pararem pra mim, eu vou continuar falando de racismo.
Uma homenagem singela ao meu querido chefe.
segunda-feira, novembro 19, 2012
torpor
as calças erram suas
passos largos que me
guiam ao infinito, Bahia
o meu desejo seu inferno
te condeno às duas
teu inferno somos nós
até te dizer te amo morrerei
até te beijar pra sempre somos duas
até ser sua somos mais.
passos largos que me
guiam ao infinito, Bahia
o meu desejo seu inferno
te condeno às duas
teu inferno somos nós
até te dizer te amo morrerei
até te beijar pra sempre somos duas
até ser sua somos mais.
segunda-feira, outubro 15, 2012
quem sou eu
apertou hoje
vi as ruas quentes
vi o mar fresco
vi os pretos
doeu bem
o céu só seu
a areia que é fina
é também minha
chorei sem
aquele sol
nossas pessoas
minha casa
sorrisos
lendas, luas, coisas
sons, esquinas, todas
minha terra boa
vi as ruas quentes
vi o mar fresco
vi os pretos
doeu bem
o céu só seu
a areia que é fina
é também minha
chorei sem
aquele sol
nossas pessoas
minha casa
sorrisos
lendas, luas, coisas
sons, esquinas, todas
minha terra boa
segunda-feira, outubro 08, 2012
terça-feira, outubro 02, 2012
carrancuda
aros de óculos vermelho
lábio lindo e lânguido
que fino traço!
cabelos preto betume
unhas brilham vaga-lume
só que a perfeição tem erro
eis dela o nome perfeito:
carrancuda
sem sorriso, sem esboço
sem festejo, sem adorno
ela nem me olha, pois
caso fosse, lhe olharia
e de volta sorrisos com
bocas, alegrias
lhe faria uma cura
nunca mais ela subiria
no ônibus triste
nem apagada ou carrancuda
irradiada e formosa seria
mulher da boca brilhosa
batom claro cor do dia
lábio lindo e lânguido
que fino traço!
cabelos preto betume
unhas brilham vaga-lume
só que a perfeição tem erro
eis dela o nome perfeito:
carrancuda
sem sorriso, sem esboço
sem festejo, sem adorno
ela nem me olha, pois
caso fosse, lhe olharia
e de volta sorrisos com
bocas, alegrias
lhe faria uma cura
nunca mais ela subiria
no ônibus triste
nem apagada ou carrancuda
irradiada e formosa seria
mulher da boca brilhosa
batom claro cor do dia
domingo, setembro 16, 2012
tem, mas acabou
por você
tenho muito
bem querer
tenho cafés
tenho amor
tem, mas acabou
pra você
umas cartas
umas chuvas
duas chagas
bem quis
toques, letras
por um tris
desfoquei
quis dizer
mas terminou
a porção
do amor
do apreço
dissolveu
tenho muito
bem querer
tenho cafés
tenho amor
tem, mas acabou
pra você
umas cartas
umas chuvas
duas chagas
bem quis
toques, letras
por um tris
desfoquei
quis dizer
mas terminou
a porção
do amor
do apreço
dissolveu
quinta-feira, setembro 13, 2012
Do Antigo à Zona Norte
quanto custam três poesias num engarrafamento bizonho?
cinquenta centavos, suponho
horas desperdiçadas ou ganhas, não importa
é música de gente morta,
buzina
incômodo e cinco metros de rima
nem a moto anda
sinal vermelho, poucas esquinas
fome
aff maria!
mais de uma hora pra sair da Rua da Guia
desisto
quero mergulhar nesse sms
texto numérico de longa, calma e cara poesia.
cinquenta centavos, suponho
horas desperdiçadas ou ganhas, não importa
é música de gente morta,
buzina
incômodo e cinco metros de rima
nem a moto anda
sinal vermelho, poucas esquinas
fome
aff maria!
mais de uma hora pra sair da Rua da Guia
desisto
quero mergulhar nesse sms
texto numérico de longa, calma e cara poesia.
quarta-feira, setembro 12, 2012
solstício
pés de pitanga e chão
pés de amêndoa e chão
pés de flor bunita e chão
é nem verão ainda
mas tá quente que só o cão
piso com cuidado
no tapete que me liberaram
canto dentro de mim
canção colorida
sinfonia de estação, de jardim.
pés de amêndoa e chão
pés de flor bunita e chão
é nem verão ainda
mas tá quente que só o cão
piso com cuidado
no tapete que me liberaram
canto dentro de mim
canção colorida
sinfonia de estação, de jardim.
terça-feira, setembro 11, 2012
retina
É segunda pela sétima
sétima não, setenta vezes sete vez
meu olho sonambulo viaja
num Morro da Conceição
com preguiça
procura alcançar o infinito
e segunda ninguém descansa
depois do sete de setembro
transeuntes são crianças
e correm nos meus olhos
vagos
desertos
cegos de segunda
sétima não, setenta vezes sete vez
meu olho sonambulo viaja
num Morro da Conceição
com preguiça
procura alcançar o infinito
e segunda ninguém descansa
depois do sete de setembro
transeuntes são crianças
e correm nos meus olhos
vagos
desertos
cegos de segunda
um chêro, xau
Meu coração tem medo
de dar a mão a palmatória.
Vais fazer falta, eufemismo
de já tô com saudade.
de dar a mão a palmatória.
