segunda-feira, setembro 19, 2011

sonhos de uma noite de amanhã

tinha sede nos músculos
ardência nas peles duras
antes de você era um
pequeno e gostoso suspiro
nas noites em Minas Gerais
tinha umas loucuras matinais
pular muro, voar e dar
aí depois veio você
e deu uma vontade de receber
de ter e ficar só isso por um tempo
nunca mais você foi de mim
aqui toda noite fico eu sem
naqueles longos beijos nem

sábado, setembro 17, 2011

morena de yemanjá

falar mansinho na diplomacia
rezar baixinho e dar um abraço
com um tapinha nas costas
sorrir demorado e sempre dizer obrigado
tomar café e chupar picolé de Seu Luís
furar onda e amar o mar com suas algas
verdes e vivas iguais as contas de mamãe Zeca
aprendi com ela: mansa, elegante, singela
D. Francisca, a mulher primeira dentre as 7
a morena mais chic, sincera, humilde e bela
das margens azuis e salgadas do Rio Vermelho

quinta-feira, setembro 15, 2011

sede de mudança

nada de importante
é só poesia pra mudar
fazer algo diferente
de noite lá em casa

não há nada de revolução
letras agarradas na tecla
transpostas da cabeça aos pés
é o que me chama, é o que são

nada novo a gente pediu
só imaginou que podia ser
a voz do lado confirmou
você nunca fez nada, viu

nem relevante você é
nunca leu Dostoiévsk 
nem nenhum Romeu foi seu
chame isso do que quiser

é tudo menos o que querem ser de grande e infinita poesia


com açúcar e união

vamo juntar tudo
sua mão na minha
o refrão e a primeira linha
nossa solidão
vamo arrochar o guarda-roupa
afastar do copo minha escova
juntar nosso sofrido amor
traz um pouquinho de quentura
do desejo por mim bastante usura
e não me leve a mal
só quero que me pegue
e juntos pelo fim da distância
façamos a tal atração fatal

quarta-feira, setembro 14, 2011

last night you were there

espero a água do ralo descer
e com muita paciência
listo na geladeira
tudo que tenho pra fazer
deixo a profusão dos versos
atropelarem as louças na pia
e corro pro papel secar minha
mão com sabão e escrever de noite
atrapalho tudo dentro de mim
e ajo como se não houvesse eu
amanhã de manhã no expediente

os fantasmas do meu quarto esperam
enquanto eu ouço mais uma música
e penso que aquele menino me quer
alguém me disse que ficava sincera
quando escrevia ou bebia ou ria
já se foi toda a água e voltamos
juntos ao ralo de partida
cumpri a lista e amanhã meio dia
te direi o quanto te amo assim
meio como quando não queria


diálogo de um

se eu chamar
você vem, será
na manha
na minha
sem demorar
quero bombons
e bons beijos
demorados em mim
chegue aqui comigo
veja, sem pudor
as silhuetas e curvas
que a gente junto faz
me diz que vem e vai
chega no ouvido e me confunde
deixa que eu gosto, me iludo
como chamar pra comer é dúbio





terça-feira, setembro 13, 2011

termina

as dores do dia
um mundo de dedos
dos pés que calejo
ralando nas pedras
divago andando
que diabos fazem as pessoas?
devoram dados
descontam dívidas
escondem medos
decoram vasos
não andam como eu
não pedem, mandam
e os dias recorrem
terminam cansados
doridos e magoados
no quarto que é meu

terça-feira, agosto 30, 2011

ouro besouro

o que vale a pena?
corridas na praia
dias de sorvete
beijos na boca
feijão aos domingos
risada dos meninos
baba no campo
aulas de tango
bolo de chocolate
banho de mar
vale ouro de mina
um pote de sonho
acorda, menina!


