Ele era tímido, se vestia discretamente:
calça jeansss, camiseta velha sem etiqueta,
tênis de uma velha juventude anos 60...
Admirava ela desde a primeira vista, que
aconteceu sem querer, olhando livros na
estante da faculdade.
Dizia para si mesmo que iria beijá-la, um dia,
e gostava de fazer isso enquanto fingia ler
poesias de Gregório de Mattos: balbuciava seus
próprios pensamentos:
"ahhhh, quero essa garota... preciso sentí-la em mim"
Ela foi professora de catequese, amava ler os salmos e
agora tinha dentre seus livros prediletos "O código da Vinci"
e a "Via Cruzis do corpo".
Amava as palavras mais que a TV, que fascinava todas as suas
amigas de classe - a mídia - diziam.
Nunca tinha notado ele naquela faculdade, não tinha tempo.
Estava sempre apaixonada por si mesma e pelos livros...
Um dia, ele teve a sensação de que ela estava na biblioteca,
"ela sempre está lá" - pensou e não vacilou, berrou àquela
que era sua amiga:
"Vou beijá-la agora, não posso mais esperar... ela precisa saber"
E correu com o cadarço desamarrado, levantando as calças e suando frio.
Na frente da porta da biblioteca, parou, repirou e entrou.
Ela não estavalá.
Ele lembrou-se das saletas onde ela adorava sentar e comer uva escondido.
Devagar foi se aproximando, com passos leves e sorriso entreaberto...
Quando colocou seu rosto no vidro da porta,
o vento das narinas o fez embaçar:
Ela beijava outro.
Correu novamente, agora mais rápido, cuspiu no chão do pátio.
Ergueu as calças,sentiu gosto de sangue na boca
e com os olhos não enxergava nada, e nem viu
que seu ombro tocou a parede dura, mas nem sentiu dor.
Sentou no chão do corre-dor e aDORmeceu.