Vais fazer falta, eufemismo
de já tô com saudade.
sábado, setembro 08, 2012
terça-feira, setembro 04, 2012
invade o escuro
na minha alma
erro sempre você
me engano te buscando
arrodiando os dias
chorando em parcelas
solos de pratos quebrados
no palco coração
a dor mira e acerta
já não se sabe ser
engano, se já não é
amanhã de manhã
toda torcida é
te ver e me sabotar
encontrar a resposta
na janela do navegador
sem te errar, meu alvo
na minha alma
erro sempre você
me engano te buscando
arrodiando os dias
chorando em parcelas
solos de pratos quebrados
no palco coração
a dor mira e acerta
já não se sabe ser
engano, se já não é
amanhã de manhã
toda torcida é
te ver e me sabotar
encontrar a resposta
na janela do navegador
sem te errar, meu alvo
quinta-feira, agosto 30, 2012
da psicose
medo da resposta e do acaso
medo move meio mundo
a mim paralisa
implica em porre
porradas no estômago
medo congela pés
petrifica o osso
esfria o suor
fecha o quarto
o email e peito
quem sabe
não haja antídoto
causa do medo:
efeito
medo move meio mundo
a mim paralisa
implica em porre
porradas no estômago
medo congela pés
petrifica o osso
esfria o suor
fecha o quarto
o email e peito
quem sabe
não haja antídoto
causa do medo:
efeito
receita e tal
como um bolo mágico
alquimia de cozinha e pia
minha angústia vira poesia
é uma palpitação no peito
que, eu não sei vocês, mas
em mim não há nada que
dê jeito
pílulas, cafés, caminhadas ou affairs:
tudo se sufoca, pedindo letras
rimas ricas ou pobres
meu coração choroso só sossega
quando vê seu sofrimento em
tradução, melando as linhas
machucando minha expressão
é que é danado de bom
ir esvaziando a vasilha
enchendo a forma do bolo
doce que é a vida
alquimia de cozinha e pia
minha angústia vira poesia
é uma palpitação no peito
que, eu não sei vocês, mas
em mim não há nada que
dê jeito
pílulas, cafés, caminhadas ou affairs:
tudo se sufoca, pedindo letras
rimas ricas ou pobres
meu coração choroso só sossega
quando vê seu sofrimento em
tradução, melando as linhas
machucando minha expressão
é que é danado de bom
ir esvaziando a vasilha
enchendo a forma do bolo
doce que é a vida
domingo, agosto 12, 2012
Agonia de amor
eu não devia
mas achei você
tudo pela agonia
que de dia ou de noite
assombra e aperta meu
peito e mente
eta aperto enjoado
pra acabar logo com
tudo, queria hoje
você ao meu lado
mudando minha faixa
trocando meus discos
nosso ritmo encaixa
deixando nossa música
na agonia de todo dia
rolar.
mas achei você
tudo pela agonia
que de dia ou de noite
assombra e aperta meu
peito e mente
eta aperto enjoado
pra acabar logo com
tudo, queria hoje
você ao meu lado
mudando minha faixa
trocando meus discos
nosso ritmo encaixa
deixando nossa música
na agonia de todo dia
rolar.
Poesia para o amor intenso
mirei e fui
nem confiei
dancei, dancei
dançamos
a noite foi salva
a cidade quem viu
o caminho era um filme
chegamos
como não vi a noite passar?
o quanto senti o coração acelerar?
desde quando ter não é ficar?
fomos nossos
eram tantos
incontáveis
guardei, mais que isso
prendi
prendi o amor no instante
agora danou-se
foi culpa da dança
a falta foi nossa
se eu não te encontrasse
não saberia dizer nunca
que de amor se sente
quando a mão procurando
segura
essa noite.
nem confiei
dancei, dancei
dançamos
a noite foi salva
a cidade quem viu
o caminho era um filme
chegamos
como não vi a noite passar?
o quanto senti o coração acelerar?
desde quando ter não é ficar?
fomos nossos
eram tantos
incontáveis
guardei, mais que isso
prendi
prendi o amor no instante
agora danou-se
foi culpa da dança
a falta foi nossa
se eu não te encontrasse
não saberia dizer nunca
que de amor se sente
quando a mão procurando
segura
essa noite.