quinta-feira, agosto 25, 2011

boas tardes

queria era
umas tardes
vazias
pra ver tv
comer pipoca doce
ouvir novela na cozinha
sozinha
com meus
questionamentos ao espelho
falando às paredes
varrendo a casa
cortando as flores
retocando o canto
da casa de vermelho
tardes com melodias
de mãe que leva no médico
e depois te compra um doce
pra distrair
vazias de sons
cheias de amor
com ventinho frio
e café quentinho
era de uma tarde dessa
que minhas costas e coração
precisam


segunda-feira, agosto 15, 2011

desengarrafei

parei de me ofender
me agredi
e deixei o acaso
tomar conta
botar no colo
pra dormir
fui largando as frescuras
sentindo o gosto
da manga purinha
cantando uns sembas
tangos, ladainhas
me deixando de mão
ao sabor cítrico do vento
vendo homens no bar
argumentos
só deixando
soltando sentimentos
chupando mentos
e refrescando
o bom da vida
chegadas, muitas
e mais ainda: partidas

quarta-feira, agosto 10, 2011

criatura minha

deixe de maresia
e vem
vem ser minha
criaturinha
me abraça e jura
que nenhuma dor
ou agrura
vai tirar minha
mão da tua
esquece o medo
e hoje, a lua
repare a noite
foto da vida
surpresa metida
só minha e tua

quarta-feira, julho 27, 2011

memória cheia

detesto esquecer
ave maria!
como é ruim procurar
e se perder
chamar por alguém
aquele nome de certeza
e a pessoa não responder
procurar o lugar
e não encontrar
sendo que
"já estive lá..."
antes
durantes
memória ruim
me invejam os elefantes
bonito é
quando estás sentado
esperando
no meio tempo
pensando
posso estar no lugar errado
com a bunda fincada
em perfeito quadrado
enquanto
se pega pensando
"porque diabos
não trouxe anotado
se tivesse lembrado"
lembraria do lugar
oras!
e não resmungaria
ou fantasiaria apavorado
o maior vexame do mundo
parado, tentando se desculpar
frustrado querendo esquecer
o que deu errado

quinta-feira, julho 21, 2011

enrola a ação

muito lero
pouca lira
muito cheiro
pra pouca comida
fala fala fala
e diz nada
pra que dizer
se o importante
que é fazer
não se concretiza?
dá nos nervos
martiriza
aborrece
irrita
fecha a boca, porra!
e mãos à obra
agiliza

domingo, julho 17, 2011

memórias saborosas de um olfato

flores roxas
alfazemas doces
são os ventos
que carregam
o fino traço
ao olfato
essências puras
amoras cítricas
maduras
vem penetrando
em mim e
sem pedir ou insistir
já está dentro
suavemente trazendo
cheiro de memória
sabor de tempo

quinta-feira, julho 14, 2011

toc toc

é a poesia!
que traz tudo
o que não queria
uma saudade doída
aquele beijo de partida
traz os lençóis
chuva
chocolate
bebida
casaco
caracóis
a voz incessante
que grita
pedindo escrita
atenção, apelo
nesse jogo
de amores
perdidos, despidos
à minha beira
com os mesmos
queira ou não queira
me toma nos braços
enfeitiça num balanço
e apesar do contraponto
me deixo conduzir
por tanto

quinta-feira, julho 07, 2011

presente do momento

se é pra dá
poesia eu vou
devagar e leve
levo vestidos
arrancados
petiscos
pra escrever depois
vamos nos
marcar o instante
último momento
quente latente
chama que é bom
e dá nisso
colo cama e poesia

segunda-feira, julho 04, 2011

.

oxente pulei as folhas!
esqueci delas, mas
vem na mente
um palavriado bom
chique e retado
só pra preencher
o espaço
formar versos
ligar os laços
pisando nas folhas
borrando as bolhas
mesmo sem rimar
e vamos aprumar!
perna
tapete
traveco
escrevendo a esmo
que nem analfabeto
procurando o
que não há
de se encontrar
agora é terminar
pois o papel está completo

quinta-feira, junho 30, 2011

curtinha

poesia que eu queria
ter feito
são como tiros certeiros
no peito
eu vendo a mim sobre
meu leito
morte certa que não mais
rejeito

quarta-feira, junho 29, 2011

precipitação

prefiro lágrimas em vão
a sorriso precipitado
não porque goste de sofrer
mas a lágrima é mais fácil
de apagar
o gosto do sorriso é salgado
e chega a amargar
quando se é dado sem permissão
sorriso amarelo, este então
é o que não suporto esboçar
e de choros antecipados
vou vivendo, explodindo cada
instante com a chuva de olhar
é mais tranquilo pra mim
que ainda tenho muito pra chorar

terça-feira, maio 31, 2011

turbilhão

As palavras que colocas na expressão do teu rosto
Fazem-me beber os silêncios que me contas
Gestos, indefinidos, decifram o bater de um coração agitado
Gostar de ti não é tão simples assim
Mas na verdade não se torna complexo, quando sentido
Com o teu jeito, a cada dia me mostras que é possível viver sem ti
Mas não o que me faz feliz, e completa, inteira e intensa, composta por pedaços não inteiramente meus


