quarta-feira, junho 27, 2007

No quarto...

E lá estava novamente
pensando no frio que vem das correntes de ar polar
e que resfriam seu coração tropical.
Odeia o frio, mas insiste em amar os esquimós.
Adormeceu pensando no homem de neve que
tem atordoado seus sonhos. E sonhou com ele.

Neve e nuvem envoltos no seu olhar,
espaço vazio ao lado - era a falta - que preenchia o coração
e os sentidos provavam do sonho real, faziam o frio aquecer:
vem dizer que o frio é bom pra nós dois.
Depois de horas a fio (frio) sonhando, o homem de neve
a traz de volta ao calor equatorial e se despede com um
suave alarme de celular nos ouvidos.

Ela desperta.
E sorri sobre sua cama preenchida de vazio, ao olhar
o tímido sol que desponta no céu tropical.
Ainda com frio, mas gostando um pouco mais dos esquimós.


quinta-feira, junho 21, 2007

Cordel apresenta: Espetáculo em Brasília

Picadeiro armado, abrem-se as cortinas,
não há quem não queira suborno ou propina.
A platéia assustada não acredita no que vê:
políticos "palhaços" todo dia na TV.

Deputados malabaristas, manipulam as verbas,
fazendo aparecer o dinheiro na cueca.
O povo, boquiaberto, assiste com atenção o espetáculo
chamado "Mensalão".

Mas quem pensa que engana, finge não acreditar
que a platéia tem poder e tudo pode mudar,
pra ver outro espetáculo quatro anos bastarão
e só com a oportunidade da próxima eleição.

texto de Lucas Santiago (Bidhu).

domingo, junho 17, 2007

em transi

E estava lá.
Ao redor muitas pessoas mas não as percebia
o que sentia era o toque suave de suas mãos,
e a maciez do seu cabelo (ah, deixemos o texto para relembrarmos o momento).
Sua voz doce penetrava nos ouvidos e flutuavámos ao mais alto
como pássaros em um vôo livre.
O ápice da sensação era o beijo, que fervia o sangue pulsante
e que fazia em nada pensar. O desejo de dois, um corpo.
Dois barulhentos corpos eram um.
E todos viam, e eles só sentiam como era bom o toque, o beijo.

E do alto nas nuvens o vento seca o suor
e o sol tão perto passa a iluminar as faces
ruborizadas e alegres, fortes e penetrantes
eram os olhares e os sorrisos soltos.
Eles eram um, só um em transi (a).

sexta-feira, junho 15, 2007

sobre a realidade

É preciso estar-se, sempre, bêbado.
Tudo está lá, eis a única questão.
Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros
e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa.
Mas embebedai-vos.[...]
É hora de embebedar-vos!
Para não serdes escravos martirizados do tempo, embebedai-vos, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar!
De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.*

E eu sempre soube aprender com os sábios,
com os escritores, anciãos.
Estar lá é perfeitamente real.

*texto de Charles Baudelaire

terça-feira, junho 12, 2007

elas

Qual delas será tão tonta que se acomode
aos desares de partir com seus pesares de amor,
assistência, e tratos, se as damas não são sapatos
que se hajam de ter aos pares?
Dá-me, amor, a escolher de duas uma demônia.
Eu não deixo uma por outra, nem escolho outra por uma;
não há dúvida nenhuma, ambas são moças de porte
e se não mo estorva a morte ambas me hão de vir à mão.
Isto, que remédio tem, sejam entre si tão manas,
que repartindo as semanas vá uma, quando a outra vem;
que eu repartirei também jimbo, carinho e favor,
porque advirta algum doutor que, sendo à lógica o oposto,
na aritimética do gosto pode repartir-se o amor*

Entre duas, às vezes.
Dividir-se assim dá a impressão que se soma,
soma que resulta em zero.
Sozinho, sempre.

trecho de um poema de Gregório de Mattos
livro Boca do Inferno, Ana Miranda.

sexta-feira, junho 08, 2007

Litlle darling

"Stirt up...
It's been a long long time
Since I've got you on my mind
And now you are here, i said it's so clear
To see what we can do hunny, just me and you
come on and Stirt up litlle darling
I'll push the wood
I'll blaze your fire and I'll satisfy your heart desire
I'll stirt you every minute, all you've got to do, baby
It's keep in it and Stirt up
will you quench me while I'm thirsty?
Come and cool me down when I'm hot?
Your recipe, darling, is so tasty
And you sure can stir your pot
So Stirt up"

for you, my sweet love.

quarta-feira, junho 06, 2007

ele

O telefone tocou:
- Alô! Não... é uma amiga dela
Sim, pode falar... hum. Sei, entendi... tá claro
Mais algum recado? De nada.

A amiga:
-Ligaram pra ti. Era um homem com uma voz...
Que voz ardente sensual!
Disse que te amava, que não conseguia mais
viver longe de você e que não aguentava mais esperar.

Ela:
- Hum... Só?

segunda-feira, junho 04, 2007

Pelé (ou aqui jaz)

Tinha um gato no meio do caminho
No meio do caminho tinha um gato
No meio do gato abriram um caminho
Tinha no gato um caminho de rato
Tinha também um caminhão no meio
No meio do caminho fechando a estrada
Fincada no meio uma cruz que ja(z) dizia:
"Pelé a quem no meio partiram"
Bem no meio do caminho ele tinha ficado
No meio do caminho tinha um gato

homenagem póstuma a pelé, um pobre gato.

sábado, junho 02, 2007

02 de junho de 2007

Hoje, 2.0
e a idade pesa sobre os ombros já doloridos
de uma noite mal dormida...
acho que a essa altura dá pra saber quem são os amigos
quantos são os amores, quais são os desejos e porquê tantos sonhos.
A cabeça ferve, e aos poucos vai queimando os fios de cabelos
que a partir de agora tendem a embranquecer...
... e mais do que meros segredos, os pensamentos vão tomando forma
criando asas e voando com os ventos do sul.
A vida passa a ser é um copo cheio no qual bebo satisfeito e que, antes de esvaziar
já encheram novamente, e de novo e mais uma vez até secar a garrafa.

Obrigado por você existir, por estar ao meu lado
(...) Marley cantava o amor, o mar encantou a flor*

Hoje 2.0
agradecer por estar nessa grande festa é o mínimo que se pode fazer
o que falta é festejar todo dia bom ou mal, com ou sem copo cheio
e correr pra buscar o sonho que voa, e voa alto em direção ao lado
oposto: o sul.

*trecho da música Obrigado de Cidade Negra