sábado, julho 21, 2012
frieza
o balé do vento
brisa de moção
solidão
o sentido respira
dança, baila, suspira
ar do leste
cheiro de sertão
de gente boa
mato que balança
perfume da minha
janela
vento que me alcança
cama que flutua
se enche de gás
e some sem amor
brisa de moção
solidão
o sentido respira
dança, baila, suspira
ar do leste
cheiro de sertão
de gente boa
mato que balança
perfume da minha
janela
vento que me alcança
cama que flutua
se enche de gás
e some sem amor
terça-feira, julho 10, 2012
justa causa
não me lembro como é
fazer poesia, escrever
viver, me por em pé
deletaram de mim a rima
a linha reta e fina
do caderno, do papel
do moleco
falta de costume
perda de mania
abandono de serviço
demissão do ofício
me devolva meu direito
mente minha
me traga a palavra
imigrante
me faça empregada
palavra retirante
fazer poesia, escrever
viver, me por em pé
deletaram de mim a rima
a linha reta e fina
do caderno, do papel
do moleco
falta de costume
perda de mania
abandono de serviço
demissão do ofício
me devolva meu direito
mente minha
me traga a palavra
imigrante
me faça empregada
palavra retirante
domingo, julho 08, 2012
base
um sopro de sossego
o coração relaxa, descansa
a brisa da cidade fica mais
leve, saborosa, cinza
já tem onde os pés pousar
o solo de um corpo estranho
aterrizar, chegar num lugar
ver rostos que são seus
comemorar por isso
enfim, saber o que tem
sossegar
o coração relaxa, descansa
a brisa da cidade fica mais
leve, saborosa, cinza
já tem onde os pés pousar
o solo de um corpo estranho
aterrizar, chegar num lugar
ver rostos que são seus
comemorar por isso
enfim, saber o que tem
sossegar
terça-feira, junho 12, 2012
defeito de fábrica
inaugurei o amor
cortei seu laço vermelho
sorri pra todo mundo que
batia palmas e me sorria
no fingimento eterno de novidade
abri a caixa como se fosse surpresa
fiquei feliz com aquele pouquinho
que me deram
nunca esperei que fosse mais
afinal o presente é a expectativa
da mente e a minha sabe o que faz
como pede o figurino, fiquei feliz
brinquei com ele, andei na praça
tomei sorvete e até carinho fiz
mas a novidade do brinquedo acaba
a cor da caixa, do laço, da vida
fica feia, suja, desbotada
não era mais amor que ali estava
resolvi então comprar mais um
me animar e fazer desse novo
mais um brilhante, bonito, vistoso
amor de direto de fábrica
pra ver se dessa vez ele me cabe
e fica comigo por mais tempo, quem sabe...
cortei seu laço vermelho
sorri pra todo mundo que
batia palmas e me sorria
no fingimento eterno de novidade
abri a caixa como se fosse surpresa
fiquei feliz com aquele pouquinho
que me deram
nunca esperei que fosse mais
afinal o presente é a expectativa
da mente e a minha sabe o que faz
como pede o figurino, fiquei feliz
brinquei com ele, andei na praça
tomei sorvete e até carinho fiz
mas a novidade do brinquedo acaba
a cor da caixa, do laço, da vida
fica feia, suja, desbotada
não era mais amor que ali estava
resolvi então comprar mais um
me animar e fazer desse novo
mais um brilhante, bonito, vistoso
amor de direto de fábrica
pra ver se dessa vez ele me cabe
e fica comigo por mais tempo, quem sabe...
grafite
olhos verdes de desenho
fixos e indecifráveis no papel
linhas tortas de cabelo enrolado
misturando sorriso louco e dengo
me transfere pra sua mão
realinha minha cintura do
jeito que parece ser perfeito
traduz os códigos do corpo
refaz o instante depois
rasga o papel dos tratos
das regras e da verdade
só registra o que for bom
mas mantém a loucura
deixa escrito aí no desenho
inacabado como eu
rabisca bem fraquinho:
eu te quero
fixos e indecifráveis no papel
linhas tortas de cabelo enrolado
misturando sorriso louco e dengo
me transfere pra sua mão
realinha minha cintura do
jeito que parece ser perfeito
traduz os códigos do corpo
refaz o instante depois
rasga o papel dos tratos
das regras e da verdade
só registra o que for bom
mas mantém a loucura
deixa escrito aí no desenho
inacabado como eu
rabisca bem fraquinho:
eu te quero
segunda-feira, junho 04, 2012
imperfeição
como se sentir-se bem
fosse dar-se inteiro
com intensidade e sem limites
só há uma pessoa que conhece
"eu nunca vou amar ninguém de novo"
porque nunca há pensamentos
nesses momentos de insanidade mental
chamam de Transtorno da Ansiedade Animal
instantes inadmissíveis de felicidade frenética
dores e prazeres abusivamente positivos
como sentir-se bem
fosse dar-se pela metade
com o coração sempre dela
"eu só vou amar você"
porque os pensamentos são só dela
monopólio de atividades cerebrais
chama de Amor Mal Resolvido
é tanta doideira que nem sei.
mais bela das belas
a sensação era de limpeza
de alma, de amor, de mar
uma calma grande que
de tão grande me assanhava
o coração
fomos nós juntas por estradas
nuvens, paisagens, chuvas
ela bem dentro de mim
rítmica, pulsante, colorida
me dando força, saudade, coragem
difamaram seu nome
mal tratos, malefícios e tensão
não é você quem eu reconheço
minha casa, meu tudo, meu chão
guardo em mim aqueles dias
em que só amor era o que eu via
coisas boas, romances
nunca vi em ti escuridão
sexta-feira, maio 25, 2012
poema molhado
o cinza cobre o céu, é chuva
os garis com capa e luva
a gripe cobre os pulmões
e nas cabeças das crianças, gorrinhos
as poças se transbordam em pinguinhos
sapato molha e é uma zorra só
alguém reza pra que ninguém morra?
bota um blues, abaixa a luz e busca o outro
pra terminar bem quentinho
os garis com capa e luva
a gripe cobre os pulmões
e nas cabeças das crianças, gorrinhos
as poças se transbordam em pinguinhos
sapato molha e é uma zorra só
alguém reza pra que ninguém morra?