poesia de Cátia Gomes

sábado, maio 28, 2011

poema para um grande amor

se apaixonar por uma cidade
se emocionar com seus sons
sentir saudade das ladeiras
dos jogos ordinários dela

caoticidade das pessoas
sorriso do sol a presentear
paredes que são seu retrato

enamorar-se a um lugar
falar dele noite e dia
com lágrima na garganta
vibrato de amor

as vidas foram unidas
pelos atabaques do coração
pela brisa fresca do poeta
pelo vulto dos casarões encantados

de tanto estar em você
a cidade também te ama
e te envolve com ciúme
relacionamento cosmopersonal

dança das paredes, do asfalto
é o amor entre um solo e uma
multidão, entre alguém e sua criação

quinta-feira, maio 26, 2011

traquejo

para apreciar o sol pestanejo
e se quero nas ondas andar
me deito e aqueço meu corpo
a elas, linhas do lençol equador

se quiser me amparar, bocejo
elejo um dia da semana e sem
gracejo tomo a atitude correta
as dores engulo com pedaços de queijo

meio enrolada percebo
que nada me falta
mas que a alegria
que tinha antes traquejo
me foge das mãos
tal qual inquieto brinquedo

domingo, maio 15, 2011

murrinha

solidão é se ver no espelho
só lodo, bafo e mancha
sozinho com mil amigos
adicionados no condicionador
três dormem contigo
mas os mesmos três sós

olhar pra você é nojo
sentir esse cheiro, entojo
ferida, ranho e calo
isso é cheio de solidão
espumas limpas no ralo
é assim que se é só

sábado, maio 14, 2011

_____________________________navalha da trsiteza

aprendi a me rasgar por dentro
me ferir sozinha
entranhas minhas
a sorrir calada com lágrima
entalada com a garganta doída
aprendi a me cortar louca
e depois limpar meu sangue
com o sal da minha língua
vendo todos olharem
pensando que sou bem
que tenho e bem vou
a tristeza quem me ensinou
se digo hoje eu sei



terça-feira, maio 10, 2011

drinks

quando bebo te preciso
choro até ficar sã
quando bebo além de rodar
me coração te quer com afã
de quem ama e não tem
sensação de
rimem!

segunda-feira, maio 09, 2011

alguns poucos olhos

as pessoas veem dores
veem bichos, hospitais
amores
as pessoas veem o que querem
eu quero que você me veja
me olhe com olhos tranquilos e meus
mas as pessoas veem medo
veem vela e dedo
eu é que sempre te vejo
de tanto olhar fico tesa
e ao me despedir
impeço o que me deseja

sábado, abril 30, 2011

laia

as melodias
que você me ofereceu
ficaram gravadas
e não há como apagar
os momentos marcaram
os minutos no meu relógio
te trouxeram de bandeja
me deixaram louca
e acabou
deixa aparecer
deixa vir outros dias
me dá tudo o que deseja
que você seja

sábado, abril 16, 2011

novo

bunitas as placas de lá
miragem de lugar
ah, como é bom se perder
e te encontrar
não ter ninguém a ligar
resmungar
implorar

bunitas as meninas de lá
meninos num inconstante piscar
são os donos da rua
das moças todas nuas



terça-feira, abril 05, 2011

criação

às vezes te vejo sorrindo
cantando, vindo
preenchendo meu humor
me confundindo
sempre sinto você
pegando, amando
sentindo
queria que estivesse
fingindo, criticando
mentindo
mas tudo foi real
e me sinto amando
gritando, caindo
nessa invenção de nós dois
por favor pare
estou resistindo


sábado, março 19, 2011

balanço

sensação de gangorra
quem empurra sente?
voar rápido, tente
pegar o céu antes que ele corra

que balanço sensacional
é mais que a gente
mais que dois, plural
uma viagem recorrente

faz cócegas à cabeça
tonturas na boca do estômago
e antes que me esqueça
faz um bem danado

quinta-feira, março 10, 2011

diária

todo dia um
todo dia só
todo dia som

todo dia dor
todo dia odor
todo dia amor

todo dia oro
choro
horror

quarta-feira, março 09, 2011

como vem

poesia nasce sozinha
e não adianta pensar
em temas, vivências, dilemas
aí sim ela não vem