bota um blues, abaixa a luz e busca o outro
pra terminar bem quentinho
segunda-feira, abril 02, 2012
mãos de filme
a lembrança da pele nunca me falha
faltam palavras que me decifrem
como aquela boca que desceu
como aqueles pés devoradores
o filme dos meus folículos está passando
vejam quão lindo: músculos, desenhos e
curvas de cinturas
firmes mãos que passam, rolando
seios, beijos, desejos
é a exibição da memória da carne
ao vivo e aos berros
pra que a sessão não acabe
apaguemos as luzes e permaneça
a loucura rodopiante da sala
faltam palavras que me decifrem
como aquela boca que desceu
como aqueles pés devoradores
o filme dos meus folículos está passando
vejam quão lindo: músculos, desenhos e
curvas de cinturas
firmes mãos que passam, rolando
seios, beijos, desejos
é a exibição da memória da carne
ao vivo e aos berros
pra que a sessão não acabe
apaguemos as luzes e permaneça
a loucura rodopiante da sala
terça-feira, março 27, 2012
tortura
quantos erros cabem num segundo
ah deus, os desgraçados são como eu
e é por isso que tenho pena das pessoas
da velhinha no ponto, do maluco sujo,
do menino cheira cola
são todos eu-problema e desses eu
tenho muita muita pena
apesar de saber que há maldade
há violência e descrença
há amores desilusões valem a pena
e cabem no bolso, sorte da miséria
números de mega-sena
só o que cabe nos erros são segundos
deus eterno e todo poderoso vagabundo
ah deus, os desgraçados são como eu
e é por isso que tenho pena das pessoas
da velhinha no ponto, do maluco sujo,
do menino cheira cola
são todos eu-problema e desses eu
tenho muita muita pena
apesar de saber que há maldade
há violência e descrença
há amores desilusões valem a pena
e cabem no bolso, sorte da miséria
números de mega-sena
só o que cabe nos erros são segundos
deus eterno e todo poderoso vagabundo
domingo, março 25, 2012
sidarta
gemidos e sabores
são seus desejos embaixo
da minha pele
ah, se fosse pra sempre
os rios dessa cidade
teriam seu nome
seriam testemunhas
da tentação quente da gente
delicioso menino batuque
me acelera o corpo todo
vem todo dia
vem selando a vida
vem só fotografia
aquece e mostra o que
só você podia
me faz querer ser sua
tatuagem, mulher e orgia
fica mais dentro de mim
fica e entra porque
já é claro demais o dia
são seus desejos embaixo
da minha pele
ah, se fosse pra sempre
os rios dessa cidade
teriam seu nome
seriam testemunhas
da tentação quente da gente
delicioso menino batuque
me acelera o corpo todo
vem todo dia
vem selando a vida
vem só fotografia
aquece e mostra o que
só você podia
me faz querer ser sua
tatuagem, mulher e orgia
fica mais dentro de mim
fica e entra porque
já é claro demais o dia
semanal
domingo todo mundo tem angústia
é dia de chorar baixinho
vendo TV de noite
ou vomitar na cara da desilusão
melhor dia para suicídio
quando termina a alegria e
começa o medo de começar
se todo dia fosse domingo
a maldade teria asas e
pousaria sobre nossa s cabeças
latejantes da ressaca
mas domingo é só hoje
no expediente, toda dor morre
é dia de chorar baixinho
vendo TV de noite
ou vomitar na cara da desilusão
melhor dia para suicídio
quando termina a alegria e
começa o medo de começar
se todo dia fosse domingo
a maldade teria asas e
pousaria sobre nossa s cabeças
latejantes da ressaca
mas domingo é só hoje
no expediente, toda dor morre
sexta-feira, março 02, 2012
escapou
fugindo de você
traço passos em mim
lanço no porto mais longe
as moedas do poço sem desejo
corro sem você
desesperadamente feliz
esqueço que tinha boas bolhas
bobas alegrias no estômago
vejo esboço de flores
na velocidade da luz negra
que fode meus olhos com
tanta rapidez de iguais cores
entregues em lenços
seus pequenos lamentos
me afastaram correndo
não procuro voltar
sair é meu sossego
traço passos em mim
lanço no porto mais longe
as moedas do poço sem desejo
corro sem você
desesperadamente feliz
esqueço que tinha boas bolhas
bobas alegrias no estômago
vejo esboço de flores
na velocidade da luz negra
que fode meus olhos com
tanta rapidez de iguais cores
entregues em lenços
seus pequenos lamentos
me afastaram correndo
não procuro voltar
sair é meu sossego
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
a amante
amor decadente
paixão errante
dele e da cidade
castigada
irritante
preferia nada
a ter um monte
sentar à estrada
dormir mirando
horizonte
nos braços
quentes e ríspidos
relaxar seus
sonhos, futuros
distantes
oh cidade
na cama teu espaço
é o de amante
paixão errante
dele e da cidade
castigada
irritante
preferia nada
a ter um monte
sentar à estrada
dormir mirando
horizonte
nos braços
quentes e ríspidos
relaxar seus
sonhos, futuros
distantes
oh cidade
na cama teu espaço
é o de amante
terça-feira, janeiro 17, 2012
despertador
quando ela pega
pode ser noite, dia
com dor nas costas
quentes querendo
água fria
fechando os olhos
caindo como criança
em truques de magia
confunde, ludibria
te faz perder o sono
ao mesmo tempo que
te canta notas tardias
não se negue: ela bate
na ponta do lápis e grita
"abre, é poesia"
pode ser noite, dia
com dor nas costas
quentes querendo
água fria
fechando os olhos
caindo como criança
em truques de magia
confunde, ludibria
te faz perder o sono
ao mesmo tempo que
te canta notas tardias
não se negue: ela bate
na ponta do lápis e grita
"abre, é poesia"
domingo, dezembro 11, 2011
overdose
lá em casa é um lugar
com cheiro de sorriso
e textura de pessoa
dendê e atenção nas histórias
respeito aos mais velhos
guitarra baiana, molequeira
balanço sincero com ritmo
de coração acelerado
lágrima de nostalgia da mortalha
nota na voz malemolente e quente
lá em casa é gente
reconhecida pela voz
pela paixão e zelo
estado grande de solidão
mas a gente se encontra
e pra cada santo faz apelo
que não nos tire nunca ardência
nem pimenta nem malemolência
com cheiro de sorriso
e textura de pessoa
dendê e atenção nas histórias
respeito aos mais velhos
guitarra baiana, molequeira
balanço sincero com ritmo
de coração acelerado
lágrima de nostalgia da mortalha
nota na voz malemolente e quente
lá em casa é gente
reconhecida pela voz
pela paixão e zelo
estado grande de solidão
mas a gente se encontra
e pra cada santo faz apelo
que não nos tire nunca ardência
nem pimenta nem malemolência
terça-feira, dezembro 06, 2011
jogatina
desde 1993
te quero
tínhamos 15
hoje 33
no nosso jogo
nosso preço
peças de xadrez
te ganhei
amei
até dias mais tardes
ter seu não
vencendo, sendo
meu disparate
cheque mate
perdemos aos 23
de qualquer outro tempo
segunda-feira, dezembro 05, 2011
tríade
eu amo vocês
uma declaração
a nós três
registrada na
cartografia do
meu coração
para a comunhão
total do nosso
bem, que
assim sejam
meus os
sentimentos
que tens
eu, tus, vocês
divididos e
unidos num
só coração
nós, os três
quinta-feira, dezembro 01, 2011
venci?
de tanto pensar ganhei
ganhei uma dor de cabeça nos olhos
um monte de fumaça saindo
pálpebras embaçadas e inquietude
eu prefiro vidas complicadas
coisa de espiritismo regredindo
dentro é tanta confusão
que nem a profusão de pessoas
incomoda tanto: elas não me veem
eu não as vejo e tá tudo combinado
só não tá certo o primeiro parágrafo
nunca ganhei nada, nunca arrisquei nada
levei boas palmadas da vida
calos, dores e feridas foi tudo o que arranjei
confesso: o problema é todo eu
ganhei uma dor de cabeça nos olhos
um monte de fumaça saindo
pálpebras embaçadas e inquietude
eu prefiro vidas complicadas
coisa de espiritismo regredindo
dentro é tanta confusão
que nem a profusão de pessoas
incomoda tanto: elas não me veem
eu não as vejo e tá tudo combinado
só não tá certo o primeiro parágrafo
nunca ganhei nada, nunca arrisquei nada
levei boas palmadas da vida
calos, dores e feridas foi tudo o que arranjei
confesso: o problema é todo eu
domingo, novembro 20, 2011
finado
é feriado aqui perto
sem sofrer e sem sofá
a vida passa feito
relógio cuco des-pertador
dentro daqui é furado
a água sai pelo buraco
dormir uma esperança
que o pescoço descanse, decreto!
supermercado de emoções
abra amanhã porque é feriado
precisaremos decerto
de feijões e corações
sem sofrer e sem sofá
a vida passa feito
relógio cuco des-pertador
dentro daqui é furado
a água sai pelo buraco
dormir uma esperança
que o pescoço descanse, decreto!
supermercado de emoções
abra amanhã porque é feriado
precisaremos decerto
de feijões e corações
domingo, novembro 13, 2011
ruído
igual ao ano passado
quando o coração fervia
a sua espera
tudo o que sentia
tirava o fôlego
igual a cantar Etta James
subir a ladeira
te querer
no final desse ano
vai ser final da solidão
ou da espera
ou seu fim
do disco que acaba
com ruído de risco
igual seu nome
na minha poesia
quando o coração fervia
a sua espera
tudo o que sentia
tirava o fôlego
igual a cantar Etta James
subir a ladeira
te querer
no final desse ano
vai ser final da solidão
ou da espera
ou seu fim
do disco que acaba
com ruído de risco
igual seu nome
na minha poesia
segunda-feira, novembro 07, 2011
quinta-feira, novembro 03, 2011
podreira
calo enquanto meus calos
falam uma dor aguda
sangue saído da verruga
são os meus podres
falo pra tirar minha culpa
esfoliando com água a pele falida
limpando a crosta esfregando
espalhando folículo de nojura
no ralo peles, lodos,calos
a superfície estranha a mim
é parte da poeira suja
de boca podre, de carne dura
falam uma dor aguda
sangue saído da verruga
são os meus podres
falo pra tirar minha culpa
esfoliando com água a pele falida
limpando a crosta esfregando
espalhando folículo de nojura
no ralo peles, lodos,calos
a superfície estranha a mim
é parte da poeira suja
de boca podre, de carne dura
segunda-feira, outubro 31, 2011
tradução
observar
outros se rasgarem
seu deus dormir
boca no beijo
assistir o ônibus
passear
mão subir
fila andar
fumaça e nariz
acompanhar
dedos de ogan
pés a marcar
alisar
flores que se
oferecem
ofício de sofredor
de parar o tempo
sagrado
numa folha
outros se rasgarem
seu deus dormir
boca no beijo
assistir o ônibus
passear
mão subir
fila andar
fumaça e nariz
acompanhar
dedos de ogan
pés a marcar
alisar
flores que se
oferecem
ofício de sofredor
de parar o tempo
sagrado
numa folha
sexta-feira, outubro 28, 2011
non stop
caminhos para o mundo
são curtinhos
audaciosos e atrevidos
tem bastante solidão
alucinações neles
soltos na buraqueira
da vida formosa
mostrando o sol de Olinda e
os relógios atrasados do Fórum
a certidão de chegar
o asfalto da felicidade
tá feito!