vem sem medo
na loucura, na cama
se fazendo segredo
não chames, ela não vem

tem vontade própria
cresce involuntária
no peito, insólita
poesia não é bebê
vem sem a gente saber



sábado, fevereiro 26, 2011

lá (ou quando eu for)

quando eu for
prepare a cama, lençol, amor
deixe o xale, café, fervor
tudo para quando eu for

limpe a sala,
o jardim, o peito
será nosso dia, nosso altar
nosso leito
prepare tudo, meu amor
tudo para quando eu for

aquele som, o vinho, a flor
feche a porta, a cortina,
e o calor
tudo ao redor sorrirá, me prometa
por favor
prepare tudo e estarei linda
em tudo para quando eu for

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

doído

E nesses dias me ponho a chorar
pra dentro, que não sou mulher
diz sempre meu homem interno
a implorar
sufocar

Às vezes me pinga o suor
tentando dizer que é lágrima
ah, sai pra lá
não tenho nada a dar
resmungar

É momento secular
onde o que era eu sai
e pra fora vai
levanta, criatura
homem não cai
nem muito menos
pretende chorar

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

três

coração de dois
nunca fui única
exclusiva
especial

estava ali
e pensava noutro
parecia que o que tinha
cada vez mais
era pouco

me dê seus amor
os dois, ambos
bons, ocos
quero dois
um amor é pouco

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

acidades

não são as luzes da cidade
mas os faróis que me assustam
os homens não sabem o que é bom

as rimas não vem
falsidades da cabeça
ao cérebro convém

entre um verso e outro penso
e dispenso apresentações
não quero sonetos, nem canções

não são as cidades que me assustam
são as pessoas que caminham
e não me dão referência, inspiram
aff, que maledicência

outro verso e penso
que não sei fazer nada
preciso caminhar de cabeça
me jogar pra pêndulo

desconsidere essa mistura grotesca

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

pedido

toda volta angustia
então volta
vem meio dia

traz bolos, cores, amores
volta a me dar calafrios
risos frouxos, merendas
assobios

nossa volta é querida
ah quem me dera
aquele frio na barriga
e ser toda sua

outra vez

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

quentura

expelem fogo
essas paredes do meu lar
a brisa do mar
não me encontra
está contra mim

solução para os dias
seria banho, reza, água fria
no meio tempo derreto
enquanto meus dedos fazem poesia

terça-feira, fevereiro 08, 2011

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

nuvem (ou lá do alto)

bom é ser nuvem
nesse vai e vem
passar sempre bem

bom é ser ninguém
e passar desapercebido
andar sossegado e atrevido

bom mesmo é ser sabido
sem regalo ou sem vestido
ter a vida como um gás
branco, puro, querido


quinta-feira, janeiro 27, 2011

de noite

porres
dores
goles
o que fará te esquecer

choro
coro
outro namoro

vá embora
porque cada hora
é muito dia a devagar


digitando

conversas sensuais
vazia de assuntos banais
como eu queria que voltássemos atrás
e tudo fosse inocente, nosso, crescente
falas apagadas com teclas
janelas fechadas
amor de fachada

conversas não são mais
que palavras jogadas
sentimentos como porradas
esquecidas por quem dada
lembradas por alguém sofrida

terça-feira, janeiro 25, 2011

quarto andar

tardes ventosas me dão
sono
som
tardes de céu cinza
de nuvens brancas
apartamentos comigo

tardes calorosas me dão
fome
nome
noites de tv's ligadas
brancos de computador

tardes solitárias me dão
você

segunda-feira, janeiro 24, 2011

quarta-feira, janeiro 12, 2011

tédio

você entediou meu coração
e quando eu vi o mar da Bahia
tranquilizei aqueles pensamentos
era você me entediando outra vez

melancolia era seu nome
esconderam de mim
não me disseram antes
se eu soubesse eu não veria
aquele mar de amores

você arrebatou meu coração
levou pr'aqueles lados
e nunca mais o trouxe pra mim
não me importa, fique
ele é mais seu do que dessa dor torta

(podia também se chamar "mar da Bahia")

segunda-feira, janeiro 10, 2011

.