rindo feito besta
na cidade sem eira
Beira-Rio
Ribeira
apaga a solidão e
escreve novamente na areia
IMENSIDÃO
quarta-feira, outubro 26, 2011
profecia
enquanto aqui o mundo gira
me pergunto o que ele faz
parado procurando o tempo
com fotografias e aviões fúteis
tão mais interessante as músicas
que canto de noite na sala vazia
dele bem mais que as
notícias da TV muda e dos sites
colombianos ridículos
vem tomar café aqui em casa!
tem umas revistas rasgadas e
um tapete pro nosso futuro
cachorro
tem mel e queijo
no meio da noite, um beijo
seu mundo vai acabar
corre, vem pro meu
os blogueiros não mentem
aqui no quarto tem incenso
e a gente pode andar de metrô
em Recife nos fins de semana
ao menos que seja melhor
ter um sofá de couro e comer
duas horas antes do mundo
as ambulâncias ainda gritam
meu peito te chama baixinho
desliga o som e deixa música
sem o final do te amo
me pergunto o que ele faz
parado procurando o tempo
com fotografias e aviões fúteis
tão mais interessante as músicas
que canto de noite na sala vazia
dele bem mais que as
notícias da TV muda e dos sites
colombianos ridículos
vem tomar café aqui em casa!
tem umas revistas rasgadas e
um tapete pro nosso futuro
cachorro
tem mel e queijo
no meio da noite, um beijo
seu mundo vai acabar
corre, vem pro meu
os blogueiros não mentem
aqui no quarto tem incenso
e a gente pode andar de metrô
em Recife nos fins de semana
ao menos que seja melhor
ter um sofá de couro e comer
duas horas antes do mundo
as ambulâncias ainda gritam
meu peito te chama baixinho
desliga o som e deixa música
sem o final do te amo
sexta-feira, outubro 14, 2011
do muito em mim
ela me chama todo dia
como chegava na janela
dizendo que era hora de
parar a brincadeira
chorosa, eu quero ficar
mais um pouco, só pra
terminar o baleô, o onoum
as mãos no queixo cansado
a voz tão linda diferente da minha
que me chama agora com mais
apelo, carinho, zelo: Sobe menina! Já chega, volta logo dessa brincadeira.
ela nem sabe porque todo dia me
aperta o peito e dá vontade de
chorar embaixo do chuveiro
de levá-la comigo pra proteger
ela sabe tudo só não sabe que
muito do que a gente queria era
guardá-la numa caixinha de
enfeitar noites e tornar tudo
calmo, forte, rosa e mãe
como chegava na janela
dizendo que era hora de
parar a brincadeira
chorosa, eu quero ficar
mais um pouco, só pra
terminar o baleô, o onoum
as mãos no queixo cansado
a voz tão linda diferente da minha
que me chama agora com mais
apelo, carinho, zelo: Sobe menina! Já chega, volta logo dessa brincadeira.
ela nem sabe porque todo dia me
aperta o peito e dá vontade de
chorar embaixo do chuveiro
de levá-la comigo pra proteger
ela sabe tudo só não sabe que
muito do que a gente queria era
guardá-la numa caixinha de
enfeitar noites e tornar tudo
calmo, forte, rosa e mãe
quinta-feira, outubro 13, 2011
a doçura da felicidade
cócegas na boca
são brigadeiros
encontrando a saliva
fazendo rir o corpo
inteiro
atingem o cérebro
como morteiro
o efeito na barriga
é feito no prazer
no sorriso com dente
preto
cheio de graça e doce
ave maria como é bom!
alegria nas paredes
brigadeiros no sorriso
segunda-feira, outubro 10, 2011
um poema em cada árvore
Um poema em cada árvore (13ª edição) é um projeto do Instituto Psia que reúne poetas de diversos estados no Brasil nas árvores de Governador Valadares (MG). Para saber mais, veja.
terça-feira, outubro 04, 2011
mais do mesmo
muito revolucionário exatamente quando
o pensamento vem no transporte público
quando a vontade de mudar tudo transborda
produzindo um monte de tópicos para
"o que fazer amanhã de manhã"
ousado demais o comportamento de olhar
por entre as frestas dos braços brancos
mirando as pernas grossas de alguém
que usa óculos e segura um guarda-chuva
desviar os sinais do corpo é mais seguro
surpreendente encontrar um confeito
no bolso de trás da calça jeans lavado
adoçando o longo caminho de casa
faz em vinte minutos quando não tem
trânsito na avenida principal da escola
adoçando, surpreendendo, revolucionando
as noites repetidas com banhos quentes
pés descalços, chocolates e músicas de tv
o pensamento vem no transporte público
quando a vontade de mudar tudo transborda
produzindo um monte de tópicos para
"o que fazer amanhã de manhã"
ousado demais o comportamento de olhar
por entre as frestas dos braços brancos
mirando as pernas grossas de alguém
que usa óculos e segura um guarda-chuva
desviar os sinais do corpo é mais seguro
surpreendente encontrar um confeito
no bolso de trás da calça jeans lavado
adoçando o longo caminho de casa
faz em vinte minutos quando não tem
trânsito na avenida principal da escola
adoçando, surpreendendo, revolucionando
as noites repetidas com banhos quentes
pés descalços, chocolates e músicas de tv
quinta-feira, setembro 29, 2011
poesia após a morte
quem sempre te salvou foi a poesia
nas horas mais doces ou em que a
dor no mais profundo vinha e doía
era lá que as palavras ganhavam
função de aliviar fortes sinapses
acalantar a ferida como merthiolate
ardendo no início, sarando no fim
te pegando pela mão e te levando
a passeio na praia de jacumã igual
quando você cantava pra esquecer
fazia alto tão alto que alegrava a si
ela borra seu batom com lágrima
regenera a pele crequenta de sofrer
foi e será a poesia sua redenção:
senta então pensa e termina a oração
nas horas mais doces ou em que a
dor no mais profundo vinha e doía
era lá que as palavras ganhavam
função de aliviar fortes sinapses
acalantar a ferida como merthiolate
ardendo no início, sarando no fim
te pegando pela mão e te levando
a passeio na praia de jacumã igual
quando você cantava pra esquecer
fazia alto tão alto que alegrava a si
ela borra seu batom com lágrima
regenera a pele crequenta de sofrer
foi e será a poesia sua redenção:
senta então pensa e termina a oração
segunda-feira, setembro 26, 2011
imagem do dia
ela quer ver aquelas ladeiras
com paredes de grafite bonito
e as ondas do mar balançando
como os cabelos dele por sobre
seu peito nu e rígido de amores
ela quer ter o cheiro de acará
dançar, pular até doer a panturrilha
chamar de seu o homem das finas
linhas e mãos pequenas roliças
sentir o sol que sorri em cada
guri da esquina da Pituba à Barra
andar nos museus sem deixar de ver
os pretos que miram o tempo parar
sentir seu chão, seu céu, seu pão
se achar com tudo seu que ficou
com paredes de grafite bonito
e as ondas do mar balançando
como os cabelos dele por sobre
seu peito nu e rígido de amores
ela quer ter o cheiro de acará
dançar, pular até doer a panturrilha
chamar de seu o homem das finas
linhas e mãos pequenas roliças
sentir o sol que sorri em cada
guri da esquina da Pituba à Barra
andar nos museus sem deixar de ver
os pretos que miram o tempo parar
sentir seu chão, seu céu, seu pão
se achar com tudo seu que ficou
segunda-feira, setembro 19, 2011
sonhos de uma noite de amanhã
tinha sede nos músculos
ardência nas peles duras
antes de você era um
pequeno e gostoso suspiro
nas noites em Minas Gerais
tinha umas loucuras matinais
pular muro, voar e dar
aí depois veio você
e deu uma vontade de receber
de ter e ficar só isso por um tempo
nunca mais você foi de mim
aqui toda noite fico eu sem
naqueles longos beijos nem
ardência nas peles duras
antes de você era um
pequeno e gostoso suspiro
nas noites em Minas Gerais
tinha umas loucuras matinais
pular muro, voar e dar
aí depois veio você
e deu uma vontade de receber
de ter e ficar só isso por um tempo
nunca mais você foi de mim
aqui toda noite fico eu sem
naqueles longos beijos nem
sábado, setembro 17, 2011
morena de yemanjá
falar mansinho na diplomacia
rezar baixinho e dar um abraço
com um tapinha nas costas
sorrir demorado e sempre dizer obrigado
tomar café e chupar picolé de Seu Luís
furar onda e amar o mar com suas algas
verdes e vivas iguais as contas de mamãe Zeca
aprendi com ela: mansa, elegante, singela
D. Francisca, a mulher primeira dentre as 7
a morena mais chic, sincera, humilde e bela
das margens azuis e salgadas do Rio Vermelho
rezar baixinho e dar um abraço
com um tapinha nas costas
sorrir demorado e sempre dizer obrigado
tomar café e chupar picolé de Seu Luís
furar onda e amar o mar com suas algas
verdes e vivas iguais as contas de mamãe Zeca
aprendi com ela: mansa, elegante, singela
D. Francisca, a mulher primeira dentre as 7
a morena mais chic, sincera, humilde e bela
das margens azuis e salgadas do Rio Vermelho
quinta-feira, setembro 15, 2011
sede de mudança
nada de importante
é só poesia pra mudar
fazer algo diferente
de noite lá em casa
não há nada de revolução
letras agarradas na tecla