pálpebras: palmas
estás resistindo a mim
e não cerres enquanto
terminem meus olhares

domingo, janeiro 09, 2011

era (ou ainda será)

essas horas eram nossas
frações fixadas no visor
de qualquer um de nossos
celulares, medulares
nessa hora exata
a lua era nossa e nossa cama
era um pouco minha e muito sua
preenchidas pelos amores vazios
e conversas de cobertor
essa era nossa hora
de eternizar o segundo
e entender baixinho nosso mundo

sexta-feira, janeiro 07, 2011

misturado

apertos repentinos
significam ideias no peito
permitem fantasias
sonhos e pernas
abertas

sentimentos assassinos
verificam se há conserto
investigam primazias
sinapses e olhos
fechados

regimento de menino
machucam direito
mergulham alegrias
num mundo e ouvido
cansados

quinta-feira, janeiro 06, 2011

me negar

esquecerei as ruas
não mencionarei as janelas
corriqueiras, cotidianas
não serão poesias os passos
nem tampouco os beijos
motoristas
malucos
merecerei julgamentos
escárnios, lamentos
apagões, denegações
esquecerei meus elementos
minhas espumas
minhas palavras
e ficarei vazia
despreenchida
esquecerei de quê se escreve
esquecerei de viver

quarta-feira, janeiro 05, 2011

suor

na cidade onde o sol não morre
tudo derrete
o chão, as árvores, o coração
o asfalto ferve e o brilho
do astro cintila os carros
que calor do inferno!
trinta graus sentidos
na pele que arde
no prédio que desbota
e bota água pra dentro
a cidade onde o sol nasce às seis
cansou de derreter dessa vez

terça-feira, janeiro 04, 2011

falta

fazem falta as peles
os dias a encostar
meus pés nos seus
fazem falta os cafés
e os sorrisos melódicos

trazem saudades de volta
suas mãos eram milagres
trazem cardápios à porta
mão na minha me sufoca

arranca-me o ar no verão
mas não me deixa só no refrão

segunda-feira, janeiro 03, 2011

decorar

vestidos coloridos
para festas de tarde cinza
jogos imaturos de família
e casas de parede rosa

o mundo é uma roda, menina
hoje é azul, amanhã é nódoa
amarelo, bege, anilina
o que importa são as voltas

lilases enfeitam as unhas
e cada sorriso amarelo
embeleza a lágrima branca
que escorre no peito nuelo

arrume os sapatos por favor
separe as fotos em cor
das preto e branco
não lamente caso amanhã
escorra o vermelho por entre o tamanco

domingo, janeiro 02, 2011

sua rua

a voz rouca
atravessa as paredes
e as ruas da Barra Avenida
clamam seu nome
como cantam as melodias
do domingo à noite

distraí aquela rua
entorpeci alguns cantores
e chorei quase na mesa do bar
sentei de novo
no muro que nos dividiu
no mar que nos dividiu
o dia me iludiu

o tom me tocou
diferente de como
toquei você
eu não toquei você
mas mesmo assim
morrestes em mim
e de novo a rua
me enfeitiçou

me tomou como mulher
cantou a última canção
trouxe versos e vigas
encantou as luas da Barra
enfeitou as barracas do sol
fez dançar os casais bêbados

e nuca mais seremos os mesmos sós

sexta-feira, dezembro 31, 2010

domingo, dezembro 12, 2010

signos

palavras simples
não diriam
o que eu fiz
de tudo pra esquecer

todos os signos
juntos não representam
o que me apresentam
seus olhos

por isso desarranjo
tudo que posso
sinto o que trago
e abandono aqui
palavras que estrago

quinta-feira, dezembro 09, 2010

menu poesia

o que temos para amanhã?
poesia
café almoço maçã
refeição do dia
salpico palavras
corto parênteses
e na travessa: travessões
macarrões cozidos
ao molho mulher
e no café?
rima
menu: bacon no desjejum
sopinha de letras
e sobre a mesa chocolates
palavras doces dão fim
a orgia das terças


sábado, dezembro 04, 2010

a volta

de repente
aparece de novo
deixa tudo nervoso
os pratos caem
aparentemente limpo
e por dentro esbagaça
destroça, esmaga
veja o que provoca
infesta o ar e tudo
o que toca
se desfaz por dentro
e traz
a antiga sensação
de ficar bem e mal
em mais um verão

quarta-feira, dezembro 01, 2010

.

cachos me tomam
me envolvem me frisam
volta e meia me deixo
enrolar
enroscar
e meus olhos fitam
nenhuma flor ou laço
mas me embaraço neles
de longe sinto o cheiro
macio, brilhante
e quis passar
enroscar
enrolar
tal qual dedos
inquietos amantes

terça-feira, novembro 30, 2010

vaz(i)o

comer me dá vazio
vazio de te ver
vaga a palavra
não responder
é o caminho que não faço
o não que não consigo
desisto de comer
esqueço o que ia dizer
resultado de merecer
comer a palavra
emudecer
me perder nesse prato
vagarosamente engasgo
passo a palavra
à você

segunda-feira, novembro 29, 2010

maré baixa

areia fina
som de mar
menina
onda inclina
o mar olha
marola
vê demais
neblina
mareia o dia
e a concha fala
o que não mais
diria

domingo, novembro 28, 2010

moço de sábado

olhinhos claros
cabelos loiros
mãos moles
longo sonido
paixão listrada
coração batuque
e os olhos se viram

ritmo brisa
lábios frescos
colunas iguais
melodia Reckard
paixão listrada
pés batuque
e as mãos a pingar

braço magro
pele calma
cada tela bela
no seu olho:cama

terça-feira, novembro 16, 2010

ritual

poder a todos
os deuses nus
nessa cama
camamente
um imã energiza
uma unha chama
prazer a poucos
os instantes quase
os que são sempre
nossa trama
vagarosamente
inocentemente
irremediavelmente
poder aos poucos
prazer aos loucos

domingo, outubro 24, 2010

apertamento

retratos parados
pinga a pia
pinga lá fora, noite fria

paredes pálidas
e portas de natureza torta
jardim sem maçã ou erva morta

no espelho o banheiro
a meia luz da varanda
toma banho o chuveiro

sozinha a cozinha
a sombra passeia
dá pra ver a vizinha

apartamento tem querer
em pé tomando café
quer sua presença, seu cafuné

domingo, outubro 03, 2010

mal dormir

hoje o sonho me acordou você
e me veio a festa dos matos
quando o carro passa
trouxe a marca verde do sol
permanente na vista
e as montanhas redondas
iluminadas as retinas
roteiro feliz nos beijos espalhados
sonhos com músicas pra ninar você

quarta-feira, setembro 01, 2010

pra vir

chega
de te ver
de te longe
se esconder

deixa
de querer
de falar
me enxergar

esquece
e me some
me desfaz
desaparece

chega
chega logo
chega liga
chega perto
dá um chêro

domingo, agosto 22, 2010

lesera

um brinde as babaquices

idiotices e besteiras

ah nós! Contemplativos

parabéns aos estúpidos

as mesmices inúteis

as promessas vazias

um salve para os medíocres

e sua estupidez cega

que fundamentaliza o viver

aleluia, oh céus

e livre dessa inglória os meus

a alguns o infame poder

da insignificante criatividade

sexta-feira, julho 30, 2010

para Elias José

escrevi cem vezes o bilhete de amor
escrevi mil vezes o bilhete de amor
escrevi trocentas vezes o bilhete de amor

amor, você ainda lê bilhetes?
amor, e o som dos clarinetes?

escrevi mais uma vez o bilhete de amor
e nem virou poesia
dei-o ao franco-atirador

quinta-feira, julho 22, 2010

quinta-feira, julho 08, 2010

janela

apertado é o coração de quem ama
novidade não há para os poetas
pistas tristes, faróis vermelhos
cansamos de ter

cansado é o coração de quem ama
navalha para poucos
chuvas frias, passos silenciosos
amamos? vê...

malvado é o tempo pra quem tem
embriaguez nos sonhos todos
prédios acesos, redes vazias
distanciamos, crê?


sexta-feira, junho 18, 2010

homeopatia

poesia cura
macumba de curandeiro
dor de partida
ferida de coração
partideiro
boêmio, faceiro
cura e mata
devagar na valha
feita pra cegar
alguma pena
que venha ou vai
mandinga de olhar
poesia há de passar
nem que seja pra
jogar na cova
terra, lágrima e dor
última pá

quinta-feira, junho 10, 2010

depois pois

dez segundos depois do amor
está a morte
sim, podíamos morrer
depois do prazer
nada mais sentido faz
pra que homens trabalhando
meninos na escola
água empoçando
a morte prolonga
o sentir vazio profundo
depois dos dez segundos

terça-feira, junho 08, 2010

seu jogo

quem sou eu
no seu jogo
do bicho?
- ninguém
a mulher da banca
pobre garça elegante
esquizofrênico perambulante
leão que marca com a língua
homem preto velho
na janela
pomba branca triste
não sou eu
nesse seu jogo