transpostas da cabeça aos pés
é o que me chama, é o que são
nada novo a gente pediu
só imaginou que podia ser
a voz do lado confirmou
você nunca fez nada, viu
nem relevante você é
nunca leu Dostoiévsk
nem nenhum Romeu foi seu
chame isso do que quiser
é tudo menos o que querem ser de grande e infinita poesia
com açúcar e união
vamo juntar tudo
sua mão na minha
o refrão e a primeira linha
nossa solidão
vamo arrochar o guarda-roupa
afastar do copo minha escova
juntar nosso sofrido amor
traz um pouquinho de quentura
do desejo por mim bastante usura
e não me leve a mal
só quero que me pegue
e juntos pelo fim da distância
façamos a tal atração fatal
quarta-feira, setembro 14, 2011
last night you were there
espero a água do ralo descer
e com muita paciência
listo na geladeira
tudo que tenho pra fazer
deixo a profusão dos versos
atropelarem as louças na pia
e corro pro papel secar minha
mão com sabão e escrever de noite
atrapalho tudo dentro de mim
e ajo como se não houvesse eu
amanhã de manhã no expediente
os fantasmas do meu quarto esperam
enquanto eu ouço mais uma música
e penso que aquele menino me quer
alguém me disse que ficava sincera
quando escrevia ou bebia ou ria
já se foi toda a água e voltamos
juntos ao ralo de partida
cumpri a lista e amanhã meio dia
te direi o quanto te amo assim
meio como quando não queria
diálogo de um
se eu chamar
você vem, será
na manha
na minha
sem demorar
quero bombons
e bons beijos
demorados em mim
chegue aqui comigo
veja, sem pudor
as silhuetas e curvas
que a gente junto faz
me diz que vem e vai
chega no ouvido e me confunde
deixa que eu gosto, me iludo
como chamar pra comer é dúbio
você vem, será
na manha
na minha
sem demorar
quero bombons
e bons beijos
demorados em mim
chegue aqui comigo
veja, sem pudor
as silhuetas e curvas
que a gente junto faz
me diz que vem e vai
chega no ouvido e me confunde
deixa que eu gosto, me iludo
como chamar pra comer é dúbio
terça-feira, setembro 13, 2011
termina
as dores do dia
um mundo de dedos
dos pés que calejo
ralando nas pedras
divago andando
que diabos fazem as pessoas?
devoram dados
descontam dívidas
escondem medos
decoram vasos
não andam como eu
não pedem, mandam
e os dias recorrem
terminam cansados
doridos e magoados
no quarto que é meu
um mundo de dedos
dos pés que calejo
ralando nas pedras
divago andando
que diabos fazem as pessoas?
devoram dados
descontam dívidas
escondem medos
decoram vasos
não andam como eu
não pedem, mandam
e os dias recorrem
terminam cansados
doridos e magoados
no quarto que é meu
terça-feira, agosto 30, 2011
ouro besouro
o que vale a pena?
corridas na praia
dias de sorvete
beijos na boca
feijão aos domingos
risada dos meninos
baba no campo
aulas de tango
bolo de chocolate
banho de mar
vale ouro de mina
um pote de sonho
acorda, menina!
quinta-feira, agosto 25, 2011
boas tardes
queria era
umas tardes
vazias
pra ver tv
comer pipoca doce
ouvir novela na cozinha
sozinha
com meus
questionamentos ao espelho
falando às paredes
varrendo a casa
cortando as flores
retocando o canto
da casa de vermelho
tardes com melodias
de mãe que leva no médico
e depois te compra um doce
pra distrair
vazias de sons
cheias de amor
com ventinho frio
e café quentinho
era de uma tarde dessa
que minhas costas e coração
precisam
segunda-feira, agosto 15, 2011
desengarrafei
parei de me ofender
me agredi
e deixei o acaso
tomar conta
botar no colo
pra dormir
fui largando as frescuras
sentindo o gosto
da manga purinha
cantando uns sembas
tangos, ladainhas
me deixando de mão
ao sabor cítrico do vento
vendo homens no bar
argumentos
só deixando
soltando sentimentos
chupando mentos
e refrescando
o bom da vida
chegadas, muitas
e mais ainda: partidas
quarta-feira, agosto 10, 2011
criatura minha
deixe de maresia
e vem
vem ser minha
criaturinha
me abraça e jura
que nenhuma dor
ou agrura
vai tirar minha
mão da tua
esquece o medo
e hoje, a lua
repare a noite
foto da vida
surpresa metida
só minha e tua
quarta-feira, julho 27, 2011
memória cheia
detesto esquecer
ave maria!
como é ruim procurar
e se perder
chamar por alguém
aquele nome de certeza
e a pessoa não responder
procurar o lugar
e não encontrar
sendo que
"já estive lá..."
antes
durantes
memória ruim
me invejam os elefantes
bonito é
quando estás sentado
esperando
no meio tempo
pensando
posso estar no lugar errado
com a bunda fincada
em perfeito quadrado
enquanto
se pega pensando
"porque diabos
não trouxe anotado
se tivesse lembrado"
lembraria do lugar
oras!
e não resmungaria
ou fantasiaria apavorado
o maior vexame do mundo
parado, tentando se desculpar
frustrado querendo esquecer
o que deu errado
quinta-feira, julho 21, 2011
enrola a ação
muito lero
pouca lira
muito cheiro
pra pouca comida
fala fala fala
e diz nada
pra que dizer
se o importante
que é fazer
não se concretiza?
dá nos nervos
martiriza
aborrece
irrita
fecha a boca, porra!
e mãos à obra
agiliza
domingo, julho 17, 2011
memórias saborosas de um olfato
flores roxas
alfazemas doces
são os ventos
que carregam
o fino traço
ao olfato
essências puras
amoras cítricas
maduras
vem penetrando
em mim e
sem pedir ou insistir
já está dentro
suavemente trazendo
cheiro de memória
sabor de tempo
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