(me perguntando pra você quem sou eu)

sábado, junho 05, 2010

meu mar

mulher
na frente mar
nada demais
como o vermelho do batom
na boca dela
boca da tarde
braços do mar
mulher má
e seus vermelhos escondidos
sangra boca e mar
batom bom gastar
transar a mais
ânsia de ver
mulher

segunda-feira, maio 03, 2010

cheio de tudo

tudo cheio
ônibus e saco cheio
na cidade
boca cheia
canta e enche
o pulmão e a barriga
ponto cheio
bem final
fim de linha final
paciência enche
rua enche
bueiro enche
email enche
pro nosso final
boca na linha: fatal

quarta-feira, abril 28, 2010

te vi no tchau

já vi o adeus
sério, eu vi
era um domingo
de manhã
de novo
já indo e dando
repetidos tchaus
repentinos maus
vi os olhos rompendo
a barreira do saguão azul
era um domingo
de novo
um novo
já dizia minha voz
eu sabia que ias
desde que chegou
e de manhã
rompeu minha vida
como todo dia
em que me cegou

segunda-feira, abril 26, 2010

deusa ou serei eu

rio de abelhas rainhas em sua cama
rainha é sua cama
de onde emana leite e mel
de manhã café e mel
gostos tão comuns o meu e o seu
do suor que selou o corpo
bebido e oferecido aos deuses do amor
é bom celebrar no ápice ir eternizando
horas num século
derramando o mel e o céu em nós

toda manha tem o mesmo
toque de cetim, de pano quente
cores de quentin sobre os corpos
um guerra onde a paz era sua
já perdi e nem tem graça
e roubei seu troféu comigo
bebi a bebida da sua vitória
dando adeus aos nossos deuses deitados

sábado, abril 17, 2010

quando não é inverno

a chuva caiu
e era montanha
quente
do umbigo pra baixo
lento de ver
na subida do carro
pleno vento
na orelha
e sabor de
menta nos dentes
como num passo
de tango ela passou
deixando úmido
tudo por fora
nem frio ficou
mas o abraço chegou
e o desejo no papel
eternizou aquela subida

domingo, abril 04, 2010

solos

comigo
solos de sax
não combinam
bate violento e
lentamente dói
é como mulher
que grita
a todo toque
marcando os tons
dando ritmo
são melhores
os de guitarra
baiana
muito menos
velozes, sutis
tendo o homem
a dedilhar, lamber
cada fio e traço
fino trato

é tão bom que dói

quinta-feira, março 25, 2010

pode?

pode ser desajeitado
torto, lerdo
rude, desfeito
tardio ou imperfeito
pode ser teimoso
disforme, invejoso
fraco ou preguiçoso
chato falho burro
bobo chucro ogro
ainda assim és pra mim
o mais de todos

quinta-feira, março 18, 2010

o que não se diz ou sentiu

poesia pintada
arte sentida
cada instante ficava eterno
tudo que durava um segundo era pouco

parar nunca mais
a memória olfativa traz
o texto todo na cabeça
sabias bem o que ia dizer todo dia

só o momento não permite
o olhar é fulminante
olhos de eternidade
feitos pra ficar sobre ela

e se o tempo acabasse ali?
seria só um quadro, perfeito
seriam múltiplos gozos, vozes
beleza da arte revelada


sexta-feira, março 12, 2010

photo

Gravado
como num bit de música
Igual marcas de sol
cortes de gilete

Registrado
feito linhas na estrada
palavras no dicionário
Assim como meus arquivos
no computador lá de casa

Pra sempre
rasgado na pele
Carimbado com suor
selado pelo sorriso matinal
na memória da alma

segunda-feira, março 08, 2010

visitante

desde que chegou o amor
o coração é insone
a agonia é certa
como todos os dias são quentes
borboletas no estômago
e reações impensadas
desde que o amor fez favor
de entrar sem licença
descansar as mãos pequenas
é que a intranquilidade reina
e bonita faz abrigo,
pede água e deita na cama
deixa os cabelos loucos
as mãos cabisbaixas e
os pés boquiabertos

desde que o amor entrou
as coisas por dentro se apertam
como se não coubesse tudo junto
não dá, coração chega pra lá
vê se dorme sem olhar
a nudez desse

segunda-feira, março 01, 2010

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

chegada

Caia em minha cama

Derrame suas palavras

Mais úmidas no travesseiro

Guarda-chuva de amor

Explosão de bueiro

Extintor

Banho de sentimentos

Cheiros insólitos e confusos

Durante a tarde quase-cinza

Mostre a água no banheiro

Parada para o silêncio

Inspirador

sábado, fevereiro 06, 2010

explicação ou do lado de dentro

Amor como cura
Como tarde colorida
Vem na poesia
E não é de verdade

Que se sente é apenas
O que disseram ser
Mesmo se vermelho for
Tudo por dentro

Pra ficar limpo
Triste e macio
É só sentir profundo
Uma pitada de dor

As coisas transformam
E palpitam no amor
Sempre o mesmo
No mesmo sentido

terça-feira, fevereiro 02, 2010

poesia de di noite

Cada solo de guitarra que vejo
é todo sonho de noite
virando realidade aumentada
de noite às vezes não vejo
o quanto te amo

E perco de novo as notas
do sax que estavam aqui
perto do céu que você deixou
antes de viajar em outros ares

O que penetram são moscas
e vozes melancólicas pra
lembrar a memória ainda
sincera comigo, como essa
dor sincera

Anda logo com isso
e vem ver aquele jazz
favorito pra nossa cama
e melhor pro baterista
aumente o volume e a vontade
realidade imensa do tamanho
da saudade que vai quando amanhecer

E a imagem ser só um nariz
fino e perfeito a respirar
os ares quentes do lado de cá
o lado meu da sua cama
era sempre meu
um sonho louco sem rima
sem nexo com muito som
agora me deixa te ouvir

Voe logo com isso
apareça pra completar essa música
e fazer par com a dor de dentro de mim

segunda-feira, janeiro 25, 2010

beira de mar

molha o pé na água
lava
limpa

anda na areia
mela
suja

senta na cadeira
pede
muda

nunca mais viu ela
cheia
nua

terça-feira, janeiro 19, 2010

vem

De onde esse olhar?
Esse calor que emana
Do corpo mesmo longe

De onde essa música?
Tocando com leveza
Cada nota de minha voz

Fica de onde vem
Porque é eterno se
Todo dia for diferente

Fica, porque desde que
Meus olhos viram teu sorriso
Quis beijá-los de perto

terça-feira, janeiro 12, 2010

quartos

o calor dos seus dedos
são vistos de longe
das janelas do quinto andar
onde o rebolar percorre
o menor gesto vulgar

úmidos são os pés encontrando
os meus tão perdidos
suspiros implacáveis
por sobre a varanda escura

que pena pois sei
do adeus iminente
tal qual ligeiro o
vizinho viu

desfazendo os sonhos
os laços
e os zípers
dos quartos do primeiro andar

quarta-feira, janeiro 06, 2010

receita

não falta muito pra te esquecer:
duas colheres de orgulho
uma colher de decisão
uma colher de sopa (cheia) de razão
Algumas pitadas de humor e gargalhadas
E um novo amor à gosto
Aí sim, ansioso e disposto
Sentarei no sofá
com o filme mais tosco
e apreciarei o início do fim

segunda-feira, janeiro 04, 2010

janeiro

era dia 3
mas era o 1º
sinal certeiro
amargo no peito

os dela eram lindos
macios, vivos
nas mãos passageiras
leves, ligeiras

fazia 1 ano
que estava a 1 semana
dos cabelos liso-enrolados
e dos cheiros na face

é como se já
visse ontem
o que aconteceu
a cada dia

como viu dia 1º
no sinal
o verdadeiro adeus

segunda-feira, dezembro 21, 2009

sobre você

É onde eu quero falar
Respirar devagar você
Como num domingo qualquer
Que eu caminho e vejo o mar
E vejo sua mão
E vejo a inveja
Mas era você que ia falar
Quando a gente riu na beira do mar
De novo mais uma vez a rima, ria!
Porque agora é você
É sobre você onde eu quero
Falar na sua boca
Em mais um domingo
dia pra respirar

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Rio Vermelho

Cansei de ser feliz
assim nunca mais vou
conseguir fazer poesia

texto aparecido na parede de uma casa no Rio Vermelho